Na semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva – Ação Nerd Feminista – para discutir temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: NebullaDelirium Nerd, Momentum SagaNó de OitoPreta, Nerd &Burning HellProsa LivreValkirias, Psicologia&CulturaPopKaol Porfírio,Séries por Elas #WeCanNerdIt #FeminismoNerd #8deMarço #DiaInternacionaldaMulher

Nós sempre falamos sobre representatividade, a importância de ter histórias diversas que também são contadas por todo o tipo de pessoa. Quando falamos de audiovisual, infelizmente, ainda não são muitas as mulheres que possuem tanto destaque quanto homens.

Ter um ou outro nome de destaque não é o suficiente, porque ainda há um logo caminho para percorrer para que as condições fiquem iguais. Mas, enquanto trabalhamos para isso, nós celebramos os que buscam nos representar.

Entre as diretoras de cinema atualmente trabalhando em Hollywood, um dos nomes que mais se destacam é o da Ava DuVernay. Nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, a diretora não só tem marcado a produção audiovisual americana, como faz questão de sempre falar sobre representatividade. Ela, inclusive, foi uma das mulheres que participou do vídeo veiculado no Oscar pedindo por mais diversidade.

Os primeiros trabalhos da diretora foram na área de documentário, já que eles podem ser realizados com orçamentos menores do que uma grande produção blockbuster. Entre os documentários realizados por Ava DuVernay, talvez o mais conhecido seja A 13ª Emenda. Digo com tranquilidade que é um dos melhores documentários que eu já assisti. O filme mostra como funciona o sistema carcerário nos Estados Unidos, além de falar sobre como isto está diretamente ligado à história de racismo no país. Por mais que não seja um documentário brasileiro, há muitos paralelos que podem ser traçado com o que acontece no nosso país.

Em 2015, seu filme Selma: Uma Luta pela Igualdade, foi indicado para melhor filme e melhor música original, vencendo esta segunda categoria. Além disso, o filme foi indicado para outros inúmeros prêmios em outros festivais. A história de Selma se baseou nas marchas de Selma a Montgomery, lideradas por Martin Luther King Jr, James Bevel, John Lewis e Hosea Williams em 1965.

Já em 2016, Ava DuVernay e Oprah Winston produziram a série Queen Sugar, uma adaptação do livro de Natalie Baszile. A série se destacou por alguns motivos. Um deles é o protagonismo feminino e negro, que ainda não é tão comum como gostaríamos. Além disso, todos os episódios foram dirigidos por mulheres. Na época, Ava DuVernay comentou que se Game of Thrones podia ter inúmeras temporadas só dirigidas por homens, então ela poderia fazer aquilo com Queen Sugar e mostrar que mulheres podem dirigir também.

Além disso, esse ano mais um filme dirigido por Ava DuVernay será lançado. Uma Dobra no Tempo, uma adaptação de um livro de fantasia. A história segue a vida de Meg, uma adolescente que está tendo que lidar com o sumiço de seu pai. Junto com o irmão e seu amigo, ela encontra três seres peculiares que estão tentando salvar o mundo da grande escuridão. Este filme tem tudo para ser bom, desde a produção até o elenco e nós aqui estamos muito empolgadas para assistir.

Ava DuVernay não é apenas inspiradora por ser uma mulher negra com uma carreira de diretora reconhecida, apesar disso com certeza ter um grande peso na indústria de Hollywood. Ela é uma mulher que ativamente fala sobre as questões de diversidade na indústria audiovisual, que luta por essas questões e, sempre que possível, conta histórias diversas, incluindo representatividade em suas produções.

Ao contrário do que a cerimônia do Oscar deve pensar, falar sobre representatividade não é só o suficiente. Claro que debater esses assuntos, espalhar informação e levantar discussões é muito importante. Mas assim como Ava DuVernay faz, também é importante promover trabalho de mulheres, dar a chance para que elas façam parte de produções, que mostrem que são tão capazes quanto homens de fazer qualquer coisa.

Ava DuVernay é incrível, espero que nos próximos anos tenhamos mais mulheres ao lado dela para ocupar a indústria audiovisual com mais diversidade.