Dirigido por Greta Gerwig, Lady Bird foi indicado à alguns prêmios desde o seu lançamento. Ele estreou no Brasil semana passada, com bastante aprovação dos críticos em geral. Essa crítica não tem spoilers.

O filme conta a história de Christine McPherson (Saoirse Ronan), mas que prefere ser chamada de Lady Bird. Ela mora em Sacramento, na Califórnia, e deseja fazer faculdade longe de casa, em lugares como Nova York, por exemplo. Sua mãe é contra essa ideia, já que a família não tem como financiar os estudos dela. O filme vai mostrando a história de amadurecimento de Lady Bird, enquanto passa pela adolescência e final da época de colégio.

É muito comum vermos histórias sobre amadurecimento de meninos. Há inúmeros filmes, inclusive que foram indicados à premiações ao longo dos anos, que falam de amadurecimento de meninos. Como foram as suas adolescências, as primeiras vezes em que se apaixonaram ou que saíram de casa. Quando são histórias de meninas, as chances de serem sobre rivalidade ou mostrando algo considerado “fútil” são muito altas.

Lady Bird é muito honesto com vários sentimentos que tenta passar para a audiência. Eu particularmente não me vi em todos os aspectos da vida de Christine, mas senti muito do que foi botado ali. Por exemplo, não sei como é ter a dificuldade financeira pela qual ela passa, mas sei o que é se sentir de fora, principalmente em uma escola católica. Greta Gerwig fez um bom trabalho em deixar as coisas muito honestas e fáceis de se relacionar de alguma forma.

A protagonista é bem interessante. Ela é uma adolescente, erra e acerta, e a narrativa não passa a mão na cabeça dela sempre. Em alguns momentos sim, parece que ela está sendo injustiçada, mas em outros dá para perceber que ela está sendo imatura. E tudo bem, o filme também não a condena permanentemente por isso. Ela é uma adolescente e, assim como os meninos de sua idade, precisa ter espaço para errar e aprender também.

O longa apresenta uma diversidade de temas que são comuns para várias meninas que já passaram pela adolescência. Apaixonar-se por alguém, querer se sentir especial, amizades complicadas, vontade de aceitação… Por mais que eu não tenha passado por essas coisas dessas maneiras específicas, eu consigo me identificar com essas necessidades e dilemas. Isso porque o filme consegue mostrar esses assuntos de forma honesta.

Por mais que o foco seja a Lady Bird, os personagens coadjuvantes têm espaço para brilhar, crescer e fazer a diferença na narrativa. E, por mais que às vezes Lady Bird se foque muito mais nela do que em qualquer outra coisa, essas questões vão afetando a sua vida. Da mesma forma que ela briga muito com a mãe, ela também se preocupa, ama e quer se sentir aceita por ela. A relação de cada um desses personagens com as pessoas ao seu redor é diferente e faz sentido dentro da narrativa.

É uma história que fala muito do cotidiano, então há alguns momentos que são um pouco mais arrastados. Em certas cenas eu me questionei qual era a relevância daquilo, de demorarmos tanto em um ponto específico, mas talvez seja exatamente esse “cotidiano” que faça o filme ser fácil de se relacionar.

A parte mais emocionante e tocante, para mim, é a relação de Lady Bird com a mãe. Nós amamos nossas mães, mas relações familiares não são conhecidas por serem fáceis. Toda a família tem seus conflitos, problemas e momentos em que as coisas ficam muito difíceis. E é muito interessante também ver como Christine vai descobrindo que sim, ela tem seus próprios problemas, mas que seus pais também são pessoas que enfrentam seus próprios desafios. Nós às vezes temos visões romantizadas de nossos pais, mas o filme dá uma lente humana para os pais de Lady Bird que é essencial para entendermos as relações dentro do filme e as mensagens que o longa busca passar.

Talvez Lady Bird não seja o meu tipo de filme. Mesmo tendo gostado, saído do cinema com uma sensação de conclusão e satisfação, não é o tipo de história que eu mais gosto de ver. Mas são os temas e os tipos de relacionamentos que fazem Lady Bird ser um filme que vale a pena dar uma conferida. Aos poucos, ele vai construindo os temas que quer mostrar e chegando em uma conclusão de amadurecimento. Como na vida, nem tudo é resolvido imediatamente, mas o que importa são as lições que ficam.