Foi o Romance que Me Fez Gostar de Quadrinhos de Super-heróis. Nas vezes que falei em público sobre o que me fez ler quadrinhos eu costumava dizer que eu fiz o caminho das séries de TV (X-Men, Batman, Lois e Clark, The Flash) para o cinema (as adaptações antigas de Batman e Superman) e só depois disso cheguei nos quadrinhos. Mas esse é só a minha jornada. O que me fez procurar quadrinhos para comprar foi, na verdade, o romance. 

Eu absolutamente amo histórias que misturam romance com outros gêneros (vide minha obsessão por Kdramas), e se for do tipo CASAL IMPOSSÍVEL então! A Rebeca adolescente desperta e já se interessa. Romance impossível mas que, no final, acontece. Eu amo finais felizes – pode me julgar. E qual outro casal impossível dos quadrinhos e desenhos da década de 90 é mais icônico do que Vampira e Gambit? 

Pois é, eu comecei a comprar quadrinho porque eu queria sofrer nesse romance slow burn da Vampira e do Gambit até que eles finalmente se pegassem. Mas eu morava no meio do mato, com uma única banca de jornal e que não vendia quadrinhos. 

O ano era 2000, eu morava em Coqueiral, um bairro afastado da cidade de Aracruz, no Espírito Santo. Na beira do mar, rodeado por mata Atlântica e a banca que vendia quadrinhos mais próxima ficava na capital, há mais ou menos duas horas de distância. Sebo era um conceito, não uma realidade. 

Mas eu precisava ler a edição número 7 de Fabulosos X-Men, assim como as minisséries do Gambit e da Vampira. Então eu fui pra internet, que naquela época não era nem um pouco o que é hoje, e eu, advinda do meio-médio mato e a única dentre os meus amigos com esse tipo de interesse, não tinha ideia de por onde começar. Eu nem cogitava a existência de Scans. 

A essa altura eu já tinha lido tudo sobre X-men que sites nacionais e internacionais ofereciam. Eu sabia os arcos, os personagens e tudo mais. Sabia muito mais do que me lembro hoje, inclusive. Passava os fins de semana lendo biografia se personagens no site da Marvel. Eu não tinha muita vida social antes de 2001, e não era o tipo que todo mundo queria ficar junto. 

Entrei no finado Cadê e na minha procura acabei caindo no Fórum Mutação, que por sua vez me fez descobrir a possibilidade de comprar quadrinhos on-line. O Mercado Livre tinha pouco mais de um ano e eu me joguei nele. 

Eu era adolescente, não tinha muito dinheiro pra pagar por compras on-line, e esse era um conceito doido de explicar para os meus pais. Mas até o dia em que me mudei de Coqueiral construí minha pequena coleção de quadrinhos de X-Men através do Mercado Livre e, mais tarde, da bondade do rapaz da banca do Shopping Vitória que guardava uma edição dos quadrinhos que a panini lançava de X-men pra mim. 

Eu sempre adorei romance. Uma das minhas maiores decepções quando pequena foi descobrir que a She-ra e o He-man eram irmãos. Então nunca me pareceu estranho que fosse o romance entre Gambit e Vampira que fizesse eu me apaixonar por este meio. 

Eu sei que tem muitas pessoas que amam quadrinhos e que nunca vão dizer que foi romance que os fizeram chegar nos quadrinhos, ou mesmo ficar. Shoujo é visto até hoje como um tipo menor de Mangá (pelo menos pelo mainstream), e meu Deus roteiristas de quadrinhos americanos tem uma dificuldade imensa se escrever romance de maneira consistente, interessante e que não mate uma das partes envolvidas (em geral, o homem sobrevive para sofrer). 

Mas enquanto eu faço o caminho de volta pra esse meio, e retorno aos poucos a escrever sobre ele, queria colocar isso aqui no mundo. Não existe uma razão certa pra você começar a gostar de alguma coisa. E mesmo que os nerdzz brotheragem achem que não justifica e que a gente é uma das razões pelas quais os quadrinhos “estão horríveis”. Foda-se eles. Leia e seja feliz sofrendo com o slow-burn que vai durar anos. 

Até mais! 😉 

 

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PS: Eu abandonei Gambit e Vampira quando o Peter Miligan cometeu a saga desenhada pelo Salvador Larroca. O horror. Mas, estou pensando em fazer um comeback, quem sabe. 

Sobre o Autor

Roteirista com uma tendência em transformar qualquer documentário sobre abacate em uma space-opera feminista.

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