A última semana não foi uma semana fácil. Apesar de tentar sempre me manter positiva frente aos mais diferentes problemas, eu me vi sucumbindo à um poço de tristeza e decepção. Como é possível que, frente a um exemplo tão claro de comportamento fascista, as pessoas possam ignorar o horror, as ameaças à liberdade, as ameaças à vida de pessoas queridas e próximas – as ameaças à vida delas mesmas. Mas, porque eu estou cercada de algumas das melhores pessoas que eu conheci até hoje, eu resisto.

Resisto porque mesmo que eu não consiga mudar a cabeça das pessoas que estão cegas por um ódio tão grande que às impossibilita de ver o desastre humano para o qual talvez estejamos caminhando, eu sei que não resisto sozinha. Sei que ao meu lado, estão um grupo de pessoas que vão fazer esse percurso não só valer a pena, como ser menos tortuoso. É delas que eu tiro a minha inspiração, e é para elas que eu ofereço a minha força.

Eu tenho feito muitas analogias da nossa situação política e social com Star Wars. Talvez porque esse seja um momento em que a maioria dos votos válidos queira dar poder para alguém que quer nos tirar liberdades, assim como fez o Império e a Primeira Ordem, mas também porque Star Wars sempre foi uma narrativa sobre resistir frente ao medo, lutar por aqueles que amamos e sobre não perder a esperança.

Alguns disseram que o que Rose diz para Finn não faz sentido, já que ela de fato está lutando contra aquilo que odeia – a Primeira Ordem. Mas o meu entendimento é que Rose quer dizer que o que tem que nos motivar a lutar não é o ódio, mas sim o amor. Lutar para salvar aquilo que amamos, não para destruir o que odiamos. Mesmo que o objetivo final seja dar fim ao fascismo intergalático da Primeira Ordem, Rose nos ensina que podemos ser maiores do que o ódio que motiva o adversário, pois o que nos move é a ânsia do amor, de amar e de ser amado.

Rebellions are built on hope. Revoluções são construídas em cima de esperança.

Sem a menor intenção de romantizar a morte heróica por uma causa, o que me dá forças em Jynn é o fato de que apesar de descontente, a rebelde dentro dela não é algo que a define, é um papel que ela abraça. Duas frases pequenas, mas que me lembram de que esperança tem que continuar me guiando, e que se tem uma coisa na qual eu sou boa, essa coisa é não aceitar aquilo que me é imposto.

Enquanto eu tentava respirar com um pulmão inundado de angústia, uma amiga muito querida me lembrou que uma outra mulher incrível, Angela Davis, nos disse que liberdade é uma luta constante. E isso me deixou pensando como o meu lugar de privilégio branco, classe média, etc, me permitiu viver até aqui sem questionar o quão frágil é uma democracia com a mesma idade que eu. O quão grande foi a minha liberdade que só agora, quando um fascista está às portas da presidência, eu realmente me dou conta da possível perda de liberdade de expressão e da já reprimida liberdade que eu tenho como mulher.

E tudo isso me lembra de Leia Organa, de Princesa Embaixadora à General Rebelde, a mulher que passou a vida inteira lutando por liberdade em uma galáxia que insiste em tentar subjugá-la. Ela sempre resiste, tornando-se cada vez mais forte mesmo quando precisa encarar como adversário alguém que ama e que gostaria de ter ao seu lado (oi, Kylo). Carrie Fisher por si só já me é uma fonte constante de superação frente às adversidades.

Nesses nossos tempos sombrios é preciso que cuidemos de nós e daqueles ao nosso redor. Permita-se parar e ler um quadrinho ou um livro, assistir aos filmes e séries, jogar aquele joguinho e rir. Se alimentar, beber e rir mais um pouco. Rir de tanto chorar. Porque principalmente quando eles querem nos colocar para baixo, nos fazer sentir medo e desafiar a nossa liberdade, ser feliz e cuidar uns dos outros também é um ato revolucionário.

Lute por aquilo e aqueles que você ama, mantenha-se rebelde e lembre-se que apesar dos momentos tortuosos à frente, a luta é constante. Cuide de você, mantenha a esperança e vamos em frente porque juntas nós somos mais fortes.

Seguimos juntas! <3