Pillars of Eternity é um jogo de RPG, lançado pela Obsidian em 2015. Ele foi financiado pelo Kickstarter e foi um grande sucesso. O RPG é muito baseado no estilo tático e clássico de RPG eletrônico, como o próprio Baldur’s Gate. Recentemente, tive a chance de jogar o primeiro jogo da franquia e me deparei com um ótimo RPG, que com certeza vai deixar os fãs do gênero felizes.

Por conta disso, vou listar aqui alguns aspectos do jogo que me chamaram a atenção e podem servir de motivo para você apostar em Pillars of Eternity. Em resumo, a aventura do protagonista começa quando ele está se mudando para Dyrwood com uma caravana de aventureiros. No meio da viagem, um acidente faz com que o personagem comece a ter memórias de suas vidas passadas e comece a conseguir se comunicar com as almas do mundo, virando um Watcher. Agora o protagonista precisa encontrar o responsável por essa mudança em sua vida enquanto se vê no meio de vários problemas que estão afetando o país.

Este texto não tem spoilers de Pillars of Eternity.

 

  • História bem construída

Pillars of Eternity

Pelo estilo de Pillars of Eternity remeter muito a outros RPGs eletrônicos clássicos, eu esperei algo parecido da história. Que você fosse um grande herói, uma última esperança para impedir a destruição do mundo. E com certeza essa é uma forma de enxergar o arco principal do jogo, mas felizmente a história de Pillars of Eternity vai além disso.

A história de descoberta do mundo, do protagonista entender quem é o vilão e o que ele deve fazer, se mistura com a história de auto conhecimento, do protagonista entender e lidar com as memórias de sua vida passada. Além disso, é em parte uma corrida contra o tempo, porque o protagonista saber que ele pode se perder nas memórias do passado e deixar de ser uma pessoa funcional. Por mais que as duas decisões definam um mundo ao seu redor, e algumas pessoas reconheçam o protagonista como um herói, ele também é uma pessoa que em parte estava no lugar errado na hora errada.

A história de Pillars of Eternity é mais do que uma luta contra o bem e o mal, o protagonista conhece vários personagens e versões das coisas que estão acontecendo. A medida que jogamos, vamos entendendo a história dos Watcher, da animância (magia que estuda os espíritos) e também qual é a influência dos deuses em toda a questão. As revelações mais no final do jogo vão quebrando várias expectativas, que faz com que Pillars of Eternity não se sustente em cima de clichês. Quando mais chegamos perto do final, mais queremos saber o que vai acontecer.

  • Personagens divertidos

Buy Pillars of Eternity: The White March Part I - Microsoft Store en-CA

Uma das coisas que mais atrai fãs em um RPG são os personagens ao redor do protagonista, ainda mais quando eles podem fazer parte da sua equipe. Os personagens de Pillars of Eternity são bem diversos, não só os que acompanham o protagonista, mas também os coadjuvantes que aparecem na história em momentos específicos. Uma das melhores personagens, Iovara, aparece bem pouco, mas é o suficiente para estabelecer o seu espaço na história.

Os companions são bem diferentes, até porque cada um é de uma classe específica para ajudar no combate, como a paladina Pallegina, o mago Aloth, o guerreiro Éder e a patrulheira Sagani. Cada um tem a sua própria missão, que faz com que conheçamos mais sobre os personagens, e eles são diretamente afetados pelos acontecimentos da história principal, o que torna o desenvolvimento deles muito mais orgânico.

Os personagens têm os seus próprios gostos, objetivos e históricos, que vão ajudando a compor o universo do jogo. Às vezes, os personagens não concordam, então vemos Pallegina e Durance brigando com alguma frequência (e eu sempre estou do lado da Pallegina, no caso). Mas é interessante ter esses diferentes pontos de vistas e ver esses personagens evoluindo. Isso inclui os personagens da DLC. O arco específico de Aloth tem bastante relação com a história geral do jogo e mostra mudanças no personagem que são bem interessantes.

