O que dizer desse filme? Apesar de sempre achar o MCU um universo coerente, eu nunca espero tanto assim dos filmes da Marvel. O que é até engraçado, porque no último ano só vimos filmes bons e antes de Guerra Infinita teve Pantera Negra, que para mim ainda é o melhor filme do MCU. Mas sim, eu esperava um filme divertido e só, mas eu recebi muito mais do que isso.

Dirigido pelos Irmãos Russo, Guerra Infinita acontece depois de Guerra Civil, Thor: Ragnarok e Pantera Negra. É exatamente o último filme da cronologia. Thor está voltando para a Terra, mas sua nave é atacada por Thanos e seus lacaios. O vilão está atrás das Joias do Infinito. Seguindo seu caminho de destruição, os servos de Thanos vão para Terra, dividindo todos os super-heróis em uma grande luta para impedir que metade do universo seja destruído.

Essa crítica não terá spoilers do filme, eu prometo.

Eu não acreditei que a Marvel ia conseguir. Achei que ia rir e me divertir, mas não que ia ser um longa que ia me deixar emocionada, de boca aberta e com vontade de ver de novo. Eu estou sentindo tudo isso agora. Guerra Infinita era um filme muito difícil de fazer. A Marvel está há anos construindo filmes, histórias e origens de inúmeros heróis, prometendo que todos eles iam se juntar para derrotar Thanos.

Pensa em A Era de Ultron. Lembra como era esquisito o tempo de tela dado para cada herói, como as coisas eram confusas? Então, isso porque não era nem metade do número de personagens que temos agora. Dessa vez tínhamos os primeiros vingadores, Pantera Negra, Guardiões da Galáxia, Homem-Aranha, Doutor Estranho… Tendo algum conhecimento e prática em escrever, eu imagino o pesadelo e o trabalho em lidar, da forma mais justa possível, com todos os personagens.

E a Marvel conseguiu.

A guerra é dividida em dois grandes pontos: Terra e Espaço. O núcleo que está nas naves espaciais recebe mais atenção, mas os personagens que estão na Terra aparecem nos momentos certos. Faz sentido eles estarem dessa forma no filme, assim como faz sentido vermos mais daqueles que estão no espaço. Eu vou falar que queria sim ter visto um pouco mais de Viúva Negra e Pantera Negra, por exemplo. Mas, em geral, eu entendi e consegui ver como os criadores amarraram todos os heróis para aparecerem em cada momento por um motivo que fazia sentido. Em um filme com tantos personagens, isso é surpreendente.

O filme não pára um minuto. Ele sabe que precisa contar uma história gigante em duas horas e meia, e em nenhum momento parece desperdiçado. Nem as piadas em excesso aparecem aqui. Há sim o humor da Marvel, mas o filme sabe quando brincar e quando falar sério. E Guerra Infinita é um dos filmes mais pesados do MCU. Eu sou a primeira a reclamar de excesso de piada nesse universo, vocês já devem saber. Sim, os Guardiões da Galáxia são os meus amores, sem contar que eu adorei Thor: Ragnarok, mas piadas sem sentido atrapalharam outros filmes como A Era de Ultron e Doutor Estranho, que a risada não era o foco. Guerra Infinita sabe muito bem como equilibrar o tom.

Nos últimos tempos, cada vez mais os filmes da Marvel vem com grandes mensagens. Thor: Ragnarok falou de imperialismo, Pantera Negra sobre racismo e Guerra Infinita também trás o seu próprio questionamento. É coerente e aceitável trocar a vida de alguns pela maioria? É certo para as pessoas envolvidas, ainda mais quando uma delas é amada? Quem decide o peso de cada uma? Será que é possível fazer isso? Essas são questões que, se pararmos para pensar, é muito difícil de responder.

Outra coisa que Guerra Infinita faz de uma forma maravilhosa é mostrar Thanos. Todo mundo sabe que a Marvel tem problemas com vilões. Sim, amamos Loki, Hela é ótima e agora o Killmonger é um dos melhores vilões que já vimos, mas a maioria deles são completamente genéricos. Thanos podia ter sido assim, mas não, o filme dá espaço para ele, para entendermos suas motivações. E quando você para e pensa no que Thanos propõe, é muito possível de acreditar e entender que ele pense dessa forma. Não é que concordamos, mas faz sentido e não parece forçado. Porque o filme dá espaço para entendermos o personagem, sem transformá-lo em um coitado.

Por causa desses anos de Marvel, é natural que sintamos apego pelos super-heróis, mas aqui eles realmente souberam usar as emoções. Eu não ligo para alguns deles, e mesmos esses, quando em perigo, eu sofria com a ideia de que algo muito ruim podia acontecer. Quem está assistindo fica com medo por eles o tempo inteiro, porque desde o começo Guerra Infinita te diz que todos estão em perigo.

Como já falei, entendo e vejo sentido na participação de cada personagem, então é coerente aqueles que foram escolhidos para serem o centro das atenções. Mas né, todos são homens dentro do padrão. O filme todo tem diversidade, mas quando vemos os maiores personagens, eles são muito iguais, não só na aparência, mas na personalidade. Isso ainda é incômodo de ver.

Mas são poucos os erros de Guerra Infinita. A história é bem amarrada, os atores estão excelentes e o tom do filme está no ponto certo. O longa foi muito mais do que eu esperei e a Marvel está de parabéns. O difícil vai ser esperar mais tempo para saber o que acontece depois. Sim, tem cena depois dos créditos.