Durante a última quarta-feira (06/01/2021), o mundo assistiu à Invasão ao Capitólio dos Estados Unidos por um grupo de terroristas supremacistas-brancos, sob ordem do presidente do país, Donald Trump. Acredite, eu também sinto o ar de surrealismo que vem desta frase. Mas esta é a maneira mais simples e honesta de descrever o que aconteceu naquele dia. 

O que aconteceu nessa quarta talvez te lembre de filmes B de ação, ou de quadrinhos sobre heróis que atuam ao lado da lei ou, talvez, Elite Squad, da Ubisoft? E nenhuma dessas lembranças são desconectadas da realidade, porque o movimento que culminou na imagem, que muito provavelmente, será uma das mais marcantes de 2021, vende exatamente esta narrativa. O herói que é obrigado a agir fora da lei para poder conseguir a vitória e o bem maior para o povo.

Mas quem é esse herói? Quem ele vê como o povo? E qual é o objetivo final dessa narrativa? E o que isso tem a ver com a invasão ao Capitólio?

O Contexto Econômico e Social

Tanto nos Estados Unidos, como em diversas partes do mundo, nós passamos por um momento de crise econômica. Essa crise vem de antes do Covid-19 e os EUA, que já foi o país mais rico do mundo, está cada vez mais pobre. 

Com uma economia cada vez mais instável e o aumento do desemprego, a inexistência de oportunidades começam a chegar no cidadão médio comum. O “Sonho Americano” se torna cada vez mais uma lenda, e aquele rapaz, branco, heterossexual e cisgênero, que foi ensinado desde novo que tinha direito à tudo, se depara com muros que ele não consegue pular. A ilusão da meritocracia norte-americana começa a se desmanchar e esse rapaz encontra desamparo, desesperança e na sensação de não pertencimento.

Em paralelo a essa quebra do sistema econômico e social, há uma ascensão de classes minoritárias, que com muita luta e persistência, conseguiram furar bloqueios de acesso centenário e começam a estar presentes em espaços dos quais antes eram excluídos. E isso se torna cada vez mais fácil de visualizar porque a mídia e as empresas abraçam essas causas. Porque, vale lembrar, funcionamos dentro de um sistema capitalista que quer ganhar dinheiro, seja com a classe que for. 

Quando você não consegue entender o que está acontecendo, quando você tem dúvidas, onde você procura por respostas? Na internet. E a primeira resposta que esses rapazes encontram nos fóruns, comunidades e redes sociais que participam é aquela que é mais fácil de aceitar: a culpa é dos outros

Por mais que nós cresçamos dentro de uma casa progressista, onde nenhum tipo de preconceito é encorajado, nós ainda fazemos parte de uma sociedade que é extremamente preconceituosa. E muitos desses preconceitos estão tão enraizados que não achamos ser preconceito. Racismo, machismo, LGBTQI+fobia, xenofobia – todos eles possuem uma forma tanto estrutural como de senso comum. 

Os outros são as minorias sociais, negros, indígenas, mulheres, imigrantes a comunidade LGBTQI+. Todos aqueles que, de acordo com o que a internet diz para esses rapazes, estão tomando aquilo que lhes é de direito. É muito mais fácil abraçar os preconceitos do que entender que o problema é sistêmico. Entender a conjuntura de erros políticos, econômicos e sociais que culminou no momento de colapso econômico que, finalmente, atingiu o homem branco de classe média. Até explicar de maneira reduzida o real problema é mais difícil do que só dizer “a culpa é dos outros”. 

Nos Estados Unidos muitos desses fóruns, dos quais esses rapazes fazem parte,  são dominados por membros da Alt-Right americana. Este grupo é, na prática e na teoria, um grupo de extrema direita supremacista branco. Eles tentam disfarçar esses seus traços com discursos elaborados e uma insistência em se afastar do termo “extrema-direita”. Mas foram eles que organizaram a marcha em Charlottesville em 2017, são diretamente conectados a vários grupos assumidamente supremacistas brancos, e compraram o discurso do Trump como quem compra água no deserto. 

