RPG é um jogo, uma atividade lúdica, muito divertida, criativa e que pode abrir um mundo de possibilidades. Há inúmeros sistemas, tipos de jogos, mesas, jogadores e aventuras para todos os gostos, além de um mercado com várias opções.

Mas né, como tudo nessa vida, tem aquelas pessoas que fazem a gente pensar “tal coisa é legal, mas o fandom…”. Nos últimos três anos, minha experiência com RPG deu uma aumentada considerável, sendo que eu acabei me vendo em situações muito legais, outras nem tanto. Já vi e ouvi sobre casos também que provam que o meio do RPG ainda tem um bom caminho para andar. Inclusive já escrevi duas vezes para a Dragão Brasil sobre narrativas e mesas inclusivas.

Porém, essa postagem é apenas uma lista, não muito séria, de alguns tipos de jogadores que podem atrapalhar a dinâmica da mesa, além de irritar. Acho que vocês vão identificar situações em que já encontraram estes jogadores. Um dia, se vocês quiserem, posso fazer a lista de mestres também.

5. Jogador com síndrome de protagonista

Qual a parte do “RPG é um jogo coletivo” que essas pessoas não entenderam? Sim, eu sei que tem mestres que elegem protagonistas, eu particularmente não gosto disso, mas se todos estão de acordo, o combinado não é caro. O problema que falo aqui é daquele jogador que quer que tudo seja sobre a história dele, que acha que os outros jogadores são coadjuvantes da sua história, que quer os holofotes a todo o momento, inclusive às custas do planejamento do mestre. Isso sem contar as horas que esse jogador interfere e atrapalha momentos que não são focados nele.

Todo mundo quer se sentir importante no RPG, uma dinâmica de grupo precisa ser que nem aquelas animações de super-heróis: Sempre tem um episódio com foco de personagem específico. Então é normal que fiquemos empolgados pelo nosso momento de brilhar. Mas assim, o tempo todo é chato, bem chato. Parece aqueles adolescentes fominhas de jogo. Isso só faz com que os outros jogadores queiram se afastar, ou até larguem a mesa, por não se sentirem parte de algo que deveria ser coletivo.

4. Jogador que só quer saber do próprio personagem

Às vezes esse e o de síndrome do protagonista são a mesma pessoa, mas há diferenças. Este tipo de jogador não quer necessariamente que tudo seja sobre ele, não quer ser a estrela de toda a festa, mas ele também não ajuda. Porque se o momento da mesa não tiver relação com o personagem dele, ele só fica na dele esperando a hora chegar. Ele não está disposto a ajudar outros jogadores, participar da história de outros personagens ou aventuras que não sirvam para ele de alguma forma.

Esse tipo é particularmente mais irritante em RPG sem mestre. Quando há um mestre, às vezes esse jogador pode ser deixado na dele enquanto as outras pessoas se divertem. É chato, mas dependendo do caso, manejável. Agora quando é um estilo sem mestre, ou mais livre, um jogador que só se importa com a própria história pode dificultar muito o andar dos outros personagens, porque ele só quer aparecer quando é uma questão dele. Poxa, se quer jogar sozinho, RPG eletrônico tá aí.

3. Jogador que acha que é professor

Feliz é a mesa que não tem uma pessoa explicando tudo o tempo todo, ainda mais se essa pessoa for um homem dentro do padrão, que sempre acha que sabe de tudo mais do que os outros. Esse jogador começa a explicar sem ninguém ter nem perguntado. Pior, às vezes você comentou uma coisa não muito certa, e ele vem te dar uma longa aula sobre porque não é isso, explicando todos os aspectos que são desnecessários e ninguém perguntou, para provar seu conhecimento.

Isso é muito diferente daquela pessoa que de fato quer explicar e ajudar. Uma coisa é alguém ter dúvida, o jogador explicar o necessário, e a conversa continuar caso aja interesse ou necessidade. Esse jogador que se acha professor vai dar longas explicações, só para mostrar como ele sabe mais do que todo mundo, como ele estudou e é incrível. Eu já ouvi várias explicações de vários jogadores sobre dúvidas que tinha, sistemas que não conhecia e coisas que de fato perguntei. Isso é normal e até esperado em um RPG com pessoas de experiências diferentes. Agora ninguém acha divertido a grande aula para inflar ego o tempo todo, obrigada.

2. Jogador que não se informa

Ninguém nasceu sabendo, ninguém é expert e ninguém vai saber de tudo o tempo todo. Tem gente que precisa de ajuda com história, tem gente que se perde montando ficha (eu mesma, oi), tem gente que não conhece o sistema específico, que se engana nos dados… Tudo isso é tranquilo, e ai do mestre que te disser o contrário. O problema é aquele jogador que nem quer saber das coisas. Não acompanha o que acontece nas mesas, pergunta e não escuta, ou nem pergunta e só faz o que quer.

Às vezes acontece de um jogador já ter experiência com RPG, mas não com aquele sistema específico. Mas ele acha que manja mesmo assim, então não se informa das coisas e assume outras erradas no lugar. Isso pode criar várias situações não suportadas pela história criada pelo mestre. E tem também aquele comportamento mais simples de simplesmente não prestar atenção e atrapalhar todo o jogo por causa disso. A vida é difícil, ocupada e de fato às vezes a gente se perde, falta em mesa, não acompanha certas coisas e tudo isso é aceitável, nós perguntamos as coisas e tudo fica bem. O que é chato é quando a pessoa nem tenta fazer sua parte e atrapalha o andar do jogo.

1. Jogador que tudo é “Mas no livro…”

Essa talvez vocês não concordem comigo, mas vamos lá. Os sistemas possuem regras que fazem o jogo funcionar. Até aí, tudo bem. É legal que os jogadores saibam o básico, as regras mais importantes e o que constrói aquele mundo criado pelo jogo e o mestre. Mas há muitos sistemas com problemas (WoD eu tô olhando para você), com regras sem sentido e até formas confusas de estabelecer o que o jogador e mestre precisam fazer. Então as pessoas adaptam, mestres tiram certas regras, até consultando os jogadores, mudam certos pontos e o jogo segue, até melhor do que antes. Outras mudanças podem ser só de gosto. Tipo, no meu mundo, meio-elfo tem orelhas mais pontudas porque sim. Ninguém vai ser atrapalhado por isso.

Mas às vezes tem aquele jogador que vai ficar muito ofendido com isso, porque o que tá no livro é regra sagrada que não se mexe nunca. É óbvio que um jogador pode explicar, quando algo vai ser adaptado, porque ele prefere que siga a regra do livro. Todo mundo tem o direito de concordar com uma mudança ou não. O que é diferente da pessoa achar que nada no livro possa ser adaptado ou revisto, que a mesa não pode tomar liberdades nas histórias, montando algo que deixem todos mais felizes só porque “no livro não é assim”. O livro não vai morrer não, tá?