She-Ra estreou na Netflix e nós estamos apaixonadas. Já imaginávamos que seria bom, por ser um trabalho de Noelle Stevenson, mas eu pessoalmente não imaginei que ia gostar tanto. Os treze episódios da primeira temporada já estão disponíveis na Netflix, e nós aqui estamos torcendo para que uma segunda temporada seja confirmada.

Esta crítica não terá spoilers da animação.

Adora é uma das jovens soldadas da Horda, junto com sua amiga Felina. Como seu desempenho era o melhor entre todos, Adora é promovida para capitã. Porém, quando ela vai para a Floresta dos Sussurros, descobre que a rebelião e a Horda não são bem o que ela achou que eram a vida toda. Agora, com a espada mágica e o papel de She-Ra, Adora entra em uma busca para unir as princesas do poder para fortalecer a rebelião e destruir a Horda.

A animação é tudo de bom, mesmo que alguns homens padrão na internet te digam o contrário. A história é bem redonda, começando com a premissa de Adora salvar Etéria e mantendo a temática durante todos os episódios, por mais que alguns deles sejam mais focados em outros aspectos, ampliando o mundo de Etéria. A missão de juntar as Princesas do Poder nos dá abertura para conhecer vários lugares diferentes do reino, além de inúmeras personagens divertidas e interessantes.

She-Ra não perde tempo com fillers, mesmo que seja algo esperado em um desenho infantil. Cada episódio apresenta um conflito específico que é resolvido até o final, ou resolvido o suficiente para manter que a história continue andando e seja interessante para o público. É difícil largar a série uma vez que você começa, porque Adora e seus amigos estão correndo contra o tempo e você quer ver sempre um pouco mais.

Os personagens são muito divertidos. O grupo principal, composto por Adora, Cintilante e Arqueiro, são um grupo diverso. Por mais que Adora seja uma protagonista branca e magra, Arqueiro é um personagem negro e Cintilante tem o corpo fora do padrão de beleza. Cada um deles possuem uma personalidade bem definida, que conversam entre si e funcionam para o andar da história, formando um trio muito divertido de acompanhar. Aqui vale destacar o arco da Cintilante, que tem chance de crescer bastante, e também a masculinidade não tóxica de Arqueiro.

É muito bom ver o arco de heroína de Adora, que passa por muitas fases similares aos heróis masculinos. Parte da felicidade em ver isso é porque ainda há poucas histórias sobre mulheres serem as grandes escolhidas. Ainda mais em um universo em que a maioria dos personagens são mulheres.

Existem sim personagens masculinos na história, mas boa parte daqueles que fazem a diferença são mulheres. She-Ra, as princesas e até mesmo as vilãs. Por mais que Hordak esteja no comando, o destaque das vilãs vai para Felina, Scorpia e Sombria, que tem mais tempo de tela e mais chance de mostrarem o quanto são personagens complexas, não apenas personagens que querem que a Horda ganhe sem nenhuma motivação. Nós estamos acostumados a ver histórias com poucas mulheres e definidas por homens, mas She-Ra inverte essa noção.

A relação entre os personagens também é algo bem construído ao longo dos episódios. Não só as possibilidades de ship, mas as relações de amizade, família, mestre e aprendiz são bem construídas. Nós entendemos porque Adora e Felina, por exemplo, são do jeito que são, acreditam no que acreditam. A relação de Cintilante com sua mãe também tem bastante espaço para aparecer, além de ser muito real, dada às diferenças do nosso mundo com Etéria, obviamente.

Eu sempre gosto quando os próprios vilões têm a chance de ter um arco de personagem bem desenvolvido. Felina é a minha personagem preferida até agora, e é ótimo poder entender o lado dela além da vilã que precisa derrotar Adora, mesmo que as duas tenham sido amigas no passado.

O mundo de She-Ra também é muito interessante. Como alguém que não assistiu a animação antiga, eu quero saber mais sobre Etéria, sobre as princesas do poder, suas fontes de energia… Ainda há muito que podemos ver e essa primeira temporada faz com que o telespectador queira conhecer mais.

Acima de tudo, é uma animação divertida. Tem humor, momentos de tensão, personagens interessantes e que são bons exemplos para crianças, que aprendem com seus erros. Quando não aprendem, a história sabe mostrar quem está errando. É uma animação ótima para meninas se empoderarem, terem uma visão positiva e não passiva do que pode ser uma princesa. Mas também é bom para que meninos cresçam sabendo apreciar outras histórias que não sejam só sobre eles, ao contrários dos homens padrão adultos de hoje que insistem em achar que She-Ra tem que pensar primeiro em agradá-los.

Então, por favor, corre na Netflix e assista She-Ra, porque vale muito a pena!