Rogue One é um filme que marcou a maioria do fandom de Star Wars. Muitos dizem que é o melhor de toda a franquia, o que não é absurdo, considerando a qualidade que tinha. Comandados por Jyn Erso, um grupo de rebeldes está em uma missão para roubar dados da Estrela da Morte, assim poderão enviá-los para a resistência e dar para a galáxia uma chance contra o Império.

É sim um ótimo filme, mas também tem um ótimo ship. Tudo bem, Jyn e Cassian tem toda uma questão acontecendo ali, mas não foi esse ship que acertou o meu coração, e sim Baze e Chirrut, que fazem parte do grupo de rebeldes.

Como sempre, esse texto possui spoilers do filme.

Os dois aparecem em cena pela primeira vez como protetores do templo Jedi em Jedha. Os dois formam uma dupla com uma dinâmica muito incrível. Chirrut vai para qualquer lugar que a Força o leva. Ele acredita muito em tudo que envolve a Força, e graças a ela consegue fazer coisas incríveis, com habilidades impressionantes. Junto com ele, temos Baze, que acaba seguindo a Força só porque Chirrut a segue. Ele não acredita tanto quanto o companheiro, mas acredita nele o suficiente para largar tudo para trás e proteger Chirrut a qualquer custo. Não que este precise, mas caso as coisas fiquem complicadas, ele tem inúmeras armas de fogo nas quais ele definitivamente confia para terminar o serviço.

Por mais que esteja tudo ali na tela, e se fosse um homem e uma mulher certamente seriam um casal, nunca foi confirmado de fato que o ship é canon. Em todas as descrições dos personagens, eles são tratados como melhores amigos e fiéis companheiros. Bem, dá para ser tudo isso e namorados também, né? Desculpa Star Wars, mas o fandom adotou esse ship e não há nada que possa ser feito.

Além de serem dois caras, uma das coisas que eu particularmente mais gosto nesse ship é como eles são diferentes. Eles lutam pelo mesmo ideal em que acreditam, mas com métodos completamente diferentes de agir e encarar as coisas. Chirrut é um homem muito guiado pela sua fé, o que inclusive rende uma das cenas mais lindas do filme todo. Baze reclama com frequência das situações em que é colocado por causa da Força, mas ele confia em Chirrut o suficiente para acompanhá-lo, mesmo que acredite mais em suas armas. Essa parceria também aparece de forma bem óbvia na dinâmica que os dois têm para lutar. Eles são complementares e juntos formam um time bem difícil de derrotar.

Rogue One é um filme todo feito para os fãs se afogarem em lágrimas. Ninguém sobrevive, e você vai assistir sabendo disso. No entanto, não foi o sacrifício final de Jyn e Cassian que mais me comoveu, ou rever a Princesa Leia nova, cheia de esperança, conseguindo as informações sobre a Estrela da Morte. O que acabou comigo foram os momentos finais desse ship, que infelizmente não possuem a chance de ter o seu felizes para sempre.

Chirrut se sacrifica pelo grupo, recitando sua famosa frase “I’m one with the Force, the Force is with me” (pausa pra shipmancer segurar o choro). Ele morre nos braços de Baze, que logo em seguida vai na direção dos inimigos, atacando todos e comprando tempo para que Jyn consiga terminar sua missão. Mas Baze, que nunca acreditou na Força até o momento, ou pelo menos que nunca deu muita bola, começa a recitar a mesma frase que guiou Chirrut o episódio inteiro.

Eu sei, casal com dois homens morrendo é um tropo comum. Para quem não está familiarizado, existe um tropo na ficção chamado “Enterre os seus gays” que faz basicamente isso, mata os personagens LGBT+ da trama, ou um dos integrantes do casal como punição para os dois, afinal personagens LGBT+ não podem ser felizes (/sarcasmo). E de certa forma, esse ship não escapou desse tropo. Mas também não é como se Star Wars tivesse confirmado, nem negado, que eles são um casal. Bem que podiam ser mais óbvios da próxima vez, né? A gente shipa, mas representatividade é sempre bom.