Faraday Speaks é um youtuber que falou abertamente sobre a experiência dele entrando e saindo do espaço doentio da alt-right americana. A experiência dele é muito similar à de outros jovens que também seguiram este caminho.

Jovens sem perspectivas, que se veem frustrados, injustiçados e alienados pela sociedade. Eles encontram em youtubers, streamers e filósofos a resposta para as suas perguntas. O que eles não se dão conta é que essas respostas os alienam da sociedade e os direcionam para um caminho de ódio. Faraday fala muito bem sobre esse sentimento e sobre como ele foi, cada vez mais, sendo seduzido pelo discurso da Alt-right, mesmo tendo crescido numa casa liberal.

Aqui no Brasil nós temos alguns exemplos tanto de personalidades como de streamers que ajudam a disseminar esse tipo de discurso. Não é à toa que o filho gamer do presidente se encontrou com o Secretário da Cultura alguns meses atrás. Antes de ser banido da twitch, ele era um dos streamers que sustentava um discurso preconceituoso e lotado de fake news. Semana sim, semana não, circulam vídeos de streamers de extrema-direita que usam o seu espaço em plataformas digitais para fomentar ódio e desinformação. 

Uma das narrativas que esses grupos de ódio mais gostam de utilizar é a figura do anti-herói. O Herói que se vê obrigado a agir fora da lei, ou porque a lei é ineficaz ou burocrática demais, para conseguir proteger a sua família ou o “povo”. 

E é aqui que fica mais fácil identificar como a cultura pop acaba, mesmo que sem a intenção, ajudando a solidificar o ideal violento e preconceituoso da alt-right, do Trump e dos supremacistas brancos.

Q-Anon 

Antes de continuar, eu preciso tentar explicar para vocês o que é o Q-Anon, porque ele é parte importante nessa bagunça que virou a política norte-americana, e começa a colocar as mangas para fora aqui no Brasil também.

Talvez você não tenha escutado falar, mas existe um grupo de lunáticos que acreditam em absolutamente toda e qualquer teoria da conspiração absurda que existe  por aí, o Q-Anon. Terra Plana é o menor dos problemas porque, veja bem, o Q-Anon acredita que o TRUMP é o líder de uma organização que está tentando evitar o tráfico de crianças, cujo sangue seria usado por Hillary Clinton e os “liberais de Hollywood” para se manterem jovens. A relação de amizade entre Trump e Jeffrey Epstein era, na verdade, a maneira do ex-presidente dos EUA de se infiltrar na rede de pedofilia que Epstein comandava. Trump seria o herói que vai destruir o sistema por dentro. 

Se parece absurdo, é porque realmente é absurdo. Mas o Q-Anon tem uma explicação para cada uma das merdas que Trump faz. E o ex-presidente surfou em toda a onda que o grupo mandou na sua direção. As eleições de 2020, inclusive, marcaram a primeira vez que um seguidor do Q-Anon foi eleito nos EUA. Aqui no Brasil o Q-Anon já começou a dar as caras, linkando a imagem de Bolsonaro à de Trump e invadindo os whatsapps das tias e dos tios do país. 

O Q-Anon não é novidade pra quem acompanha cultura pop com um olhar mais político. Em 2018 a alt-right americana fez uma campanha de difamação que culminou na demissão do diretor James Gunn. Muitos dos seguidores de Q-Anon já faziam parte desse núcleo, que já inclusive falava sobre o “ringue de pedofilia de Hillary”, quer seria coordenado a partir de uma pizzaria. Este episódio ficou conhecido como Pizzagate, e você pode ler o meu texto sobre ele – se quiser

O Q-Anon acredita que Trump é um herói, Trump sabe disso e estimula o comportamento conspiracionista e violento dos seus seguidores. Trump é um herói que precisa agir por baixo dos panos para salvar o mundo da Hillary Clinton e seu desejo por sangue de criança. Algo assim. Mas não se enganem, o Q-Anon pode parecer lunático, mas é sim um grupo que está sendo levado pelas conspirações a comportamentos e crenças supremacistas brancas e fascistas. E mesmo sendo decentralizado, ele é muito bem organizado e usado como força física por supremacistas brancos.

