Eu já falei inúmeras vezes o quanto estou surpresa em ver um jogo que tinha tanto potencial dentro da franquia Assassin’s Creed. Desde o segundo jogo da franquia, nada parecia tão inovador e marcante, sendo que eu sou uma pessoa que acha o Syndicate bem divertido. Mas Assassin’s Creed: Odyssey não ficou só no potencial, foi um jogo muito surpreendente, mesmo antes de ser lançado.

A história da franquia em si ainda está ali, mas o que importa é: Odyssey mostra a história de Kassandra/Alexios enquanto descobrem segredos sobre sua família e um culto misterioso que tem afetado todo o mundo grego.

Este texto não tem spoilers do jogo.

Como esperado, o jogo tem vários elementos de RPG, começando pelo fato de que podemos escolher quem é o nosso personagem, não só a escolha entre Kassandra e Alexios, mas em termos de personalidade. Há algumas características muito do personagem mesmo. Eu joguei com a Kassandra, e mesmo que ela fosse mais misericordiosa e flertasse muito, por escolha minha, ela também tinha um lado sarcástico e engraçado que vinha do próprio jogo. Dá uma impressão boa de que ela não é só uma tábua vazia, e sim um personagem por si só. Por sinal, uma personagem ótima, um dos pontos altos de Assassin’s Creed: Odyssey é poder jogar com a Kassandra.

E sim, as decisões vão ser cobradas mais tarde. Além das pequenas escolhas nos arcos ao longo do jogo, também há aquelas decisões importantes, da história principal, que vão acabar afetando o seu final. Às vezes uma escolha se torna uma grande bola de neve que você não esperava, o que é bem divertido.

A história do próprio Assassin’s Creed se mantém, ir para o passado na mente de outra pessoa, relíquias misteriosas e até leve ligações com outros jogos. Mas, para a nossa felicidade, são detalhes (porque já deu nisso, né?). Acho que já estamos em um momento em que a Ubisoft precisa reinventar sua franquia. Ela começou isso com Origins e fez um ótimo trabalho em Odyssey.

O jogo tem três linhas de missões principais, de certa forma. A que tem a ver com a família de Kassandra/Alexios, que acaba sendo a de maior destaque, a do Culto do Cosmos e a relacionada ao futuro. Cada uma tem o seu próprio “final” (eu recomendo que deixe a do futuro por último, porque é o melhor final).

Além disso, o mundo grego é gigante. O mapa tem inúmeros países e ilhas para você desvendar, algumas que nunca vão envolver a missão principal, mas possui muito conteúdo interessante. Eu recomendo ir parando em toda ilha e país que for passando com o seu navio, para não correr o risco de não perder nada. Boa parte das missões secundárias são interessantes e adicionam ao universo. Tem aquelas só para matar e ganhar xp, que por mais que sejam mais do mesmo, fazem sentido estarem ali, considerando que seu personagem é um mercenário.

Eu não tive problemas em subir de nível, inclusive cheguei no máximo antes de terminar as missões principais. No entanto, sei que isso é porque eu procurei as missões secundárias. O andar normal do jogo, só com as missões principais, nem sempre é tão justo para subir de nível. O que faz com que certas missões secundárias acabem sendo necessárias. O problema é que, fora do arco principal, mais nada deve ser obrigatório. Muitos jogadores só querem jogar a história mais importante.

No entanto, eu recomendo que você explore o máximo que puder, porque além de cenários lindos, é um mundo muito rico, com muito personagens e histórias para ver. O arco das ilhas de prata, por exemplo, é muito interessante, mas não é essencial para o jogo. Há muitos países que podem ficar inexplorados, sem contar que muitos personagens importantes para a história dão missões secundárias que ampliam sua visão daquele mundo.

Os romances, apesar de divertidos, muitas vezes não tem profundidade. Alguns têm, o que torna a missão toda mais divertido, mas outros é só pegar o personagem e ir embora. Sim, você pode flertar com mais de uma pessoa e ainda recrutar alguns para o seu navio. Inclusive, há um sistema legal de batalha naval. Eu particularmente não me divirto tanto, porque sou péssima em controlar barcos, mas mesmo para mim não era tão complicado.

O jogo tenta mostrar espartanos e atenienses de várias formas, sem um grande certo ou errado, mas mostrando problemas e acertos de tudo. Sem contar que Assassin’s Creed: Odyssey busca misturar os eventos fantásticos com fatos que realmente aconteceram. Além dos personagens que são baseados em figuras históricas, como Heródoto, Péricles, Sócrates…

De vez em quando o jogo tem uns bugs chatos, mas nenhum deles realmente atrapalhou minha imersão no jogo. Um me fez ter que reiniciar o jogo, mas fora isso, consegui aproveitar bem. O menu também podia ser um pouco melhor, mas são detalhes perto desse jogo imenso e incrível que foi criado.

A história do jogo às vezes fica um pouco esquisita, mas no geral ela é interessante, com personagens com quem nos importamos e dá muita vontade de saber o que vai acontecer. Há inúmeros cultistas para caçar, e todo o mistério para descobrir quem é quem é bem divertido. Assassin’s Creed: Odyssey não tem muito medo de matar seus personagens preferidos, o que é dolorido considerando que vários deles de fato conquistam seu coração. Então estejam avisados de que esse jogo vai te causar alguns sentimentos aí.

Eu recomendo muito esse Assassin’s Creed: Odyssey, é um dos melhores da franquia e com certeza merece uma chance. A ação é divertida, o combate, os personagens, história, escolhas… Quero muito que lancem DLCs para eu poder voltar a jogar algo novo nesse universo, porque foi muito melhor do que o esperado.