Dentre as comunidades de jogos, League of Legends não é conhecida por ser a mais inclusiva de todas. O mundo dos jogos online ainda não é amigável para mulheres, e uma partida recente de LoL nos lembrou muito bem disso.

Neste sábado, dia 16, aconteceu uma partida da LCL, uma das ligas oficiais de League of Legends, entre os times Rox e Vaevictis Esports, na Rússia. O Vaevictis Esports é o primeiro time 100% feminino de LoL a participar de um torneio oficial da Riot Games, inclusive esta partida era a sua estreia.

Durante a parte de pick e ban da partida, os jogadores da Rox, todos homens, riam enquanto escolhiam banir apenas personagens suporte, especificamente Nami, Janna, Lulu, Thresh e Braum. O Vaevictis Esports perdeu a partida, mas o que mais repercutiu nas redes foi a ação machista e tóxica do Rox, assim como comentários péssimos vindo de pessoas preconceituosas da comunidade.

Vamos começar explicando a parte de pick e ban do jogo. Antes da partida de LoL, assim como todo o jogo online, você escolhe que personagem usar. Isso é o mais comum, mas no LoL também existe a possibilidade de banir certos personagens. Assim, ninguém do seu time ou do adversário pode usar o personagem banido. Em partidas oficiais, é comum os jogadores banirem personagens que aparecem muito no meta. O meta é conhecido como o estilo de jogo que, por um determinado período de tempo, é considerado melhor por ser mais eficiente. Então é a combinação de personagens que costuma funcionar melhor.

Essa é uma das partes mais estratégicas de uma partida de League of Legends. Um ban ou um pick certo podem mudar tudo. O treinador das equipes, inclusive, só pode ficar com o time durante esse período, orientando os jogadores. É um momento levado muito a sério, sendo raro ter um ban ou um pick troll (banir o main de um rival específico por birra, por exemplo).

Voltando para os personagens suportes que o Rox baniu, nenhum deles aparece com muita frequência no meta. Já o Vaevictis Esports baniu Irelia, Urgot, Allistar, Silas e Zoe, personagens que aparecem bem mais no meta, ou seja, elas fizeram o que as pessoas esperam que jogadores de LoL façam, ao contrário do time Rox. Já foi provado que banir apenas suportes não ajuda na vitória, é uma estrategia ruim porque outras classes podem carregar a partida. Os personagens banidos pelo Veavictis são de classes diversas do jogo.

Ao banir apenas suportes, sem estrategia alguma, o Rox fez uma atitude muito tóxica e expôs o seu machismo para toda a comunidade de LoL. Eles fizeram isso para provocar o Vaevictis, pois existe essa ideia errada no League of Legends, e outros jogos online, que mulheres só jogam com personagens de suporte. Portanto, em tese, eles não teriam que se preocupar em banir outros personagens, já que elas não saberiam jogar com eles de qualquer forma.

Algumas pessoas na internet falaram que tanto faz, se não aguenta provocação não é para ir para o campeonato, e que elas perderem só prova como Rox estava certo, como se mulher não tivesse espaço no League of Legends. A questão aqui não é se elas ganharam ou perderam, isso faz parte de qualquer esporte e campeonato. O problema é a completa falta de fair play devido ao machismo do time Rox. O fair play é uma das coisas mais importantes no esporte, é a ética e respeitar o seu adversário.

Quando os jogadores do Rox decidem banir personagens sem nenhuma estratégia, baseados em um preconceito dentro da comunidade de que mulher só joga com suporte, eles estão dizendo que não levam as jogadoras do Veavictis a sério. Quando um jogador não usa estratégia no jogo, porque se considera superior, ele está desrespeitando o adversário. Como jogadores profissionais, ainda mais em um torneio oficial, essa atitude é desrespeitosa e mostra a falta de profissionalismo dos jogadores do Rox.

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A provocação é obviamente baseada em machismo, já que Rox baniu personagens que a comunidade entende como “escolha de mulheres”. Eles não desrespeitam Veavictis por, supostamente, saberem jogar menos que eles (o que também seria péssimo). Os jogadores do Rox desrespeitaram as adversárias especificamente porque elas eram mulheres, e por isso consideradas inferiores.

Inúmeras mulheres que jogam LoL, ou outros jogos online, vão saber a sensação de serem desrespeitadas. Associarem uma jogadora mulher com a função de suporte é uma generalização que acontece bastante e mostra o preconceito na comunidade. Além disso, é comum que, quando começamos um jogo online novo, jogar como suporte seja mais simples. Porém, as mulheres são tão cobradas de acertarem sempre, e criticadas de forma tóxica quando erram, que muitas vezes ficam no suporte para poderem jogarem em paz.

A Riot Games ainda não se pronunciou sobre o caso, mas esperamos que algo seja feito para impedir que isso volte a acontecer. Demonstrações como essas apenas provam como o meio é muito tóxico para mulheres e essas situações não podem ser ignoradas.