Se você quiser saber mais sobre o Q-Anon, vou deixar alguns vídeos no final do texto para lhe ajudar a entender esse caos todo. 

A cultura pop e a invasão ao Capitólio

“Invasão ao Capitólio” já parece o título de um daqueles filmes estrelados por Gerard Butler, em que ele é um ex-oficial do exército que precisa salvar o presidente dos EUA de uma invasão terrorista na Casa Branca. A verdade é que, se você trocar o presidente pelo vice-presidente ou a futura vice-presidente, você tem pronta um filme de ação baseado numa história real. E eu aposto que algum produtor já está com um projeto em desenvolvimento. 

Todos os filmes da série Duro de Matar, o Justiceiro dos quadrinhos e da série de TV, o jogo Tom Clancy’s Elite Squad – todos eles são ótimos exemplos de como a cultura pop pode, mesmo sem a intenção, ajuda a sedimentar ideais reacionários e perigosos na nossa sociedade.

Justiceiro e Duro de Matar são exemplos mais comuns da narrativa do herói que precisa agir por fora da lei. Inclusive indico este vídeo, do canal ContraPoints em que a youtuber fala sobre justiça e usa o Justiceiro para fazer um dos seus pontos. Com isso em mente, vou usar Elite Squad, o exemplo mais recente, para explicar como essas linhas se cruzam.

Antes de continuar eu vou deixar o mais claro possível que eu não acredito que videgames são responsáveis pela violência daqueles que os jogam. Mas é preciso entender que videogames são produtos culturais que nós consumimos e que ajudam a formar o nosso senso comum. Muito se fala sobre contexto, e é importante notar que o contexto de qualquer jogo que é lançado (ou qualquer tipo de produto cultural) é o nosso mundo. Existe sim um contexto narrativo dentro do jogo, mas esse jogo existe dentro do nosso universo e não vai ficar isolado numa bolha que não vai permitir ramificações no mundo real. 

Tom Clancy ‘s Elite Squad é um jogo lançado para celular em meados de 2020. Durante o lançamento do jogo os EUA passavam pela maior onda de protestos raciais desde o movimento pelos direitos civis. O movimento Black Lives Matter tomava as ruas de diferentes cidades, causando uma reação agressiva de grupos supremacistas brancos, que passaram a “acompanhar” as manifestações nas beiradas, usando armamento e roupas de nível militar. 

No dia 25 de agosto, depois de viajar de outro estado, Kyle Rittenhouse, de 17 anos, que era seguidor do Q-Anon e acreditava em todas essas teorias da conspiração que Trump e a Alt-right alimenta, se infiltrou nos protestos acontecendo em Kenosha, Wisconsin. Depois que manifestantes notaram a presença armada dele no meio do protesto, um homem atirou uma garrafa de plástico nele e tentou desarmá-lo. Kyle matou duas pessoas naquela noite, com um rifle AR-15. 

No dia 27 de Agosto a Ubisoft lançou Tom Clancy’s Elite Squad, com um vídeo de apresentação que, em tradução minha, dizia: 

“O mundo está em um estado alarmante. Guerras, corrupção e pobreza o fizeram mais instável do que nunca. À medida que a situação continua a piorar, a raiva aumenta. Por entre as brechas, uma nova ameaça começa a se erguer para tirar vantagem da escalada da inquietação civil. Eles são conhecidos como UMBRA. Uma organização sem rosto que quer construir uma nova ordem mundial. Eles dizem promover uma utopia igualitária para ganhar apoio popular, enquanto por trás das coxias a UMBRA organiza ataques terroristas mortais para gerar ainda mais caos e enfraquecer governos… Ao custo de muitas vidas inocentes. Simultaneamente, eles têm hackeado mídias sociais para desacreditar líderes mundiais e reunir pessoas para a sua causa. Sob imensa pressão, os líderes mundiais se uniram para autorizar uma nova agência internacional criada para combater a Umbra. É óbvio que jogar de acordo com as regras não vai vencer esta luta. O líder desse pelotão não-convencional precisará recrutar soldados de elite de cada canto do mundo, incluindo o submundo do crime.”

