Sempre falamos muito sobre aumentar a representatividade das mulheres nos filmes, incluindo na franquia Star Wars. Toda essa questão das personagens femininas em Star Wars sempre deu muita discussão, principalmente com a nova trilogia, quando Rey apareceu como protagonista.

Becca Harrison fez uma análise dos filmes da franquia e postou no Twitter a porcentagem de tempo de tela de cada um dos longas.

Por tempo de tela, nós entendemos como mulheres em cenas que sejam personagens e tenham falas, não apenas figurantes ou objetos de cena de alguma forma. Solo não foi incluído na conta por ainda ser um filme muito recente.

Há várias conclusões que podemos tirar dessa lista.

Primeiro que é evidente que os filmes mais novos, em sua maioria, acabam ficando nos primeiros lugares. A terceira trilogia e outros que vieram nos últimos anos, como Rogue One, são produções mais atuais e mais cientes da importância dessa representação. Não é à toa que os filmes que tem Rey e Jynn como protagonistas estão no top 3.

Apenas um filme passa dos 40%, que nem é metade, mas é o mais próximo que temos disso. Do jeito que vemos a situação, eu gosto de imaginar que o episódio XIX terá ainda mais mulheres em cenas, e quem sabe nós chegamos em incríveis 50%, coisa que a franquia infelizmente ainda não viu.

Apesar desses números, ao que tudo indica, ficarem cada vez melhores, há inúmeros outros fatores que valem ser considerados. Mesmo que os episódios XVII e XVIII tenham a Rey como protagonista, ela não tem tantas mulheres ao seu redor, isso sem contar que ela interage relativamente pouco com elas. As conversas muitas vezes ficavam ao redor de um personagem masculino, que é um dos cortes para fazermos o teste Bechdel. Eu sei que o papel de Luke Skywalker é um grande fator, e obviamente as pessoas vão falar dele, mas ainda assim.

Temos também Rogue One, que mesmo sendo um dos melhores filmes da franquia e tendo Jynn como a principal, ela está cercada de homens o filme inteiro. Talvez exatamente por isso que, do top 3, Rogue One fique por último.

Desse top 3 para os outros, os números ficam bem menores, e até mostra como a primeira trilogia fez um trabalho melhor nessa questão do que a segunda. Apesar das críticas que eu tenho, Leia sempre foi uma personagem que teve mais espaço e mais cuidado do que Padmé. Sim, havia momentos desnecessários com Leia, mas ela também fazia coisas incríveis e foi um símbolo na época. Já Padmé foi completamente injustiçada, sendo uma personagem que servia para desenvolver Anakin, e não vamos falar sobre aquele final péssimo.

Tempo de tela é importante, mas a qualidade das personagens na tela também precisa ser considerada. Por mais que Jynn fosse a única mulher de destaque em Rogue One, ela tem uma representação e um papel bem melhor que o de Padmé. Não só por ser uma protagonista. Quando comparamos o tratamento que Padmé e Leia receberam, também vemos a diferença.

Mas ainda é pouco, porque nenhum deles têm 50%. Ainda não está bom, porque o fandom de Star Wars ainda não sabe aceitar minorias. Basta ver o ódio para as atrizes que interpretam as personagens mulheres, como o caso recente de Kelly Marie Tran. A atriz que interpreta a Rose no episódio XVIII recebeu várias mensagens de ódio, só porque falaram que ela teria mais destaque no próximo filme. Um ódio completamente gratuito a uma personagem que consegue trazer tanta coisa importante e nova para Star Wars. Que, na minha humilde opinião, tem uma das frases mais lindas que a franquia já viu.

Óbvio que uma história justa com suas personagens mulheres não garante um fandom saudável, nós sabemos disso. Mas esses nerds que se acham donos de Star Wars precisam entender que a franquia não é só sobre o reflexo deles, do cara branco e padrão que salva o dia, deixando de lado qualquer minoria. As história não são só sobre eles, sem contar que ninguém tem o direito de assediar tanto uma atriz a ponto dela excluir as suas contas em redes sociais. Chegar no ponto de nem saber diferenciar atriz de personagem é ridículo.

Star Wars está dando passos muito certos, os últimos filmes trazem muita coisa nova e boa para franquia. Mas ainda é preciso mais.