Aqui no Nebulla, nós gostamos de falar de quadrinhos nacionais, principalmente do mercado independente, que vem ganhando mais força a cada ano. Basta uma visita em qualquer beco dos artistas para ver os inúmeros trabalhos, de várias pessoas diferentes e com histórias interessantes.

A produção nacional de quadrinhos merece ser celebrada, não é fácil fazer quadrinhos aqui, mas mesmo assim temos inúmeros artistas muito bons. Por causa disso, para comemorar o dia do quadrinho nacional, decidimos fazer uma lista com indicação de 10 quadrinhos nacionais para vocês conhecerem.

As cinco primeiras indicações são da Clarice, as outras cinco são da Rebeca!

10. As Empoderadas

 

Daniela, Li e Fabíola são As Empoderadas! Uma misteriosa tempestade solar provoca o surgimento de superpoderes em diversas pessoas do Brasil e do mundo. Entre elas estão Li, Dani e Fabi, que terminam se tornando amigas e, por influência das filhas de Dani, decidem fazer algo mais com seus superpoderes. Mas como nem só de resgate de cachorrinhos é a vida de um super-herói, surge uma ameaça que talvez seja grande demais para elas.

O quadrinho de Germana Viana dá uma nova cara para o clássico dos quadrinhos de super-heróis, mostrando um trio de mulheres diversas, todas com suas histórias pessoais e sempre com muito humor. É uma história super divertida que vai te conquistar na primeira página. O quadrinho está disponível em formato físico pela Editora Jambô.

9. The Witch Who Loved

The Witch Who Loved é o primeiro trabalho autoral de Ju Loyola, agora com dois volumes da sua história disponíveis. O quadrinho fala sobre uma bruxa que encontrou seu primeiro amor, mas as coisas não vão tão bem como costumam acontecer em contos de fadas.

Os volumes são curtos e é uma história sem diálogos, mas que em nada atrapalha o entendimento do leitor. As ilustrações contam o que você precisa saber sobre a bruxa, e o desenho é muito lindo. Para quem gosta de histórias nesse estilo, The Witch Who Loved é uma boa escolha.

8. Patas Sujas

Patas Sujas, agora já com três volumes, são quadrinhos roteirizados por Cris Peter. No primeiro a arte é feita pela SulaMoon e o segundo e terceiro por Erica Awano. A história será dividida em oito volumes, se passando em um universo fantástico. No primeiro volume, Na’az Ni é expulsa de sua vila e se junta à Aldeia dos Excluídos, onde verá inúmeras coisas.

A história é muito bem escrita e mostra elementos que os leitores de fantasia mais gostam. Conhecemos inúmeros personagens do universo, assim como também ficamos sabendo como é toda a dinâmica de poder. Ainda faltam 5 volumes, então muita coisa ainda vai acontecer com Na’az Ni. É uma leitura que vale muito a pena.

7. Quando Você Foi Embora

Como dá para imaginar pela capa, Quando Você Foi Embora fala sobre a relação de perda envolvendo um animal de estimação. Ao contrário do que esperamos, Ana Cardoso conta isso do ponto de vista de um cachorro que perdeu seu dono e precisa se adaptar à nova vida.

Prepare-se, você vai chorar. Pelo menos eu chorei bastante, enquanto estava abraçada na minha gata. A história é escrita de forma muito delicada, mostrando vários momentos da vida do cachorro e dos humanos ao seu redor, enquanto lidam com a perda do começo do quadrinho. Apesar de ser bem triste, é uma história muito linda e bem desenhada que vale as lágrimas.

6. Credo (Que Delícia)

Credo (Que Delícia) é o quadrinho mais recente da quadrinista Rebeca Prado, lançado na CCXP de 2018. Nele, há várias histórias e tirinhas sobre a vida e o cotidiano das pessoas, tudo com muito humor.

Não se engane pelo tamanho, mesmo curtinho, Rebeca Prado passa várias mensagens interessantes, de um jeito divertido, mas que vão permitir que você se identifique com as pequenas histórias contadas no quadrinho. A leitura é muito fácil e gostosa, com certeza merece uma chance.

5. Alho-Poró

Desenhado e escrito por Bianca Pinheiro (Bear)Alho-poró se tornou facilmente um dos meus quadrinhos favoritos. Ele foi lançado em 2017, mas o impacto é tão grande que ainda mantenho ele na minha pilha de referências.

