Desde que foi disponibilizada na Netflix, La Casa de Papel tem dado o que falar. Muitas pessoas gostaram e tem falado muito sobre a série nos últimos dias. A temática não era exatamente a minha favorita de todas, mas era noite, eu queria assistir alguma coisa, La Casa de Papel estava em alta…

Para quem não sabe, La Casa de Papel não é uma série original da Netflix, mas está sendo distribuída por ela. Os episódios contam a história desse grupo de assaltantes que querem invadir a casa da moeda na Espanha e fabricar o próprio dinheiro. O plano é ser o maior assalto da história, e eles pretendem levar embora 2.400 milhões de euros. Os assaltantes passam cinco meses estudando com um homem que se chama de Professor (Álvaro Morte), que vai ensiná-los o plano e como executá-lo da melhor forma possível. Para não saberem as identidades um dos outros, todos os criminosos possuem um apelido, que é um nome de cidade: Tóquio, Rio, Berlim, Nairóbi, etc.

Esta crítica não tem spoilers.

Depois de assistir a série, descobri que essa primeira temporada está incompleta. Na Netflix, tem 13 episódios com cerca de 35 a 55 minutos cada. Originalmente, La Casa de Papel é uma minissérie, por enquanto só com uma temporada, com 15 episódios que duram 75 minutos cada. A Netflix reorganizou os episódios e pretende lançar os outros seis em abril deste ano. Isso faz muito sentido, porque quando eu terminei de assistir, um dos meus maiores incômodos foi que o ritmo da série. Parecia esquisito em alguns pontos específicos, ainda mais no último episódio. O season finale parecia fraco, tirado do nada e sem um grande ponto de tensão. Considerando que a grande maioria dos outros episódios tinham um bom gancho no final, parecia esquisito. Quando fiquei sabendo dessa informação, as coisas fizeram sentido, então caso ainda não tenha assistido, esteja avisado.

Era muito fácil que La Casa de Papel se perdesse na trama. São muitos episódios, pessoas, personagens e arcos se desenvolvendo. Mas, apesar do ritmo esquisito por causa das modificações nos episódios, é uma série que, em geral, mantém o fôlego. Há algumas barrigas e momentos que poderiam ser diferentes, a história é interessante o suficiente para te manter preso no que está acontecendo.

Há certos artifícios que o roteiro usou para fazer a história andar que não me convenceram muito. Por mais grandioso que o plano seja, o público consegue acreditar na maioria do que está assistindo. Porém, há momentos que eu olhei para a tela e fiquei “não é possível que esse personagem tenha essa reação/faça tal coisa”. São momentos pontuais, e que acontecem bem mais para o final da temporada do que no começo.

Outra coisa que me incomodou um pouco é como alguns personagens são tratados. Eu entendo que uma série com tantos elementos tenha dificuldade para dar espaço para tudo. Tóquio, a protagonista, às vezes fica bem apagada. Mônica, uma das funcionárias do banco, tem um dos arcos de personagens mais confusos para mim, que até agora eu realmente não entendi qual é o propósito. Caso seja uma crítica, a série ainda não concluiu, mas se era uma tentativa de romance com dificuldades… Bem, então é um grande ponto negativo. Aliás, toda a vez que a história tentou construir um triângulo amoroso, do meu ponto de vista, falhou miseravelmente.

Tirando um ou dois dos criminosos, todos eles têm seu foco, suas características marcantes e defeitos. O Professor, um dos personagens mais interessantes, dá várias voltas em seu arco. Em momentos ele me beirou um pouco no exagero, mas considerando que ainda não está acabado, acho que La Casa de Papel vai dar uma boa conclusão para ele. Nairóbi sempre rouba a cena, a atuação de Berlim (apesar de ser um personagem irritante) é ótima. A relação entre Denver e Moscou, para mim, é uma das interações mais interessantes e divertidas de ver na série. A maioria tem seu espaço para brilhar, até aqueles que não são criminosos propriamente ditos.

Tecnicamente, a série também tem seus méritos. Às vezes, em histórias de ação e que envolvem tiroteios, pode ficar difícil de entender o que está acontecendo. Porém, La Casa de Papel já apresentou vários momentos tensos, de tiros para todo o lado, em que deu muito bem para entender tudo. Sem contar que são cenas que sabem passar a emoção desejada para a audiência.

Não vou mentir, queria ver um pouco mais de representatividade na série, mas Raquel, por enquanto, me parece um ponto bem positivo. A série pode me fazer mudar de ideia nos próximos episódios, mas até agora ela é uma das personagens mais legais de se acompanhar. Séries policiais nem sempre dão espaço para as mulheres, mas Raquel é a responsável por cuidar daquela situação. A personagem tem todo um arco também que envolve sua família, sua relação com o trabalho e como muitas vezes ela é levada menos a sério do que os companheiros homens.

Talvez eu discorde dos mais fãs, eu não achei La Casa de Papel perfeita. Ela tem alguns pontos na história que podiam melhorar e algumas decisões de arco de personagem não tão felizes. No entanto, eu gostei mais do que imaginava. Entrei sem muitas expectativas e não consegui largar os episódios. Mesmo nos momentos mais clichês, e até bregas, eu estava tendo todas as reações de quem estava envolvido na história. Então, apesar de algumas falhas, eu com certeza recomendo, ainda mais para quem gosta de histórias policiais e de assalto. É divertida, com personagens interessantes e uma história que prende.