A E3 acabou na semana passada, mas nós ainda estamos hypados com os jogos que mais chamaram a nossa atenção. Entre alguns dos títulos anunciados, eu fiquei feliz em ver algumas mulheres protagonizando jogos ou sendo destaque deles.

Nós sabemos que a porcentagem de mulheres protagonistas em jogos, ou ao menos personagens de peso, é bem menor que o número de homens. Ainda há muito mais espaço para homens padrão, assim como acontece com todas as outras áreas da indústria de entretenimento. Mas esse número está crescendo, porque aos poucos vamos percebendo que o papinho de “jogo com mulher” não vende é uma grande mentira.

O Feminist Frequency fez um texto mostrando que apenas 8% dos videogames apresentados esse ano, ou ao menos os que tiveram mais que um anuncio sem informações, tem mulheres como protagonista. Apesar de ser um avanço se comparado a outros anos, é muito baixo. Isso sem contar que, quando pensamos em mulheres fora do padrão, os números ficam ainda menores.

Mas como algumas se destacaram, vamos falar delas, as que eu mais gostei, particularmente. Em nenhuma ordem específica:

5. Lara Croft – Tomb Raider

Lara Croft é uma das personagens femininas mais clássicas dos jogos. Quando a representação de mulheres em videogames nem tinha espaço para ser debatido, Lara já estava lá chutando bundas. Sim, de forma muito mais sexualizada e que fazia bem menos sentido, mas ela foi um grande ponto de partida para inúmeras gamers que antes não tinham ninguém em quem se ver.

Eu recentemente comecei a jogar o primeiro (de 2013) e tenho gostado bastante da caracterização de Lara. Ela é capaz, inteligente, mas é um ser humano que sofre se colocada em situações ruins. Lara tem uma personalidade e é uma protagonista com a qual podemos nos relacionar. A esperança é que ela tenha um arco ainda mais legal nesse terceiro jogo.

O gênero de aventura e ação é bem mais povoado por protagonistas homens. Ainda há aqueles que acham que foi Nathan Drake que originou Lara Croft, o que é engraçado. Claro que o sucesso de Uncharted influenciou o estilo da franquia Tomb Raider, mas Lara Croft é bem mais antiga. É bom ter um ícone tão grande de personagem feminina, não só fazendo sucesso, mas também sendo representada de uma maneira bacana e não sexualizada.

4. Kassandra – Assassin’s Creed: Origins

Esse jogo foi o meu queridinho da E3. Assassin’s Creed, e a Ubisoft em geral, não tem um histórico muito bom quando o assunto são personagens femininas. A Ubisoft sempre evitou colocar mulheres como protagonistas dos jogos destaques da franquia. Nós temos Aveline, em uma DLC de Black Flag, e Evie, que compartilha o protagonismo com seu irmão gêmeo, Jacob, em Syndicate. Mas infelizmente jogamos mais com Jacob do que com Evie.

Isso sem contar que em 2014, quando questionados sobre porque não faziam uma protagonista mulher para a franquia, a Ubisoft declarou que mulheres eram mais “difíceis de animar”. Quatro anos depois, a empresa parece ter aprendido a lição e percebido que não só isso é uma bobagem, mas que dar espaço para protagonistas mulheres é um bom avanço para a franquia.

Em Odyssey, você pode escolher jogar com um homem ou uma mulher. Caso prefira ser uma mulher, jogaremos com Kassandra, que não só pode ter a sexualidade que escolhemos, mas também será tratada do mesmo jeito que Alexios, o protagonista homem. Ou seja, ela vai lutar, seguir sua aventura e aprender as habilidades de assassinos como qualquer outro protagonista da série.

3. Ellie – The Last of Us 2

Ellie deve ser, hoje, uma das grandes queridinhas do mundo dos jogos. Apesar de toda a polêmica ao redor do beijo que ela dá em outra mulher no jogo, mostrado durante a conferência da E3, a franquia The Last of Us ainda tem muitos fãs, sem contar que a Naughty Dog ainda é um grande nome quando o assunto é jogos.

A personagem, quando ainda era criança, foi um dos grandes focos do primeiro The Last of Us, não é à toa que se tornou tão popular. Além disso, Ellie é canonicamente lésbica, informação mostrada na DLC Left Behind do primeiro jogo, e depois confirmada pelos produtores, já que há fãs que insistem em ignorar esses fatores, achando que é “fase”.

Agora, no segundo jogo, Ellie volta com tudo como protagonista. Ela está chutando todas as bundas, em combates sangrentos que normalmente seriam protagonizados por homens. Ellie também é uma personagem que tem a chance de ser lésbica sem se tornar sexualização para o olhar masculino, sem fetichização, pelo menos ao que tudo indica. Ser lésbica é mais uma das características dela, que vai aparecer como aconteceria com qualquer personagem heterossexual em um jogo desses.

2. Shani – Beyond Good and Evil 2

Não temos tantas informações desse jogo quanto dos outros, mas achei que era muito importante colocar a Shani na lista. Não só porque eu estou apaixonada por essa personagem, mas também por ela ser uma das poucas personagens negras que vimos na E3 desse ano.

Não sabemos muito ainda sobre Beyond Good and Evil 2. Além de vermos os gráficos maravilhosos, sabemos que poderemos jogar com um personagem customizável e que seremos piratas no espaço com uma equipe ao nosso lado. Por enquanto, os trailers têm dado muito foco em Shani, o que é muito legal, considerando que além dela ser badass, não vemos muitos personagens como ela em grandes jogos.

Ao que tudo indica, o beta jogável ficará disponível até o final de 2019. Eu realmente espero que Shani tenha uma participação grande na história como os trailers têm indicado até agora.

1. Jesse Fade – Control

Entre as franquias novas anunciadas pela E3, temos Control, que foi apresentado na conferência da Sony. O jogo é da Remedy, as mesmas pessoas por Alan Wake, o que me deixa um pouco mais animada para o jogo. A outra coisa que eu gostei bastante foi ver que a protagonista era uma mulher.

Não sabemos muito sobre ela, mas temos algumas informações. Na conferência, disseram que ela é uma mulher com um passado complicado e diretora da Bureau of Control. Essa é uma organização responsável por lutar contra aparições sobrenaturais, o que explica o trailer que parece mostrar uma realidade distorcida.

O jogo alternará entre puzzle e combate. Sua história vai fazendo com que, aos poucos, o jogador entenda a verdade sobre a protagonista e a organização para a qual ela trabalha. Todos esses mistérios me deixam ainda mais curiosa para conhecer melhor a personagem.