É um mix de alegria, aquele choro no canto do olho, o coração palpitando e o hype explodindo no peito e me jogando contra a parede do outro lado da sala. É ao mesmo tempo muito maravilhoso estar aqui pra ver o trailer da Capitã Marvel, e ao mesmo tempo uma tristezinha pela Rebeca de 10 anos que não vivenciou isso lá naquela época – mas que está recebendo justiça hoje.

E a gente ainda tem tanto, mas tanto chão pra cobrir no que tange representação feminina dentro dos filmes de super-herói. Duas super-heroínas brancas e dentro dos padrões nem de perto abrangem a maravilhosa diversidade de mulheres que existem no mundo, e a gente não devia passar por esse tipo de escada onde primeiro estão os personagens brancos e só depois os de outras etnias.

Mas eu estou me dando o dia de hoje pra comemorar e explodir com a maravilhosidade que é o trailer de Capitã Marvel.

Até alguns meses atrás, quando me perguntavam o que eu esperada de Capitã Marvel, eu respondia: “Ah, eu tô animada. Mas não quero deixar as minhas expectativas lá em cima. A Marvel já tá dez anos atrasada numa protagonista feminina, e já adiou a Capitã duas vezes. Vamos ver.” Aí veio Guerra Infinita e eu sai do cinema:

Eu nem sempre gostei da Carol Denvers. Durante boa parte da minha vida nerd eu a conhecia como “aquela mina de quem a Vampira pegou os poderes, que ficou na cabeça dela todos aqueles anos”. Isso quer dizer muita coisa, inclusive, sobre o tratamento da Carol como personagem dentro do universo da Marvel.

Mas aí veio Kelly Sue DeCornick. Carol virou a Capitã Marvel mais ou menos na mesma época em que a Thor me fez voltar a ler quadrinhos, e eu também engatei na leitura dela. E acabei descobrindo que apesar de ter um passado de tratamentos péssimos pela Marvel, a Carol pode ser uma personagem muito interessante.

Mas tem tanto a se falar sobre o trailer, porque uma das coisas que mais me deixou animada nas fotos, e agora no trailer, é vê-la como piloto de caças. Top Gun – Ases Indomáveis é um filme sobre um homem chato em que todo mundo diz que ele é incrível, é uma grande massagem de ego masculina. Mas eu adorava esse filme quando era criança, porque tinha ação, e caças e YEY! Então ver a Carol e a Maria dentro dos caças foi MAIS QUE BACANA.

Claro que o filme vai ter humor, e eu imagino que a cena da Capitã socando uma velhinha seja usada dentro dessa chave. Talvez com um tom entre o Thor sem saber como o mundo humano funciona, e a cena em Hot Fuzz – Chumbo Grosso, onde o protagonista acerta uma voadora numa velhinha do mal que tá com uma shotgun. Não sei, mas achei interessante.

Que o filme se passa na década de 90, todo mundo já sabia. Mas o que eu não sabia é que a história de origem da capitã ia ser também uma história de perda de memória. Isso abre portas pra tanta teoria, tanta possibilidade. Será que ela foi abduzida, será que ela foi salva pelos Skrulls, será que as cenas dela como piloto se passam na década de 80, ou será que é um mix de futuro e passado e presente e EU NAO SEI E NAO ESTOU SABENDO LIDAR OBRIGADA.

Mas o que eu espero, de verdade, é que esse filme seja o começo, mesmo que tardio, de um caminho longo e cheio de possibilidades pra Marvel no que tange diversidade e representação. Porque a gente sabe que eles fazem bons filmes, mas ainda está começando a entender que nem só de homens brancos vivem as bilheterias.

E eu me apaixonei mesmo por três imagens dentro desse trailler. Quatro, na verdade.

Ver a Carol caindo, mas se levantando, tantas vezes na vida me ajuda a ganhar fôlego pra continuar caminhando e lutando, e criando e questionando e eu espero que o filme também me dê esse tipo de fôlego. Porque a gente cai, mas também se levanta e segue em frente.

Não teve como tremer e segurar a emoção nessa hora:

E cara, eu não sei se eu um dia vou me acostumar com mulher sendo apresentada em filme de ação como a toda poderosa fodona dona da porra toda. Talvez eu passe o resto dos meus dias me arrepiando com vir algo assim:

Até mais, vou ali descansar o coração.