Neste final de semana, a Netflix lançou a terceira e última temporada da série Dark. Como é uma série com vários elementos e mistérios, os fãs estavam ansiosos para finalmente ter respostas que estão aguardando a tempos. Fazia muito tempo que eu tinha visto a primeira temporada e lembrava de pouca coisa, então eu resolvi assistir de novo a primeira antes de ver as outras duas.

Dark mostra a história da cidade Widen. Em 2019, o pai de Jonas, Michael, se matou há alguns meses e só agora Jonas volta a interagir direito com outras pessoas, incluindo seus amigos mais íntimos que não sabem de tudo que ele tem passado. Além disso, os policiais Ulrich e Charlotte estão investigando o desaparecimento de um menino. Tudo piora quando Mikkel, o filho mais novo de Ulrich, desaparece também e um corpo de um garoto é encontrado logo depois…

Esta crítica vai falar das três temporadas, mas não falarei sobre grandes spoilers da história. Se você nunca viu Dark, ou viu só uma parte, será que vale a pena investir até o final?

O que as fotos e quadros de DARK pode nos revelar - Movie Places

Eu queria começar dizendo que eu não acho muito justa a comparação com Stranger Things por inúmeros motivos. Sim, é uma história sobre uma cidade pequena, com algo bizarro e os núcleos são divididos entre adolescentes e adultos. Mas Dark aborda outros temas e trabalha com outras linhas do tempo. Um dos aspectos marcantes de Stranger Things é tratar da nostalgia dos anos 80, que não é bem o caso com a série alemã.

Acredito que o “valer a pena” vai depender muito de quem quer assistir a série. Dark é um tipo de série com mistérios e tramas complicadas. Não é fácil acompanhar inúmeras linhas do tempo que se cruzam em vários momentos, que é o que acontece em Dark. Talvez, para alguém já mais acostumado com esse tipo de narrativa, a primeira temporada não seja muito difícil de entender, mas as outras vão adicionando elementos que tornam a compreensão mais complexa. Então, se a pessoa não for fã desse tipo de história, talvez deva assistir outra coisa. Caso contrário, Dark definitivamente é uma boa pedida.

Dito isso, eu acho que, na maioria das vezes, os elementos são bem colocados e explicam partes o suficiente para continuarmos assistindo e entendendo a história. O roteiro é envolvente prende a atenção do público, tornando o fator “maratonar série” bem mais satisfatório. Se tem uma coisa que Dark faz bem é manter o público colado na cadeira curioso para saber o que vai acontecer dali para frente. O que é ainda mais necessário em uma série com tantas reviravoltas como essa, já que algumas partes do mistério podem ficar cansativas.

Dark acaba repetindo alguns dos mesmos elementos que já usou. Em alguns momentos isso funciona, em outros parece mais do mesmo. Mas, em geral, não é algo que cansa a pessoa ao ponto de largar a série. Se você comprou a ideia de Dark no começo, vai provavelmente ficar preso assistindo até o final. O fato de serem três temporadas também ajuda, porque a série não se estende por mais tempo do que precisa.

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Nunca dá para saber ao certo se os criadores de Dark sabiam tudo que ia acontecer desde o primeiro momento, mas com certeza há elementos que provam que houve algum planejamento. Ainda mais considerando histórias sobre viagem no tempo, é importante que os elementos tenham um motivo de estar na história e não apareçam simplesmente do nada. A maioria desses elementos é explicado até o final da temporada. Não todos, Dark não explica todos os seus mistérios, mas a maioria não aparece como furo de roteiro ou algo insatisfatório.

Uma das coisas que eu mais aprecio em Dark é como a grande maioria dos personagens, por mais que possa em algum momento pareçam ser coadjuvantes secundários, vão ganhando espaço e um lugar especial nesse grande labirinto que é a história de Widen. Eu lembro de, no começo, achar que a Charlotte seria uma personagem bem de escanteio, quando na verdade ela ganha muito espaço e importância ao longo das temporadas, assim como Claudia, mãe de Regina. Todos os personagens têm seus defeitos e segredos, em certos momentos estamos gostando deles, em outros odiando, e isso deixa a história mais complexa e interessante.

Dark fala muito sobre o peso da responsabilidade, sobre aceitar e lidar com as coisas erradas que aconteceram, novos começos e como alguns segredos, por mais bem intencionados que sejam, podem acabar com certas relações. Afinal de contas, por mais fatores de viagem no tempo que existam, no final das contas Dark é uma história sobre família e relações íntimas. Como elas podem ser complicadas, algumas podem te salvar e outras podem te matar, e nem sempre tudo vai dar certo.

Então sim, se você gosta de todos esses elementos e de uma história que quer explodir a sua cabeça, dê uma chance para Dark. Não é uma série muito longa e já está toda disponível na Netflix.

Sobre o Autor

Escritora, roteirista, poledancer nas horas vagas. Determination ♡

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