Eu não sou lá a maior fã de filmes biográficos. Por mais que assista alguns e até goste, não é o gênero que pessoalmente me agrada mais. Porém, eu sempre tento assistir boa parte dos filmes premiados na época do Oscar, e Eu, Tonya chamou a minha atenção. Eu gosto da Margot Robbie e o trailer tinha me interessado. Felizmente, eu dei uma chance para o filme, porque, como eu já disse no nosso canal no youtube, é um dos longas que eu mais gostei de assistir.

Eu, Tonya conta a história de Tonya Harding, que explodiu na mídia na década de 90. Várias pessoas conhecem o escândalo da época, mas caso você seja como eu, que não tinha a menor ideia, não tem problema. Tonya foi uma patinadora de gelo nos Estados Unidos. Apesar de ser ótima, inclusive fazendo um movimento que nenhuma outra patinadora tinha conseguido antes, ela não era o padrão esperado de uma patinadora. Tonya sempre era comparada com outra atleta chamada Nancy, por não ser tão delicada quanto ela e vir do interior. Na classificatória para as olimpíadas, Nancy teve seu joelho quebrado por uma pessoa contratada para isso. Há evidências que provam que o ataque foi feito a mando de Tonya, mas não há uma resposta concreta para isso, ainda mais porque a própria Tonya nunca admitiu.

Talvez isso tudo tenha sido um grande spoiler, mas acredite, o filme vale a pena ser assistido, independente de você conhecer ou não a história da atleta. O longa é bem parcial, a narrativa escolheu um lado da história para “apoiar”, sem deixar aberto para o público entender a questão como quiser.

A história é ótima, bem amarrada e que sabe muito bem construir os seus momentos. Nós nos apegamos muito fácil ao que Tonya está passando, sem contar que entendemos perfeitamente a pressão pela qual ela passa. Desde cedo, Tonya veio de uma família complicada. Uma mãe abusiva e um pai ausente. Quando ela se casa, o seu relacionamento também se torna abusivo, com agressões de vários tipos, incluindo física.

As atuações são o ponto alto do filme. O roteiro sabe muito bem o que entregar para seus personagens, e os atores estão muito confortáveis em seus papéis. Não é à toa que o filme foi indicado para várias categorias de atuação, sem contar a vitória de Allison Janey como melhor atriz coadjuvante por interpretar a mãe de Tonya.

Outro grande mérito do longa é fazer a história funcionar, mesmo já sendo conhecida. Independente de Tonya ser culpada ou não, ela foi proibida de patinar e competir em outras ocasiões. Não é todo mundo que sabe disso, como eu não sabia, mas é uma história conhecida que está à uma busca no Google de distância. Mesmo assim, era empolgante acompanhar a história. O filme faz o público querer assistir o que vai acontecer, qual vai ser o futuro de Tonya e das pessoas ao seu redor.

Há também toda uma conversa no filme sobre relacionamento abusivo. Por mais que no começo a relação entre Tonya e Jeff pareça ótima, as coisas vão ficando muito diferentes. Em um primeiro momento, para Tonya, casar com Jeff e sair de perto da mãe abusiva é a melhor alternativa, mas ela volta a sofrer com abusos. Jeff é praticamente um manual de relacionamento abusivo. Tudo começa bem, até que ele perde a cabeça e a machuca de alguma forma. Ele pede desculpas, diz que precisa dela, mas continua as agressões. Quando Tonya começa a se afastar de fato, Jeff toma decisões absurdas para mantê-la por perto. Não dá para culpar Tonya, mesmo quando ela decide perdoá-lo. Abuso é boa parte do que ela conheceu, para ela é aceitável passar por esse tipo de coisa exatamente pelo que teve que viver dentro da própria casa.

Mesmo com esses temas mais pesados, sendo uma história real e algumas cenas com Margot Robbie colocando muita emoção em sua atuação, Eu, Tonya também tem seus momentos engraçados. É uma história dramática, com momentos nada felizes, mas há certa leveza em algumas cenas que tiram um pouco do peso da narrativa. Eu, Tonya sabe como balancear esses momentos, o que torna o filme mais dinâmico.

O longa pode não ter recebido tanto destaque quanto outros na época das premiações, mas com certeza vale a pena ser assistido. A história é divertida, com personagens ótimos e atuações incríveis.