Deadpool fez muito sucesso com o lançamento do primeiro filme, muitos gostaram e estavam ansiosos para ver a continuação. Aqui no Nebulla, nós nunca fomos grandes fãs dos filmes do Deadpool, inclusive isso gerou alguma polêmica na época do primeiro lançamento.

Como sempre, essa crítica será sem spoilers.

Deadpool 2 é uma sequência, mas eu honestamente acho que dá para ver esse filme sem necessariamente ter visto o primeiro. Depois de inúmeros problemas, Deadpool (Ryan Reynolds) conhece um menino mutante, Firefist (Julian Dennison), que está tendo problemas na instituição em que ele vive e está querendo queimar tudo. Deadpool acaba precisando ajudá-lo, mas obviamente as coisas saem um pouco (muito) do controle.

Esse filme tem mais conteúdo do que o primeiro. Apesar de ser uma história de origem, a sensação que eu tinha é que Deadpool estava mais interessado em ser cool do que em ter uma história. Não há problema parecer cool, ainda mais na história do Deadpool que tem esse foco, mas ele não ia muito além disso. No segundo filme, há pontos que de fato me surpreenderam. Deadpool 2 prioriza a comédia, referências e tirar sarro de clichês, mas ele também é um filme que tenta te dar uma história melhor, que chega até a emocionar em certos momentos.

Ainda acredito, como tive a impressão no primeiro, que Deadpool tenta tirar sarro do clichê sem conseguir tanto quanto gostaria. Nesse filme, logo no começo, ele me provou que ainda não melhorou isso. Deadpool tira sarro de vários elementos legais, inclusive as disputas entre DC e Marvel que são tão faladas hoje. Isso eu acho bacana, porque mostra que é um filme que sabe o que o público está acompanhando. Mas o filme acaba caindo em alguns clichês que, em tese, poderia estar criticando. Não, ele não os mostra como forma de crítica, mas os usa para sustentar um roteiro, o que é fraco. Existe em alguns momentos a piada do roteiro ser fraco, o próprio Deadpool diz isso, mas falar e rir disso não muda o fato de que, em alguns momentos, a história é sim enfraquecida por clichês.

Há várias piadas engraçadas durante o filme, muito espaço para referências que não me agrada tanto e as piadas que vão além do que está acontecendo no filme, que quebram a quarta parede. Eu sei que Deadpool é para ser engraçado com coisas pesadas, inclusive o filme é bem gráfico em várias lutas, mas eu acredito que existem limites. Por isso não consegui dar nenhuma risada das inúmeras piadas de pedofilia.

Os personagens estão divertidos e funcionam bem no geral, a melhor adição desse novo filme foi a Domino, que causou muita polêmica quando a Fox anunciou quem seria a atriz. Vários fãs foram racistas com a escalação. A representação não é tão boa quanto eu gostaria que fosse, mas eu ficava mais feliz quando ela estava na tela, lutando e mostrando o quão sortuda ela é. Mas há muitos personagens no filme que só estão lá para servir a comédia, sem necessariamente ter um desenvolvimento ou alguma complexidade maior.

Inclusive, falando em representação, o aspecto da pansexualidade de Deadpool continua ficando de lado e sendo tratado como piada. Não homem, você não deixa de ser hétero por gostar de sexo anal.

Por mais que falte em alguns momentos, o filme é divertido e não fica parado em momento nenhum. As coisas sempre vão acontecendo e não há muitos momentos parados. O filme sabe prender a atenção do público, seja pela tensão ou pela piada, e entrega uma história que entretém. Não é genial e nem quebra os estereótipos ou clichês como gostaria, mas faz um trabalho que, na minha opinião, é melhor do que o primeiro.

Acredito que os fãs de Deadpool, principalmente as pessoas que curtiram o primeiro filme, vão continuar gostando. Tem muita ação, cenas de luta gráficas, piadas e referências com outros fatores da cultura pop. Ainda não é um filme que me agrada completamente, mas fora os problemas que eu pontuei, ele também não pega em temas que me atraiam tanto. Falaremos nos próximos dias sobre os spoilers e análises mais aprofundadas, mas a princípio, se você curte esse tipo de filme, acredito que valha o seu ingresso.

Ah sim, o longa tem duas cenas pós-créditos, que inclusive são muito boas, então fique até o final.