A Darkside Books está lançando seu novo livro, Inferior é o Car*lho, da jornalista Angela Saini. Pensando nisso, a editora nos convidou para uma ação, que envolve falar sobre trabalhos de mulheres que foram invisibilizados, ou que não receberam a devida atenção ao longo dos anos. O novo lançamento da editora fala sobre como a ciência e a história colocaram as mulheres como inferiores, usando argumentos supostamente embasados em fatos, mas que eram construídos na base do preconceito.

Devida a essa crença de que mulheres são inferiores, não é de se surpreender que muitos trabalhos de mulheres tenham sido ignorados e menosprezados ao longo da história da humanidade. Por isso, hoje vamos falar da escritora Mary Wollstonecraft. Já ouviu falar dela?

Mary Wollstonecraft nasceu na Inglaterra e foi uma escritora do século XVIII. Ela também era filósofa e falava em prol dos direitos das mulheres. Durante sua infância, passou por momentos de instabilidade financeira, além de vir de uma casa de um pai abusivo, que agredia a mãe. Mary publicou vários romances baseadas nessas experiências, como Mary: A Fiction (1788), Original Stories from Real Life (1788) e The Wrongs of Woman, or Maria (1798).

Durante um tempo de sua vida adulta, trabalhou como professora particular na Irlanda. Porém, Mary estava insatisfeita com as opções de carreiras dada para as mulheres, que eram muito poucas na época. Por isso, depois de sua época como professora, passou a começar sua carreira como autora. O que era um risco, já que na época eram pouquíssimas mulheres que viviam de escrita. Além de escrever o próprio material, também traduzia textos em francês e alemão.

Apesar de pouco conhecida, hoje Mary Wollstonecraft é considerada uma das fundadoras do feminismo. Em 1787, ela já produzia textos falando sobre a posição da mulher na sociedade, a opressão estrutural sofrida por elas e suas origens. Sua obra Thoughts on the Education of Daughters é uma das primeiras obras da Europa que dá uma visão de como as mulheres eram vistas pela sociedade naquela época. No seu livro, ela defendia que as mulheres deviam ter a mesma educação que os homens, e não apenas que fossem ensinadas a serem donas de casa e esposas perfeitas para seus maridos.

No período em que morou na França, em 1790, ela leu uma das críticas à revolução, escrita por Edward Burke, conservador da época. O título do texto era Reflexões sobre a Revolução na França. Mary escreveu uma resposta, chamada A reivindicação dos direitos dos homens. Isso fez com que ela ficasse famosa e reconhecida.

A reivindicação dos direitos das mulheres (1792), sua obra mais famosa, é considerado um dos livros fundadores do feminismo. Nele, ela debatia o fato das mulheres serem impedidas de terem direitos básicos no século XVIII. Além disso, ela também criticava o fato das mulheres não poderem votar na época e também a igualdade no casamento, incluindo a relação de bens e divórcio. Mary focava na questão da educação, afirmando que uma das formas de acabar com essa desigualdade é um ensino igual para todos, que ensinassem a todos os gêneros a importância das tarefas domésticas

Ela também escreveu An historical and moral view of the french revolution (1794), Mary escreveu sobre o começo da revolução, mas sempre mostrando os fatos da perspectiva de pessoas comuns, que viviam o cotidiano comum da época, uma abordagem que não era muito vista. Mary morreu aos 38 anos de infeção pós-parto e, curiosidade, ela é mãe de Mary Shelley, que mais tarde escreveria Frankstein.

Mary escreveu cerca de 20 livros, entre eles, obras como romances e análises sobre feminismo, política e história. Pela cultura da sociedade de ignorar e menosprezar o trabalho de mulheres, apenas recentemente o trabalho de Mary Wollstonecraft ganhou mais destaque. A visão de que as mulheres são inferiores impede conhecimento e cultura de serem disseminados, soterra anos e anos de trabalho que são ignorados. Felizmente, hoje temos pessoas interessadas em resgatar isso e tornar essas questões mais igualitárias.