Encontrei Florence por acaso enquanto procurava outro app na App Store do meu celular, apareceu como indicado para mim e foi uma indicação bem certeira. Florence é o primeiro jogo do estúdio de jogos artesanais Mountains, com sede em Melbourne, na Austrália. Um dos designers do jogo é Ken Wong, que anteriormente trabalhou em Monument Valley, outra obra-prima dos games de celular. 

Florence é uma história interativa sobre apaixonar-se, desapaixonar-se e encontrar-se a si mesma. Ele segue a história de Florence Yeoh, uma jovem de 25 anos que trabalha num emprego que ela não odeia, mas também não morre de amores, perdida numa rotina que não a satisfaz. Um dia ela encontra um rapaz por acaso e eles se apaixonam.

Eu realmente não posso revelar mais do que isso sobre o plot, porque pode ser considerado spoiler. Mas um dos pontos fortes do jogo é exatamente esse, como a história se desenvolve e como a interatividade dentro dela conversa diretamente com a narrativa.

As experiências pelas quais Florence passa provavelmente se assemelham a muitas experiências de pessoas que já estão na tal “vida adulta”, uma fase constantemente vista como cheia de expectativas e poucas vitórias. Florence tem ainda um ponto de vista mais íntimo e com qual pessoas de ascendência asiática talvez se identifiquem mais, já que é trabalhado dentro da narrativa questões culturais dentro das relações familiares de Florence e sua mãe. Isso, no entanto, é feito de maneira leve e que vai além do esperado.

Apaixonar-se e desapaixonar-se. Querer estar com alguém o tempo todo até que esse tempo todo torna-se pesado e negativo. Tudo em Florence é trabalhado para que a interatividade do jogo case tematicamente com o momento da narrativa. A interação dentro da história é utilizada para não só fazer o jogador passar pelas experiências da personagem, mas para trazer para fora o sentimento que o momento pede. Seja o sentimento de alegria, seja o sentimento de frustração.

Aqui no Brasil Florence está saindo por mais ou menos dez reais, o que pode parecer pesado para um jogo de celular, mas quando a experiência é tão bem construída, tão bonita e tão marcante eu diria que vale o dinheiro investido nela.

Você pode dar um passeio pela produção do jogo nos vídeos no site da Polygon

Até mais!