Sense8 acabou! Depois de ser cancelada, com duas temporadas e um especial de natal, a Netflix lançou um último episódio para amarrar as pontas (ou tentar) da história principal e também para dar uma conclusão aos arcos de personagens. Apesar de ter um roteiro cheio de furos, Sense8 conquistou os fãs, a maioria deles brasileiros, pelos personagens queridos que foram mostrados ao longo da série.

Hoje vamos falar de um dos ships mais lindos de Sense8, se não for um dos mais bonitos da Netflix. Como vocês já sabem, esse texto terá spoiler de todos os episódios de Sense8.

Se hoje nós já temos pouquíssimos personagens trans na televisão, há 3 anos atrás os números eram ainda menores. Foi uma felicidade quando todos percebemos que a Nomi era uma mulher trans. Infelizmente, ela vem de uma família que não a aceita, com a exceção de sua irmã. A mãe de Nomi insiste em chamá-la pelo nome de nascença e desrespeita sua identidade de gênero.

Ela não é a única. Durante a primeira temporada, em um espaço para pessoas LGBT+, vemos uma mulher desrespeitando Nomi, como se ela não fosse uma mulher de verdade por ser trans. Nomi é defendida por Amanita, o que já mostra de cara o companheirismo e união que as duas têm, mas eu já volto para a Amanita.

Nomi é uma hacker, portanto acaba sendo uma das personagens com mais destaque nas tramas da série. Em todas as missões, ela tem um papel importante e se destaca como uma das principais dentro do núcleo dos oito.

Amanita é uma mulher negra que cresceu com uma mãe e três pais, um lar saudável e poliamoroso. Ela sempre está do lado de Nomi, ajuda da forma que pode e inclusive vai ao seu resgate quando as coisas ficam feias para a namorada. Por mais que seja uma coadjuvante, Amanita tem bastante chance de aparecer e fazer sua personagem brilhar, tanto que é uma das mais populares entre os fãs.

Mais para o final da série, Nomi e Amanita ficam noivas e se casam. Inclusive o casamento das duas é o ponto alto do season finale. Quando tudo está bem, e elas não poderiam estar mais felizes, elas compartilham uma das cenas mais bonitas do seriado. Esses momentos geralmente ficam para o casal composto por um homem e uma mulher cis padrão, ambos héteros. Mas em Sense8 foi de uma mulher trans e uma mulher negra. Sem contar que, às vezes outras histórias até teriam essas personagens, mas as fariam sofrer, perderem alguém e o casal teria um final ruim. É uma constante que os poucos personagens LGBTQ+ na mídia tenham finais trágicos.

É interessante também que, apesar da família da Nomi não aceitar o fato dela ser trans, os pais da Amanita são receptivos e prontos para aceitá-la na família. É bom mostrar como as famílias podem ser preconceituosas, mas também é legal mostrar outras que de fato aceitam as pessoas. Infelizmente não são maioria, mas existem e dá um suspiro para uma história que poderia ser só tragédia, que vemos o tempo todo.

Ainda para melhorar, no final, a mãe de Nomi finalmente a chama pelo nome correto e aceita tudo o que aconteceu. Eu sei que Nomi não precisa da aprovação dela para nada, mas ter o apoio dos pais faz toda a diferença, e isso obviamente era algo que Nomi queria. Sim, eu concordo que foi um tanto quanto repentino. Imagino que a terceira temporada, que nunca existiu, teria abordado esse assunto melhor, fazendo uma mudança mais gradual. Mas quem sabe. Talvez ali, vendo a filha feliz e casando, a mãe tenha se tocado de que não faz sentido continuar mantendo suas ideias conservadoras.

Achei ótimo o final delas, a aceitação da família e delas serem uma forma de casal que simboliza a série. É bom que tenhamos ships foram do padrão que se destaquem, porque todos merecem amar e ter um final feliz.