Desde o primeiro filme de Star Wars a saga sempre foi centrada num grupo específicos de heróis formado por um tipo muito particular de pessoas: os escolhidos. Sejam eles escolhidos mágicos ou por realeza, a sensação de que é preciso ser alguém especial para vencer as forças do mau sempre esteve presente. Mas isso muda com a trilogia mais recente, e abre caminho para que a gente veja personagens que normalmente a saga nem mostraria. Personagens como Rose Tico.

Eu sei que Han Solo não era um escolhido mágico ou real, mas ele ainda assim figurava na liderança da luta, caminhando sempre com Leia ou Luke. Rose Tico não, ela é aquele tipo de personagem que ou a gente nem pensa, ou morre ao fundo sem destaque quando uma nave explode.

Rose é a mecânica que mantem a Aliança Rebelde funcionando, é graças a personagens como ela que os X-wing conseguem estar prontos para a batalha, graças a personagens como ela que os rebeldes se mantêm funcionando, alimentados e muito provavelmente limpos. Personagens que passam por baixo do radar de quem está sempre centrado nos escolhidos.

Star Wars é a história de um grupo de pessoas lutando para salvar a galáxia de um exército imperialista malvado. E a presença de Rose Tico nos protagonistas da nova trilogia nos lembra que a Aliança Rebelde sempre foi muito mais do que cabia na cabine da Millennium Falcon.

Rose Tico é o coração de Star Wars, porque sem ela para bombear força e poder para Rey, Leia, Finn, Poe e cia a Aliança Rebelde nem existiria. Mas ela é mais do que isso. Ela é uma nova geração de combatentes que não só encontrou esperança, mas que passa ela a diante.

Quando Rose e Finn estão em Canto Bight (uma sequência por muito odiadas, mas que é crucial para a temática do filme) ela se reconhece nas crianças trabalhando nos estábulos. Ela sabe que é lá que ela vai conseguir ajuda e é através deles que ela vai manter a esperança acesa. É ao mesmo tempo bonito e trágico. Porque enquanto lá em cima os ricos se embebedam em ganância, riqueza e privilégio, depende dos nada privilegiados manter a chama de uma batalha acesa. Lembra um pouco 2019, né?

Neste May the 4th eu queria trazer essa história, essa visão sobre Rose Tico. Quem ela é, quem ela representa e como ela sempre esteve presente nessas histórias – mesmo que até então a gente não a tenha visto.

Ao invés de odiar uma personagem que carrega consigo os mais de 40 anos de Star Wars e da Aliança Rebelde, que tal ver Rose Tico como uma homenagem à esses personagens que sem nome ou tempo de tela ou se quer existência, carregam essa batalha há tanto tempo. Nem todo mundo pode ter poderes mágicos, título de nobreza ou uma Millennium Falcon, mas isso não quer dizer que essas pessoas não sejam importantes.

Mas eu vou ainda mais longe, Rose Tico é também a representação de fãs como eu, você e todos aqueles que anonimamente mantêm essa franquia viva. Nós acreditamos em algo, amamos aquilo e continuamos aqui. Assistindo, lendo e consumindo tudo aquilo que mantém esse sonho mágico de uma space opera como Star Wars. No fim nós, os fãs desconhecidos, somos como Rose Tico.

Até mais! 😉