O símbolo que a Ubisoft escolheu para representar a Umbra no trailer foi um punho fechado, apontado para cima. Sabe, aquele que é símbolo do movimento negro há anos e que pode ser visto por todos os protestos do Black Lives Matter? Claro, Elite Squad entrou em produção muito antes dos protestos de 2020 começarem, não tinha como saber que eles aconteceriam durante o lançamento do jogo. Mas é absurdo acreditar que ninguém na Ubisoft olhou para este símbolo da Umbra e não questionou a semelhança com um símbolo de luta utilizado há décadas por um movimento que luta por igualdade social. Não interessa se a Ubisoft é francesa ou se o jogo foi feito no Canadá – esse é um símbolo muito conhecido no mundo todo. 

Mas o que o texto da abertura do jogo tem a ver com tudo isso? E porque eu falei sobre Kyle? 

A narrativa do jogo reflete diretamente o sentimento atual de inquietude social e da revolta e cansaço que a população de praticamente todos os lugares sentem em relação à pobreza e à corrupção. E isso é algo facilmente transformado em munição por grupos de extrema direita. Foi assim que Hitler acabou tomando posse da Alemanha, por exemplo. Essa revolta é algo que normalmente é compartilhado tanto por minorias sociais como por grupos mais privilegiados na sociedade. 

O jogo diz que a Umbra é uma organização que FINGE querer igualdade social, mas que usa a pauta apenas para conseguir mais seguidores e ganhar forças para o seu grande plano de construir uma NOVA ORDEM MUNDIAL. Dizer que a grande vilã do jogo é uma organização que luta pela igualdade já aponta diretamente o dedo para qualquer movimento social de esquerda que busca a construção de uma sociedade mais igualitária. Isso fomenta aquela sensação de alienação e injustiça que o rapaz branco padrão sente, alimentando ainda mais as certezas mentirosas que internet vende para ele.

Quando você acrescenta o punho fechado fica óbvio que não só a vilã é a esquerda que quer mudanças sociais, mas mais especificamente o BLM. Não interessa se essa foi a intenção ou não – é isso que os símbolos mostram. E é isso que fica na cabeça do jogador, se unindo à narrativa vendida pelos conspiracionistas e pelo próprio presidente dos EUA, de que o BLM e qualquer movimento social, é uma ameaça. 

“Construir uma Nova Ordem Mundial” já é, em si, um problema sozinho. Muitos conspiracionistas acreditam que a esquerda e os movimentos sociais estão sim tentando construir uma nova ordem mundial liderada por LGBTQI+s, negros, mulheres e pessoa coisa que seja diferente de um homem branco padrão. Essa nova ordem mundial viria para destruir a moral judaico-cristã e forçaria crianças a se tornarem gays e o aborto seria liberado em toda esquina como método anti-concepcional. Uma das principais vozes, aqui no Brasil, desse absurdo é Olavo de Carvalho, que já foi muito próximo do presidente e de seus filhos. 

Eu sei que parece ridículo, mas infelizmente é esse tipo de coisa que motiva essas pessoas. E esse é o contexto no qual nós colocamos produtos culturais no mundo. Então a empresa pode não ser responsável pelo que o seu cliente faz depois de consumir o jogo/filme/quadrinho/livro, mas ela é responsável pelo conteúdo que coloca no mundo. E de maneira nenhuma eu estou dizendo que tudo tem que ser literal, mas estou dizendo que é necessário o mínimo de noção e fazer um trabalho pelo menos razoável. A não ser que o objetivo da empresa realmente seja dar voz aos absurdos violentos que sustentam tantos grupos supremacistas, como os que invadiram o Capitólio dos EUA. 

Kyle acreditava ser um herói, indo à Kenosha para proteger as lojas que poderiam ser depredadas durante o protesto. Ele acreditava que a lei não era suficiente para controlar os outros, para manter os seus à salvo dos outros. Esse discurso supremacista branco é, como disse lá no começo do texto, alimentado por organizações de extrema direita que só têm a ganhar com esses confrontos e tragédias. Para Kyle, e para os tantos outros homens e mulheres brancos que patrulhavam as manifestações, eles são os heróis forçados a agir com as próprias mãos. O mesmo pode ser dito de muitos daqueles que invadiram o Capitólio dos EUA. 