  • Mundo imersivo

ArtStation - Pillars of Eternity Environment Art, Sean Dunny

Talvez o meu aspecto favorito de Pillars of Eternity seja a construção de mundo. No primeiro jogo, nós vemos apenas uma parte do mundo de Eora, mas é o suficiente para perceber o quão amplo é esse universo, o que torna a jornada muito mais interessante. Eu particularmente gosto do conceito da Roda, que é um dos fatores mais importantes de Eora: As almas fazem parte de uma grande Roda, uma vez que morrem, são reencarnados em outra vida. Os diferentes deuses também afetam diretamente na vida dos personagens.

Pillars of Eternity é aquele tipo de RPG que te faz realmente querer explorar e descobrir mais sobre o mundo em que o protagonista se encontra. Por mais que existam informações que não são relevantes para a história principal, é interessante como a narrativa do jogo amarra vários elementos em informações que realmente fazem a diferença para o personagem. Uma das características que mostra isso é o Lore, que com pontuação alta na ficha pode facilitar alguns diálogos para o personagem, mesmo que seja possível passar sem ele.

Pillars of Eternity também não tem medo de se reconstruir. Várias revelações ao longo do jogo mudam e subvertem alguns dos pilares estabelecidos no universo do jogo antes. Não de maneira contraditória, mas usando o fato de que às vezes não sabemos tudo, às vezes certas informações são mentiras e pontos de vistas nem sempre condizem com a realidade, o que torna toda a experiência mais interessante.

  • Muitas missões

Kraken - Official Pillars of Eternity Wiki

Incluir várias missões em um RPG, além das missões principais, é uma ótima forma de expandir o universo do jogo e fazer o jogador se sentir mais imerso naquela aventura. Nem sempre a história principal vai dar conta de mostrar toda a construção de universo, e tudo bem, às vezes é até melhor, porque construir um mundo inteiro fantástico envolve muitas coisas que nem sempre vão caber no holofote principal.

Pillars of Eternity espalha inúmeras missões secundárias em várias partes do jogo. Às vezes, missões secundárias podem parecer desnecessárias e chatas, mas muitas das missões nesse jogo parecem adicionar mais coisas interessantes na narrativa. Você sente vontade de ajudar, ou pelo menos conseguir dinheiro, daqueles NPCs. Sem contar que, pelo mundo ser interessante, você tem vontade de ir descobrindo coisas novas antes de se focar na missão principal.

Também tem o fator de subir de nível e ganhar mais experiência, que sempre influencia a decisão dos jogadores de RPG em aceitar essas missões secundárias ou não. Mas quanto mais atrativas são essas missões, melhor fica a imersão do jogo e isso é algo que Pillars of Eternity sabe fazer bem.

  • Customizações gerais

Pillars of Eternity review | PC Gamer

Como todo o bom RPG, customização é uma das partes mais importantes. Quando eu falo de customização, também gosto de incluir aqui questões que não sejam puramente mecânicas, afinal de contas todas as escolhas que afetam o jogo não deixam de ser uma forma de moldar a aventura do jeito que o jogador prefere.

Além de muitas opções de raças e classes, inclusive algumas que não são tão clássicas em outros RPGs (como a raça Orlans e a classe Cipher), há inúmeras composições de equipe para moldar o seu estilo de jogo. Também há muitas opções de itens, e formas de customizá-los e construir coisas novas a partir disso. As escolhas de raça e classe não afetam apenas a mecânica de luta em si, mas pode ter dar opções em diálogos ou de passar por certos obstáculos de maneiras diferentes.

Por mais que a distribuição de atributos do personagem seja permanente, há algumas características que podem ser aumentadas ao longo do jogo, sem contar os itens que podem aumentar temporariamente os atributos. E também tem a customização do seu forte, que pode te dar algumas vantagens convenientes ao longo do jogo.

 

Pillars of Eternity está disponível para PS4, XBOX One, PC e Nintendo Switch.

 

Sobre o Autor

Escritora, roteirista, poledancer nas horas vagas. Determination ♡

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