Nesta segunda, dia 7 de janeiro, a Blizzard lançou um conto de Overwatch chamado Bastet, escrito por Michael Chu. A história conta sobre como Ana e o Soldado 76 se reencontraram, depois que os dois, assim como Gabriel Reyes, foram dados como mortos.

O conto é muito bom, dá uma profundidade a mais para os dois personagens, mostra como eles se sentiram com tudo que aconteceu com a Overwatch. Inclusive, Blizzard, pode fazer mais contos assim, nós vamos gostar bastante, obrigada. Mas Bastet está sendo alvo de polêmica por outra questão.

Apesar da história ficar mais no ponto de vista de Ana, existe uma revelação sobre a vida de Soldado 76. Enquanto os dois olham algumas fotos antigas, eles encontram uma de Jack, o Soldado, e seu ex-namorado, Vincent. Na história, ficamos sabendo como esse ainda é um assunto delicado para Jack, já que ele teve que deixar a relação de Vincent para trás para seguir sua missão com a Overwatch.

Essa não é a primeira vez que a Blizzard confirma um de seus personagens do jogo como LGBT+. Nas histórias em quadrinhos, vimos Tracer com sua namorada e a Blizzard confirmou que Tracer é lésbica. Depois do lançamento de Bastet, que já mostrava Soldado 76 como LGBT+, o escritor Michael Chu confirmou que ele é gay.

Obrigado por todas as mensagens sobre Bastet!

Jack e Vincent estavam em um relacionamento romântico muitos anos atrás. Ambos se identificam como gay.

Mas, assim como na época do quadrinho em que mostrava a namorada da Tracer, muitos fãs ainda tiveram dificuldade ao receber essa notícia. Alguns dos comentários foram:


Já perceberam como alguns dos “melhores” comentários começam com “Nada contra”? Enfim, nada indica que Jack ser gay era uma “gambiarra”. Há várias coisas que não sabemos sobre os personagens que são revelados aos poucos. Quando revelam informações sobre o passado de um personagem que não tem relação com sexualidade, nunca reclamam de não ser algo que não estava “desde o começo”. Até porque se não, nunca teríamos personagens novos. Mas, como estamos falando de um personagem gay, de repente vira “gambiarra”

Vamos supor que a pessoa não tinha visto o tweet de Michael Chu, ou comentou isso antes. Não tem nada de sugestivo no conto, está bem óbvio, se fosse um homem e uma mulher, ninguém hesitaria em dizer que eles eram um casal. Só porque não mostrou os dois se beijando, não significa que é menos um relacionamento.

Quantas vezes ainda teremos que dizer que diversidade não é o que faz as vendas caírem? Já houve essa discussão dentro do mercado da Marvel. O interessante é que nunca mostra-se nenhum dado que diga que “esse público” não consome.

Achei interessante trazer esse comentário para expor a diferença entre os dois. A J.K. Rowling coloca uma suposta diversidade em seus personagens, depois de anos que a obra foi encerrada. Em sete livros, ela nunca explora a sexualidade de Dumbledore, por exemplo. E nem depois, quando existe uma chance de mostrar que o personagem é LGBT+ com a nova franquia, a sexualidade de Dumbledore continua apenas nas declarações da autora nas redes sociais.

Não tem problema ela adicionar a diversidade depois, mas a J.K. Rowling age como se sempre tivesse pensado nos seus personagens assim. E se é o caso, faz um péssimo trabalho em representar esses pontos. A Blizzard, por outro lado, coloca a diversidade dos personagens em material canon. Os contos, quadrinhos e vídeos são tão canon quanto o jogo. Overwatch não é um jogo com uma longa campanha de história, do game em si mal temos informação sobre qualquer coisa dos personagens além de suas habilidades. Qualquer assunto sobre história do universo fica para as outras mídias.

Sem contar que, considerando que é um jogo online, o lançamento de novidades e informações de Overwatch se dá de outra forma. Não é só a diversidade que vai aparecendo aos poucos, são todas as informações narrativas do universo do jogo, por causa do tipo de game que Overwatch é. Portanto, são situações diferentes.

Pessoas LGBT+ estão em todos os lugares, você querendo ou não, então nada mais justo do que elas estarem representadas em todas as mídias.

Adicionar diversidade em uma obra de ficção pouco tem a ver com “enfeitar”, essa é uma visão muito rasa de criar uma narrativa. Um jogo ser um sucesso tem a ver com uma série de fatores.

Agora, eu acho interessante a pessoa em questão trazer o caso da Rockstar, uma empresa que se meteu em problemas por questões trabalhistas, explorando seus funcionários e vários depoimentos de pessoas que trabalhavam lá, falando das péssimas condições de trabalho. Mostra onde estão as prioridades, não é mesmo?

Em tempo, acho muito bacana que Soldado 76, um personagem popular, central para a história de Overwatch e que em muitos momentos era o grande estereótipo do “machão americano” é um personagem LGBT+. Isso é uma representação que ajuda a mostrar como não há uma “forma de ser gay” como muitos ainda pensam.

E honestamente? Isso em nada vai mudar o seu jogo, a jogabilidade do personagem ou qualquer coisa. Tudo será como antes. Para o gamer dentro do padrão, a vida continua, mas para quem tem pouca representação, esses momentos são importantes.