Carnival Row é a nova série de fantasia urbana da Amazon Prime. A série foi criada por René Echevarria e Travis Beacham, tem oito episódios em sua primeira temporada e seu elenco conta com atores como Orlando Bloom e Cara Delevingne.

A história de Carnival Row mostra um universo em que as fadas estão em guerra, portanto muitas delas se refugiam em cidades humanas. Uma delas, Vignette, acaba de chegar em uma das cidades humanas e precisa aprender a se virar. Mas logo ela vai descobrir que seu antigo parceiro, Philo, que ela achava que tinha morrido na guerra, na verdade está vivo e investigando uma série de assassinatos que estão acontecendo na cidade.

Esta crítica não possui spoilers de Carnival Row.

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Essa é uma série que me dá os famosos sentimentos mistos. Eu acredito que Carnival Row tenha pontos positivos e interessantes, que no final a torna uma série que entretém o telespectador. Ao mesmo tempo, há algumas falhas e pontos negativos que acabam atrapalhando em certos momentos e diminuem a qualidade da série.

Acredito que um dos aspectos que mais se destacam em Carnival Row é como a temática conversa com os dias de hoje. A história da humanidade está repleta de momentos de guerra, que forçaram inúmeras pessoas a se refugiarem em outros países. Até hoje vemos pessoas se refugiando em países como Estados Unidos e até mesmo aqui no Brasil. Infelizmente, esses refugiados se tornam vítima de preconceito nos lugares em que chegam. Dá para ver o comentário que a série queria fazer sobre o assunto. Eu até acho que em alguns momentos a série pode ser “óbvia demais”, mas considerando a situação política atual, talvez seja bom que a mensagem esteja muito evidente na nossa frente. Há momentos interessantes aqui, como o fato da história mostrar que um crime cometido contra uma fada é ignorado, mas quando é um humano todos prestam atenção.

No entanto, não acho que Carnival Row acerta sempre nesse aspecto. Eu entendo que faça sentido que algumas fadas refugiadas tenham que recorrer a prostituição, por exemplo, mas é sério que esse era o único lugar em que eles pensaram em colocar algumas das fadas mulheres? Já vimos isso inúmeras vezes. Acho que esse ponto, por exemplo, poderia ter sido diferente.

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O roteiro não faz sempre o melhor trabalho. Há momentos na história que alguns personagens chegam a certas conclusões que não fazem muito sentido. Acho que isso fica bem pior no núcleo dos políticos da cidade. Sem contar algumas ações de personagens que não encaixam e podiam ser mais simples. Mesmo assim, há certas revelações, acredito que principalmente aquelas relacionadas aos dois personagens principais, que são interessantes e fazem o telespectador ficar preocupado com o que vai acontecer nos próximos episódios.

Eu queria que as ações dos personagens fizessem um pouco mais de sentido na história. Eu entendo, por exemplo, as mudanças que acontecem com Imogen e as reações das pessoas ao redor de Philo a medida que certas revelações são feitas, mas para mim foi muito complicado acompanhar as motivações de alguns personagens, como Sophie. Eu também queria ter visto mais de Tourmaline, às vezes parecia que ela era apenas uma agente do que acontecia entre o romance de Philo e Vignette.

Aliás, vamos falar desses dois. Eu gosto da tensão que acontece entre eles, ainda mais com tantas coisas não resolvidas, mas Carnival Row podia escrever o romance deles de forma melhor, que se encaixasse mais ao longo dos episódios, talvez até levando mais de uma temporada. Tudo bem, talvez eles nem soubessem se voltariam para a segunda temporada (mas agora está confirmado).

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Também me pergunto se a escolha dos atores aqui foi a melhor. Cara Delevingne (27 anos) é bem mais nova que Orlando Bloom (42 anos), então quando eles falam sobre terem um relacionamento sete anos antes, parece esquisito. Eu já consumi várias histórias com fadas, então eu acreditei que em algum momento eles falariam que as fadas vivem muito mais que os humanos e demoram mais para envelhecer. Mas essa informação nunca apareceu, então é um pouco esquisito pensar que talvez Vignette fosse uma adolescente quando conheceu Philo.

Eu gosto de como o arco de Philo se desenrola e, até certo ponto, o que acontece com Vignette. Porém, mais para o final da série, senti que a história dela foi deixada de lado e a personagem “absorvida” para a história pessoal de Philo. Talvez, pelo o que aconteceu no último episódio, Vignette tenha mais espaço para ela mesma na segunda temporada, mas ainda assim parece aqui que ela foi diminuída em prol do foco em Philo.

Carnival Row tem um universo interessante, mesmo que nem sempre explorado da melhor forma. É uma série que fala de assuntos relevantes, como refugiados de guerra e preconceitos dentro da sociedade. Do ponto de vista de história, mesmo que divertida em alguns momentos, acredito que ainda falta para ser uma série boa. Eu a considero uma série okay, mais ou menos, mas que é legal de ser vista considerando suas mensagens e também para aqueles que, como eu, estão carentes de fantasias urbanas e histórias com fadas na televisão.