Semana passada, escrevi um texto baseado no artigo da Kotaku (e outras fontes) falando sobre a produção de Anthem e a exploração que estava acontecendo dentro da Bioware com os funcionários. No texto sobre Anthem, foi falado um pouco sobre Dragon Age 4, que não temos muitas informações sobre ainda.

Hoje, o jornalista da Kotaku, Jason Schreier, o mesmo que fez a matéria sobre Anthem, fez um texto falando sobre como anda a produção de Dragon Age 4, e eu não tinha como ignorar. Este é o texto original, que é interessante para quem lê bem em inglês saber de maiores detalhes.

Vale falar que este texto pode ser ruim para quem quer evitar qualquer spoiler da franquia, principalmente Dragon Age: Inquisition, então fica o aviso.

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Vamos começar falando do que sabíamos de Dragon Age 4 até antes deste texto, que não era muito. Nós tínhamos muitas suspeitas, inclusive eu comento sobre algumas delas em um dos vídeos do nosso canal, no final do ano passado. Era praticamente certo que o jogo se passaria em Tevinter, considerando as informações do final de Dragon Age: Inquisition. Em dezembro de 2018, a Bioware lançou um teaser, com uma imagem que remete ao Solas e também com a voz do personagem, inclusive o vídeo linkado nesse parágrafo é onde eu analiso esse teaser. Dado a revelação das intenções de Solas na DLC Trespasser, não é surpreendente que ele, e a temática da opressão dos elfos, fosse um dos pontos principais do próximo jogo.

Enquanto Schreier investigava o que tinha acontecido com a produção de Anthem, ele também juntou informações sobre o próximo jogo da Bioware, Dragon Age 4, que está sendo esperado desde 2014. Ao contrário de Mass Effect, a franquia Dragon Age estava em uma nota positiva até seu último título. Dragon Age: Inquisition foi um sucesso nas críticas, vendeu muito bem e foi eleito o jogo do ano em 2014. Além disso, com um fandom apaixonado, as expectativas para o próximo jogo existem desde que nós vimos o final de Inquisition.

Como eu escrevi no texto sobre Anthem, a produção de Dragon Age 4 teve que ser reiniciada e modificada por causa de Anthem, que estava passando por vários problemas de produção. Além disso, nomes clássicos da franquia, como David Gaider e Mike Laidlaw, saíram da empresa, o que deixou os fãs incertos sobre o futuro de Dragon Age. Eu não acredito que um jogo precisa ter a mesma produção durante toda a sua franquia, até porque existem inúmeros profissionais bons no mercado de games. Porém, no caso da Bioware, nós vimos que o problema vai muito além da equipe ser diferente.

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Mesmo com todos os pontos positivos de Dragon Age: Inquisition, o jogo teve muitos problemas durante a produção, explorando demais os funcionários da Bioware na época (também falo um pouco mais disso no texto da semana passada). Além disso, Dragon Age: Inqusition foi o primeiro jogo da Bioware usando a Frostbite, que trouxe vários problemas para os funcionários da empresa, além de propor um sistema online maior do que qualquer jogo da franquia até ali, o que também trouxe desafios para a produção.

Em 2015, enquanto a maioria dos funcionários ia para a produção de Mass Effect: Andromeda e Anthem, um novo projeto de Dragon Age 4 foi criado, com o codinome Joplin, liderado por Mark Darrah e Mike Laidlaw. No começo, tudo parecia bem e promissor. Apesar dos problemas com a Frostbite em Inquisition, o time pretendia usar muitas coisas já feitas do último jogo em Dragon Age 4 para facilitar o trabalho. Além disso, o time todo estava ciente de que eles não podiam ter uma produção que abusasse dos funcionários como foi o caso de Inquisition.

A ideia original era: Os jogadores fariam parte de um time de espiões em Tevinter, um dos países mais poderosos de Thedas, comandado pelos magos e que legaliza a escravidão, principalmente a dos elfos. O projeto era focado em escolhas e consequências, além ser um jogo mais focado, com áreas menores que o Inquisition e menos quests, porém mais específicas. A ideia era que o jogo tivesse tantas possibilidades e finais, que os jogadores iriam querer jogar mais de uma vez.

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Para todo o fã de Dragon Age, isso parece um sonho. Se eu pudesse fazer barulho quando li a matéria, eu teria gritado de felicidade. Nós esperamos há anos para ver Tevinter de perto, porque é um dos lugares mais polêmicos e complicados de Thedas, mas é um dos mais importantes para entender a história do continente. Para o ponto da história dos elfos, é um lugar bom para começar uma revolução que abale o status quo de Tevinter e toda Thedas. Sem contar que escolhas, consequências e finais alternativos é tudo que nós queremos dessa franquia. Um dos aspectos menos falados, de acordo com as entrevistas feitas pela Kotaku, era o fator online e multiplayer do projeto.

Já faz anos que a EA deixa óbvia a sua posição de não ter interesse em lançar jogos que não tenham um caráter online, por isso Dragon Age: Inquisition, Mass Effect: Andromeda e principalmente Anthem foram produções preocupadas com esse aspecto. O fato de Dragon Age 4, a princípio, não ter muito foco em multiplayer, dificultava a possibilidade de ser aprovado pela EA.

