Vocês têm noção de quantos acesso o primeiro texto sobre esse ship teve? Um monte! Tantas que eu resolvi voltar a falar deles hoje. Caso você não tenha visto, eu sugiro que leia antes de ler esse aqui.

Como sempre, esse texto terá spoilers de La Casa de Papel.

Eu já expressei em vários lugares desse site o meu desgosto pela segunda temporada da série. E se eu tivesse que pontuar uma das coisas que eu menos gostei, esse ship seria um deles. Desculpa quem gosta, eu sei que têm vários fãs, mas eu realmente não consigo entrar na onda, principalmente se tratando do arco da Monica.

Como eu falei no primeiro texto, a relação já era esquisita. Tirando o fato óbvio de Denver ter assaltado e mantido reféns no banco que Monica trabalha, incluindo a própria, outros fatores não me faziam gostar do ship. Ele a influencia a não abortar porque “é errado”, ignorando as vontades dela. Denver dá um tiro nela e, apesar de ajudar, cria-se toda uma situação de síndrome de Estocolmo.

Eu acreditei que a série falaria sobre isso. De uma forma eles falam, mas como mencionei no meu vídeo sobre La Casa de Papel, não da maneira uma maneira boa. Nairóbi grita para Denver tudo que nós estávamos pensando, que o “romance” entre ele e Monica se dá pela síndrome do Estocolmo. Denver fica visivelmente abalado e fala para Monica que eles não podem mais ficar juntos.

O problema aqui é que a série age como se isso fosse um impedimento, um obstáculo ruim a ser superado pelo casal. Um vilão que os bonzinhos vão derrotar para ficarem juntos. Nós vemos a dor de Denver e como, depois, Monica luta para ficar com ele de novo. Ela até estraga o plano de fuga de alguns reféns e é colocada na posição de “um dos assaltantes”.

Não satisfeita, a série além de colocar Monica para “mudar de lado”, mesmo depois de tudo que ela passou, inclusive uma tentativa de homicídio, eles brincam com o nome dela. Todos os assaltantes possuem nome de cidade, e ela vira a Estocolmo. Porque além da série admitir que “sim, sabemos que é síndrome de Estocolmo”, a relação vira piada.

Para a felicidade de quem shipa, e para me fazer conhecer melhor meu cérebro por causa da virada de olho que eu dei, eles ficam juntos no final. Monica escapa da casa da moeda com Denver e, ao que tudo indica, foram dividir a fortuna em algum lugar do mundo.

Fim.

A síndrome de Estocolmo, como o nome indica, foi falada pela primeira vez na Suécia. Há mais de 40 anos, um assalto fez com que criminosos e reféns convivessem por seis dias, fazendo com que eles criassem laços afetivos uns com os outros. A partir daí, a síndrome começou a ser estudada e falada.

Poderia ter sido interessante se a série tivesse se proposto a falar disso de forma mais aprofundada, eu achei que isso ia começar a acontecer com a Nairóbi. É uma coisa possível de acontecer numa situação real, tanto que já aconteceu, então como é uma série de assalto, faria sentido eles terem essa discussão na série. Mas qualquer complexidade é deixada de lado para romantizar algo que nem faz muito sentido se você para e avalia.

A impressão que dá é que Monica estava passando pelas piores no quesito de interesse romântico, o que é verdade, e Denver apareceu. Porque ele “de fato” se importava com ela, olha como ele a impede de cometer um erro (aka aborto, que ela queria fazer, filho de um homem que ela não gostava, é o corpo dela…), olha como ele a salva de Berlim, só atirando em sua perna… Tipo, que?

Eu entendo o apelo. Casais improváveis são bem legais, inclusive quando eles começam de lados diferentes da luta. Começar com o pé esquerdo não significa necessariamente que o casal tem uma construção fraca e passa uma mensagem esquisita. Mas já estamos em 2018 e acho que sabemos que não dá para sair brincando com síndrome de Estocolmo dessa forma.