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A existência do Congresso era uma das tradições mais antigas do Ninho. A cidade subterrânea gostava de manter certos costumes intactos, e esse era um deles. O Congresso era o encontro daqueles que decidiam o futuro do Ninho, por mais que se deixasse nas mãos de poucas pessoas essa responsabilidade. Agora Luci fazia parte delas. Todos estavam reunidos na Mansão dos Alba, que também era a casa de Nicolas.

Algumas pequenas mudanças tinham acontecido ao longo dos anos. A cadeira do representante dos encantadores não havia existido sempre. Um dos motivos da linha mágica de encantadores ter se afastado da Escola dos Magos é que dificilmente tinham suas vozes ouvidas, mesmo que fossem responsáveis pelo fato de a economia do Ninho conseguir se manter de pé com o isolamento da superfície. Hoje, a representante política dos encantadores, Isabel, fazia parte do Congresso. Era uma mulher alta, de cabelos curtos, pele escura, e que não se sentia intimidada para falar em nome dos encantadores, mesmo que fossem vistos como magos com “menos poder”.

O representante da Corte também tinha um espaço no Congresso: Fernando era a imagem típica padrão do que alguém esperaria de um juiz tradicionalista. Ele era um homem por volta dos seus sessenta anos, de pele pálida, cabelos grisalhos, que gostava de menos drama e mais resoluções, mesmo que a resposta fosse jogar um problema para debaixo do tapete. As pessoas que participavam do sistema de justiça do Ninho andavam divergindo muito sobre fazer mudanças ou não. De tempos em tempos, eles trocavam o representante no Congresso, mas nos últimos tempos Fernando vinha mantendo seu lugar.

A cadeira da Escola dos Magos, que era uma das mais antigas, hoje era ocupada por Mestre Maurício. Geralmente era um sonhador ou um mental que ocupava esse posto, outro motivo para os encantadores terem se separado. Todos sabiam que qualquer proposta feita teria um comentário de Maurício, fosse para o bem ou para o mal, e assim como Fernando ele também tvnha mantendo sua posição já havia algum tempo.

Nicolas também tinha seu espaço, reservado para a família Alba, que há anos ocupava o maior cargo representativo do Ninho. A magia corria forte no sangue da família, o que chamava muita atenção entre cientes, além do que, entre os que se importavam mais com a tradição, era algo muito valorizado em uma descendência. Por causa disso, esse cargo era herdado na família, como o da guardiã.

Junto a esses quatro polos, a figura da guardiã costumava ser o voto de desempate. A posição de Guardião do Sonhar não nasceu com a ideia de ser um cargo político, mas, no jogo político, qualquer cargo poderoso acabava tendo força de decisão. Sem contar que, quando o Congresso não conseguia se decidir, a única pessoa que todos ouviriam, da qual respeitavam a autoridade, era o guardião atual.

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