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— Lembrando — a voz de Ingrid dizia. — Você tem quatro horas para voltar. Caso não consiga, os sentinelas entrarão no Sonhar para lhe tirar de lá. Quando você voltar, teremos que nos certificar de que você não contraiu a doença do pesadelo. Alguma dúvida?

Luci estava no automático, não sabia o que era mais alto: a voz séria de Ingrid ou as batidas do próprio coração. Obviamente, não tinha dormido bem como gostaria, não só pelo nervosismo mas pelo turbilhão de pensamentos que povoara sua mente naquela noite, sem contar as memórias da visita de Camaleão. Mas só tinha a opção de assentir e tentar fingir que estava tudo bem.

Ingrid a levou até o observatório, onde estavam todos os outros sentinelas. Era uma sala oval, com inúmeras portas que não ficavam fixadas nas paredes, do mesmo tom claro que a torre tinha por fora. Na sala também havia uma grande janela, com uma vista incrível para o Ninho. Luci estava com medo de notarem que ela tremia. Sentia o olhar de todos os sentinelas, que não eram tantos, mas eram mais do que ela queria que estivessem ali. Queria desvendar o que eles estavam imaginando: se estavam torcendo para ela conseguir, com medo de uma possível falha ou apenas a comparando com Sofia. Luci poderia apostar que a irmã havia entrado no observatório com uma pose diferente: queixo erguido, certa do que estava fazendo, a figura perfeita da Guardiã.

Mas Luci não era assim. Ombros encolhidos, olhar baixo e não vendo a hora de aquilo acabar. Ela conseguiu identificar alguns olhares tortos, de rabo de olho. Estava acostumada com aquilo, ela não era o que imaginavam da irmã da Guardiã Sofia, menos ainda da neta da Guardiã Carmela. Bom, era o que tinha para hoje.

Ingrid, que tinha acompanhado Luci até ali desde seu quarto, olhou para os lados e franziu o cenho, procurando por alguém que não estava no observatório.

— Onde está a Senhora da Superfície?

— Não sabemos — respondeu um dos sentinelas da ponta, se aproximando. — Não deveríamos começar o quanto antes?

— Sem ela?

— O teste precisa começar.

Luci conhecia aquela voz e sentiu um arrepio na espinha quando ligou os pontos. Ela se virou para trás – havia entrado no observatório querendo tanto se esconder de tudo que não vira Maurício ali.

— Mestre Maurício! Que bom que já está aqui.

— Não gostaria de atrasar o teste. — Ele andou na direção das duas. — Deveríamos começar o mais rápido o possível.

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