Depois de 14 anos e muitos gifs da Edna, Os Incríveis finalmente ganhou a continuação que nós tanto esperamos. Com números ótimos na estreia, a história continua a partir do momento em que o primeiro filme terminou.

A família Incrível começa o filme salvando a cidade de outro criminoso, mas as coisas não se saem tão bem quanto eles gostariam. Além do criminoso fugir com o dinheiro, toda a luta causa uma grande destruição, sem contar que os super-heróis ainda são ilegais. No meio dessa confusão, Mulher-Elástica e Senhor Incrível, junto com Gelado, são convidados por um empresário para começar um plano para legalizar os heróis de novo. Winston Deavor acredita que, com ajuda da grande mídia e missões de sucesso, os super-heróis poderão ser legalizados novamente. Mas o que Senhor Incrível não esperava é que ele não é a primeira escolha para ser o garoto propaganda, e sim a Mulher-Elástica. Agora, enquanto ela vai trabalhar nessa missão, ele fica em casa cuidando das crianças.

Essa crítica não tem spoilers do filme.

Eu estava relativamente preocupada em como as questões de gênero seriam tratadas. Apesar de em alguns pontos o filme se perder, até na questão feminista, acredito que ele traga algumas coisas interessantes e consiga levantar algumas questões. O Senhor Incrível, por exemplo, tem que lidar no filme com toda a questão de não ser o escolhido para a missão, como o homem que sempre se sentiu no direito de ser o protagonista. Da mesma forma, as mulheres do filme possuem papéis relevantes e decisivos no andar da história.

O filme consegue balancear bem, muito melhor do que vários filmes de super-herói, os momentos de tensão com os de humor. Nós já conhecemos os personagens, mas esse segundo filme também dá espaço, inclusive para Zezé, de serem apresentados de novo. Inclusive é um filme muito possível de ser assistido caso você não tenha visto o primeiro. Talvez uma coisa ou outra demore um pouco mais para ser entendida, mas em geral é um filme que funciona sozinho.

Particularmente, eu acho que algumas decisões mais para o fim do filme poderiam ser diferentes, inclusive ligadas à questões do vilão, mas não estraga a experiência como um todo. Como o filme passa muito tempo mostrando que as coisas estão boas, a reviravolta no final vai ficando mais óbvia, mas também dá uma sensação de que as coisas realmente podem ser perdidas. Óbvio, é um filme para crianças, então sabemos que tudo vai dar certo de uma forma ou de outra, mas é importante que Os Incríveis 2 mantenha a tensão.

A parte do Zezé com Edna é muito divertida. Mesmo que tenha pouca ligação com a trama principal, ela é bem divertida e o filme sabia bem que muitos dos que estavam assistindo gostariam de ver a Edna de novo, que provavelmente é uma das personagens mais amadas da franquia.

Talvez com um pouco de exceção do Flash, todos os personagens do núcleo principal tenham espaço para ter uma mudança e desenvolvimento ao longo da história. Violeta lida com os seus problema da escola e relacionados à questões da adolescência. Mulher-Elástica tem todo o problema do Hipnotizador para lidar e Senhor Incrível precisa aprender, não só como lidar com a casa e as crianças, mas também entender que ele não vai ser o centro das atenções o tempo todo.

Os coadjuvantes novos também são divertidos. Os irmãos Winston são o que trazem a trama para a tela. Os heróis novos, que aparecem devido a representação da Mulher-Elástica, não tem tanto espaço de tela assim, mas Voyd é um destaque muito divertido e que vai ter sua participação na resolução do filme.

Trazendo alguns assuntos bons de serem tratados, nem sempre de forma tão organizada, Os Incríveis 2 é um filme bem divertido. Apesar de algumas falhas, é super recomendado tanto para crianças quanto adultos, independente de como esteja a sua memória em relação ao primeiro filme.