Alho-Poró fala sobre conceitos de feminilidade, mulheres, violência e amizade de uma maneira sutil e muito conflituosa. A história gira em torno de três amigas que precisam fazer um quiche de Alho-Poró para um convidado especial, digamos assim. Grande parte do impacto da história do quadrinho está na revelação do porque as amigas precisam fazer esse prato, mas é aí também que o tema do quadrinho cresce e conecta com os demais elementos da história.

Nós temos uma crítica sobre o quadrinho, você pode lê-la aqui.

4. Mayara & Annabelle

Pra mim é impossível falar sobre quadrinho nacional sem falar sobre Mayara & Annabelle. Talvez porque o gibi de Pablo Casado e Talles Rodrigues tenha sido o primeiro quadrinho nacional que eu comprei, e que vem me acompanhando nos cinco anos desde que comecei a frequentar esse universo – que me trouxe tantas coisas boas.

Mayara e Annabelle já está no seu quinto volume (e agora você consegue comprá-los pela Amazon), e segue as aventuras e desventuras de duas funcionárias públicas diferentes. Mayara e Annabelle trabalham para a Secretaria de Controle deAtividades Fora do Comum do Ceará, e precisam enfrentar pistoleiros-demônios, feiticeiros sertanejos e muito mais.

E se você ficou com a pulga atrás da orelha por ser um gibi nacional sobre uma agência que lida com supernatural, eu te digo, não fique. É lindo demais ver a mistura de tropes típicos de séries americanas com o regionalismo nordestino. <3

3. Oil and Water

Eu gargalhei alto sentada enquanto lia Oil and Water, da Monique Alencar, uma gargalhada gostosa de “meu deus que fofura” e, como li logo no começo do meu dia, ajudou a manter o tom positivo em meio à dias não tão bons assim. Sabe aquele quadrinho bonito, com história gostosinha, simples mas que vem trazendo um significado muito bacana? Pois é.

Oil and Water conta a história de Brigitte, uma gatinha bastante insegura que acaba de se mudar para a cidade grande. Como passa os dias trabalhando remotamente no seu computador, o único contato com outras pessoas é quando vai beber leite no bar do Sr. Sardinhas. Lá encontra Charlotte, uma gatinha de espírito livre, mas nem tudo dá certo desde o começo.

2. Space Punch!

Nas últimas quatro CCXPs eu só comprei coisas criadas por mulheres (tirando Mayara e Annabelle, porque eu já conhecia os meninos eu sou fangirl), mas em 2018 eu resolvi ampliar um pouco mais meu repertório de gastos, em parte porque eu vi a capa de Space Punch! na mesa do Fred Cassar e do Bruno Moraes e fiquei apaixonadinha (o quadrinho, no entanto, foi lanado em 2017).

O quadrinho mistura pixel art e ilustração tradicional para contar a história de Mari, uma jovem tímida e com dificuldade de fazer amigos, que resolve participar de um torneio de Space Punch, um jogo de videogame que ela joga desde a infância. Mas o torneio traz de volta não só o sentimento de saudade, mas um ex-amigo de infância de quem ela se separou de maneira não muito positiva.

1. Passa Anel

Sabe quando você lê um quadrinho e automaticamente pensa que precisa ler mais? Quando os personagens são tão envolventes e a história tão divertida que mesmo 300 páginas não seriam o suficiente? Passa Anel, de Fits e Nicole Janér é assim. Um mix de garotas mágicas (mas garotos), uma pitada de Senhor dos Anéis e um “q” de Hilda.

O quadrinho conta a história de Samu e Bel, dois amigos que encontram um poderoso anel ancestral que tem o poder de enfrentar os espíritos mágicos do tempo. O gibi deixa claro que este é só o começo da história, mas o universo é tão bem estabelecido e divertido que, diferente de outros projetos similares, o final não fica vazio. É muito comum em quadrinhos, filmes e livros em que o primeiro volume é lançado que os autores não consigam ir além de um “primeiro ato”. Em Passa Anel, mesmo que este seja só o começo de uma história maior, a narrativa se fecha não só nela mesma, mas também no desenvolvimento de personagens.

PQP eu amei esse quadrinho.