Em 2017, com os problemas na produção de Anthem ficando cada vez maiores, a Bioware cancelou Joplin e a equipe do projeto foi transferida para trabalhar em Anthem, por isso Mark Darrah acabou tendo uma responsabilidade tão grande quando estava mais investido na produção de Dragon Age 4 até o momento. Um novo projeto foi feito, com o codinome Morrison (quem é o fã de rock que tá dando esses nomes?), para a produção de Dragon Age 4, mas com algumas diferenças em relação ao primeiro. Morrison seria desenvolvido usando códigos de Anthem, sendo um projeto focado em um serviço online para ser jogado a longo prazo, como os jogos online tipo Anthem. Não dá para saber o quanto das ideias de Joplin seguiram para o novo projeto.

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Esse é talvez um dos grandes pesadelos do fandom de Dragon Age, que a franquia se torne um jogo majoritariamente online, deixando o RPG e as campanhas de história de lado. Porém, Morrison está muito mais alinhado ao tipo de jogo que a EA tem interesse. É preocupante, não só porque Dragon Age poderia seguir os mesmos passos de Anthem, como se afastaria do que os fãs esperam da franquia. Honestamente, atender todas as expectativas dos fãs é impossível, então é complicado falar sobre isso, mas Dragon Age é um jogo amado pela sua história, seus personagens, o seu estilo de campanha e por ser um jogo de RPG. Muito disso pode ser perdido com uma proposta online mais similar com Anthem.

Muitos fãs já se manifestaram quanto a questão de Dragon Age se tornar majoritariamente um jogo online. Na época em que as preocupações começaram, Casey Hudson tweetou sobre o assunto. De acordo com ele, o jogo teria foco em personagens e história, como é de costume de Dragon Age. Além disso, quando eles falam sobre o serviço online, seria apenas para conseguir criar um jogo que possa continuar sendo interessante e jogável depois que a história principal acabar. Se esse é mesmo o plano, não será um problema para o que o fandom espera de Dragon Age.

Não sabemos como a produção está hoje, mas se a EA e a Bioware forem espertas, elas vão aprender com os erros de Anthem e com as últimas produções de seus jogos. Não é interessante para ninguém um ambiente como o que existiu até agora, com os últimos resultados de seus jogos. De acordo com a matéria da Kotaku, houve rumores de que o novo Dragon Age seria “Anthem com dragões”, o que faz toda a célula do meu corpo gritar “Não!”. Porém, segundo os depoimentos dos funcionários da Bioware que estão trabalhando em Morrison atualmente, o cenário é mais feliz. Nas entrevistas, é falado que a parte online não é o que vai definir o novo Dragon Age, ou a franquia como um todo. O foco é que a história principal do jogo seja feita para ser jogada sozinha, como foram os outros jogos, e o fator online e multiplayer para manter os fãs engajados em Dragon Age 4 para conteúdo que for lançado posteriormente.

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A ideia de Dragon Age 4 ser um universo compartilhado não é a mais agradável, mas há outras sugestões que a matéria da Kotaku dá. Uma delas é que os companions, os personagens que andam com o protagonista, possam ser controlados por outras pessoas no multiplayer, algo que Baldur’s Gate, da própria Bioware, já tinha feito parecido. Outra suposição seria que algumas missões não mudariam só baseadas nas suas escolhas, mas nas escolhas gerais das inúmeras pessoas jogando aquele mesmo universo. Não é impossível fazer um Dragon Age 4 online que funcione de uma forma interessante, mas ainda vai deixar alguns fãs preocupados. O fator online não é em si um problema, mas sim que seja obrigatório ao ponto de ser inevitável, ou que dê vantagens injustas para os jogadores que resolverem ir por esse lado, como aconteceu em Mass Effect 3.

De qualquer forma, Dragon Age 4 está muito no começo e não temos ideia de quando a Bioware lançará algo oficial de novo, como fez no final do ano passado. O jogo ainda pode mudar muito, e as denuncias recentes feitas em relação à Bioware podem alterar o futuro do jogo também, além de que, se tudo der certo, mudará a forma com a qual a empresa produz seus jogos e trata seus funcionários. A resposta da Bioware ao artigo sobre Anthem não foi muito positiva, mas se eles pensarem apenas na questão de dinheiro, que é o que as empresas grandes costumam fazer, ainda é vantajoso considerar mudanças.

Eu vou continuar aqui de olho no que vai acontecer com Dragon Age 4 e com a Bioware. Eu não me importo de termos elementos novos na franquia, até um modo online mais trabalhado que use os acertos de Anthem, mas o que eu quero mesmo é que mantenham o foco que fez Dragon Age ser o que é: Histórias, personagens e escolhas. Nós queremos uma história que nos emocione, que nos dê personagens que vamos amar e odiar, queremos sentir a dor das escolhas e saber qual será o destino de Thedas depois que Fen’Harel resolveu dar uma volta por aí. Tudo vai depender de como a Bioware lidará com esse momento de instabilidade. Eu continuo torcendo pelo melhor.