Não se engane, quando digo que aquelas pessoas se iludem com as teorias de conspiração da extrema-direita, não estou de maneira nenhuma os liberando da responsabilidade dos atos que cometem. Você pode acreditar que a terra é plana, mas você pode só acreditar nisso ou decidir ir de caiaque até o meio do oceano pacífico. E essas teorias da conspiração se encaixam tão bem nas cabeças dessas pessoas porque elas já tem uma visão alterada da realidade, que as coloca como centro do mundo e faz isso através de preconceitos raciais, de gênero e sexualidade. Além disso, havia muitos ex-militares na invasão, pessoas treinadas para situação de combate. O movimento pode parecer aleatório, mas ele é muito bem organizado – por trás dos panos.  

Eu não estou dizendo que toda arte deve ser de esquerda. Apenas que toda arte precisa entender que vai fazer parte de um contexto maior. Que o jogo/filme/quadrinho/livro vai ser interpretado à revelia da intenção do autor. Obras que originalmente falavam sobre como a vingança é algo vazio e sobre os erros de se assumir uma postura de vigilantismo, se tornam o símbolo de organizações fascistas. Se Justiceiro tivesse permanecido como um herói de uma história limitada, talvez ele não tivesse perdido a intenção do autor, talvez a caveira não tivesse se tornado um símbolo utilizado por tantos grupos e organizações fascistas. 

Depende das empresas alinhar o seu discurso com as suas obras. E o modo como ela é vendida para o seu público faz parte de como a sua obra vai ser recebida e absorvida por esse público. No que ela vai se tornar, ou a que tipo de causa ela vai ajudar. Não existe cultura pop apolítica, porque em um mundo tão instável e divergente como o nosso, mesmo quando se tenta ser neutro esta é uma decisão política.

A invasão ao Capitólio pareceu tão cinematográfica e ficcional porque nós já vimos aquele cenário, político e físico, diversas vezes na cultura pop. Porque as ideias que estavam sendo ali defendidas – o direito de desmontar um sistema democrático – foram defendidas de diferentes maneiras em diferentes produtos culturais. O “povo” que o “herói” mascarado que quebra janelas do Capitólio quer defender não é a população, é aqueles que ele acredita dignos de proteção – pessoas brancas iguais a eles. O que Trump queria salvar não era o país, mas a própria pele, já que ele perderá todos os privilégios legais que vieram com o cargo de presidente. 

Eu sempre fui fã de filmes de ação, cresci assistindo Máquina Mortífera, Duro de Matar e todos os seus semelhantes (Danny Glover é um favorito meu até hoje). Eu nunca fui nem uma criança ou adolescente violenta, mas o “filmes de bandido-mocinho” sempre foram alguns dos meus favoritos. Quando eu estava na faculdade, fui ao cinema assistir o remake de Miami Vice, dirigido por Michael Mann. Em uma das cenas finais, um dos heróis atira com uma arma muito doida num capanga, que voa na parede. E eu, assim como outras pessoas no cinema, gargalhei. E foi alí que eu me dei conta de que tinha alguma coisa muito errada na maneira como estava consumindo as coisas. Foi alí que eu notei, pela primeira vez, o tamanho da influência de todos aqueles anos consumindo violência e ação sem qualquer tipo de questionamento.

Por isso, volto a dizer que nem games nem nenhum produto de cultura pop é responsável direto pelos atos de violência de seus comsumidores. Não é que não devamos criar ou consumir games, quadrinhos, filmes ou livros – muito pelo contrário. Mas precisamos, de uma vez por todas, entender que a cultura pop tem uma grande influência, que ela pode sim ser usada como arma para alimentar um sentimento geral de inseguranção, instabilidade e ódio.

Até mais! 😉

 


Sobre o Autor

Roteirista com uma tendência em transformar qualquer documentário sobre abacate em uma space-opera feminista.

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