Na última Blizzcon, a Blizzard divulgou várias coisas novas para seus jogos, incluindo a nova personagem de Overwatch, Ashe, uma vilã da gangue Deadlock. Ela foi apresentada em um curta que também focava no McCree, além de apresentar uma outra personagem, que não sabemos muito sobre ainda, no final do vídeo.

Não me entenda mal, ela parece ser bem divertida. É um personagem dps, com uma shotgun, uma personalidade pouco adorável que a gente gosta de ver nas personagens mulheres de vez em quando. Ashe veio de uma família privilegiada, com pais que tinham pouco tempo para ela. Bob, o mordomo robô, era quem mais dava atenção para Ashe. Quando ela conheceu McCree, resolveu entrar no mundo do crime e chegou a se tornar líder da gangue Deadlock.

Eu sempre gostei de como a maioria das personagens introduzidas pós o lançamento de Overwatch são mulheres. Tivemos a Ana, Sombra, Orisa, Moira, Brigitte… Isso é bem bacana, até porque vai deixando a quantidade de personagens mulheres mais igual ao dos personagens homens. E Overwatch procura colocar representatividade nos seus personagens. Não tiro o mérito do que eles já fizeram.

Mas não consigo olhar para o lançamento de Ashe e ignorar o fato de que é mais uma personagem mulher com um corpo padrão. Nem digo só por ela ser branca, até porque há vários personagens que não são brancos no jogo. Mas porque ela tem aquele tipo alta e magra, cintura fina, que apela como “gostosa” para o fandom. O tipo de corpo considerado padrão e desejado.

Overwatch tem 29 heróis atualmente. Entre eles, 14 são mulheres, considerando que é um número impar de heróis, podemos considerar metade, o que é bom. Agora, quando pensamos em design, apenas três delas fogem do padrão de corpo magro com cintura fina: Orisa, que é uma robô, Mei e Zarya. Até Brigitte, que poderia sair mais disso, ainda tem a cintura fina e o rosto muito parecido com o de tantas outras personagens. Sim, Overwatch fez personagens de vários tipos em outros aspectos, o que é ótimo mesmo, mas há uma falta de diversidade em tipos de corpos nas personagens femininas.

Quando pensamos nos personagens masculinos, a situação muda. Tirando os mais óbvios que não são humanos, como Winston, Wrecking Ball, Bastion e Zenyatta, os outros também variam entre si. Olha para Torbjorn, Reinhardt, Doomfist, Roadhog, Junkrat… Os personagens homens tem mais chances de terem corpos variados.

Não é incomum que isso aconteça, infelizmente. As heroínas de muitos jogos costumam estar mais dentro de um corpo padronizado do que os homens. Não é só no Overwatch, aliás eu diria que a Blizzard é uma das que mais tenta fazer um trabalho melhor em relação a isso. Mas a Ashe acaba caindo nessa questão.

Eu também aprecio que temos uma vilã que é dentro do padrão, de certa forma, já que boa parte dos vilões da história (até se contar a Sombra, que ninguém sabe qual é a real intenção dela) são personagens fora do padrão de alguma forma. Então tem também esse lado. Mas até no curta em si em que os personagens foram apresentados, o design dos robôs mostra como isso é um problema constante no jogo. A robô “mulher” do final é esbelta, magra, com cintura fina… Entende?

Overwatch é um caso com erros e acertos, e eu já vim na internet comemorar os momentos em que eles fizeram coisas bacanas, mas nesse caso acho interessante a gente pensar como a indústria de games ainda é engessada na diversidade de corpos de seus personagens. Ainda mais nos corpos de mulheres.

Caso você ainda não tenha visto o curta: