Love, Death & Robots é a nova série de antologia da Netflix. Criada por Tim Miller, são vários curtas de animação, de no máximo 20 minutos, que contam várias histórias em diferentes gêneros da ficção.

A primeira parte desta crítica não tem spoilers.

Acredito que, nos tempos de hoje, temos cada vez menos momentos disponíveis para assistir séries, e ninguém mais quer ver uma temporada de 24 episódios. Pensando nisso, Love, Death & Robots mostra um formato interessante. Além de ser perfeito para assistir tudo de uma vez, são histórias curtas. Mesmo que tenha 18 episódios, não é cansativo, até fica melhor ter mais episódios, considerando o tempo de duração das histórias.

Assim como Black Mirror, o fato de ser uma antologia faz com que cada episódio tenha seus próprios prós e contras. Há alguns fatores em comum, no entanto, que podem ser levantados.

É interessante que, no espaço de 18 episódios, Love, Death & Robots explora tantos gêneros de ficção. Há curtas de comédia, suspense, ação, mistério, fantasia, terror… Todas são a sua própria aventura, e boa parte delas consegue entregar uma história divertida. Pelo tempo curto, algumas acabam se focando na virada do final, que às vezes funciona e outras não.

A animação é um dos pontos altos da série. Há estilos diferentes, mas todos eles se encaixam bem na história, na temática e trazem visuais incríveis. Alguns episódios até dá para esquecer que é animação. Outras são mais estilizadas, mas igualmente bonitas. Visualmente, e no aspecto de produção em geral, a série é muito bem feita, dá para ver que teve um trabalho muito pensado nesse ponto.

Alguns episódios são bem gráficos, com cenas de violência e nudez, o que pode fazer com que alguns episódios não sejam interessantes para todo mundo. Quanto à narrativa, por mais que eu goste de muitos dos temas levantados, e ache que na parte técnica de construir uma história boa parte deles seja muito bom, senti algum descaso com certos temas.

A série tem um problema, em alguns episódios, de objetificar mulher, usar a violência contra essas mulheres para o avanço do arco da personagem, de forma rasa e até desrespeitosa em dados momentos. Há alguns momentos da série que eu quase podia ver a mesa de roteiristas, todos homens dentro do padrão, querendo construir uma personagem feminina forte e caindo em todos os clichês possíveis do assunto.

Apesar de existir alguma, não é uma série que tenha muito cuidado em retratar diversidade. Há alguns episódios que incluem minorias de uma forma bacana, mas os mais impactantes acabam caindo em tropos bem cansativos. Esses erros são tão incômodos que diminuem a qualidade das histórias. Há episódios em universos super interessantes, mas que essa falta de cuidado acaba sendo um ponto negativo muito evidente.

Há episódios que nem há personagens mulheres, mas a série, ainda assim, dá um jeito de incluir sexualização desnecessária.

Love, Death & Robots é uma série muito bacana, em um formato legal, com algumas histórias interessantes e um visual maravilhoso. Porém, na sua falta de cuidado com temas e narrativa, acaba perdendo parte do potencial que tinha.

A seguir, farei uma lista rápida de todos os episódios, falando sobre os elementos principais e uma crítica rápida. A ideia é, no máximo, apresentar spoilers leves (que podem ser considerados spoilers por estarmos falando de curtas), mas que não vão entregar e estragar a história. Mas, caso você prefira ver sem saber nada, recomendo que vá assistir a série sem ver essa próxima parte do texto.

18. A Vantagem de Sonnie

  • Episódio futurista, com uma pegada cyberpunk
  • Animações incríveis
  • A construção do universo é muito bacana, possivelmente uma das melhores da série
  • Ideias e elementos muito interessantes para a história em questão
  • Um dos curtas mais decepcionantes do ponto de vista do tema
  • O textual e os fatos do roteiro tematicamente não conversam entre si
  • Banalização de violência contra a mulher

17. Os Três Robôs

  • Episódio de comédia em um ambiente apocalíptico
  • Personagens muito divertidos
  • Não há nudez ou violência explícita
  • Temática interessante, reflexões sobre a humanidade
  • Designs muito bons
  • É um dos melhores episódios da série

16. A Testemunha

  • Episódio cyberpunk de suspense
  • Visual incrível, um dos mais chamativos da série
  • Nudez explícita
  • A personagem fica nua em situações completamente desnecessárias
  • História até interessante, mas se destaca muito pouco perto da sexualização

15. Proteção Contra Alienígenas

  • Ficção científica com apocalipse
  • Personagens muito interessantes e divertidos
  • Uma história bem redonda em um tempo bem curto
  • Tem temas legais e também tem bastante ação
  • Mesmo não parecendo, o roteiro vai achar momentos para te surpreender
  • A violência é muito mais em destruir monstros
  • Um dos melhores episódios da série

14. Sugador de Almas

  • Ação com um quê de terror
  • Tem uma mitologia legal por trás
  • As piadas são mal colocadas e não ajudam na narrativa
  • Personagens esquecíveis em sua maioria
  • É até divertido, mas não passa muito disso
  • Tem violência explícita

13. Quando o Iogurte Assumiu o Controle

  • Uma comédia com pontos de ficção científica
  • Um dos episódios mais curtos
  • Não tem violência ou nudez
  • É bem divertido e sem noção
  • É todo feito por narração, então não dá pra se relacionar muito com nenhum personagem

12. Para Além da Fenda de Áquila

  • Ficção científica com terror
  • Personagens interessantes
  • Uma história bem construída, que sabe construir tensão
  • Animação bem impressionante
  • Nudez desnecessária em um ponto específico
  • Tem um pouco de clichê quanto às personagens femininas
  • Universo do episódio bem construído
  • Apesar dos problemas, é um dos melhores episódios

11. Boa Caçada

  • Fantasia misturado com steampunk
  • Universo muito interessante e bem construído
  • Visual estilizado que combina com o curta
  • Ideia muito boa, porém executada sem cuidado
  • Nudez e violência explícita
  • Personagens femininas cheias de clichês
  • Violência contra a mulher usada de forma desnecessária
  • Tem elementos interessantes, mas a falta de cuidado faz o episódio perder o potencial

10. O Lixão

  • Pode ser considerado uma fantasia urbana
  • Personagens divertidos, mas não tão explorados
  • Há momentos engraçados
  • Apesar de não ter personagens femininas, ainda assim há nudez e sexualização desnecessária
  • Uma virada legal, mesmo não tão chamativa
  • Não é um episódio marcante

9. Metamorfos

  • Fantasia urbana com um toque de horror
  • Mito do lobisomem usado de forma interessante
  • A história é bem construída e divertida
  • Bastante violência gráfica
  • Personagens principais bem feitos
  • Apesar de não ter personagens femininas, ainda há nudez de mulheres em certos detalhes
  • Mesmo com alguns problemas, é um dos episódio bem feito

8. Ajudinha

  • Ficção científica com um quê de terror
  • Parece muito o estilo do filme Gravidade
  • Violência gráfica
  • Personagem feminina interessante, sem sexualização
  • Episódio tenso, bem construído
  • Um dos melhores episódios, apesar de dser agoniante

7. Noite de Pescaria

  • Episódio que pode ser encarado como fantasia urbana
  • Bem curto, poderia ter mais tempo de duração
  • Visual bem chamativo
  • Os personagens não são muito explorados
  • Tem uma proposta que lembra a história de Ícaro
  • Podia ser mais explorado

6. Número da Sorte

  • Ficção científica com bastante ação
  • Gráficos absurdos de bons
  • Personagem mulher e negra como protagonista
  • As cenas de ação são muito divertidas
  • Existe um pouco de mistério que deixa o curta mais interessante
  • É um dos episódios mais divertidos

5. Zima Blue

  • Episódio de ficção científica
  • Uma estética bem chamativa que combina com a história
  • Protagonista muito interessante
  • O uso das cores é muito bem feito
  • Talvez seja o episódio mais sentimental

4. Ponto Cego

  • Um ambiente distópico, atmosfera que lembra bastante Mad Max
  • Cenas de ação divertidas
  • Personagens esquecíveis
  • O roteiro não é impressionante, tem uma virada no final, mas que não sustenta
  • É um episódio bem mais ou menos

3. Era do Gelo

  • Uma fantasia com toque de comédia
  • Os personagens funcionam mais como coadjuvantes do curta
  • A história não é tão marcante, mas tem uma mensagem interessante
  • Os visuais são bem bonitos
  • Apesar de não ser tão marcante perto de outros, é bem divertido

2. Histórias Alternativas

  • Comédia com um toque de ficção científica
  • Mesmo sem personagens femininas, existe sexualização desnecessária
  • Tem elementos interessantes de realidades alternativas
  • A forma que o episódio quebra a quarta parede é um toque bacana
  • É divertido, mas não vai muito além disso

1. A Guerra Secreta

  • Fantasia urbana, mesmo que o episódio não seja exatamente contemporâneo
  • Visual e designs muito bem feitos
  • Possui temas interessantes
  • Sexualização feminina e violência gráfica desnecessária
  • Os problemas da história poderiam ser resolvidos facilmente, o que dá uma impressão de descaso
  • As cenas de luta são bem impressionantes
  • É um episódio legal, mas que podia ser melhor