Gibi de Menininha, é uma coletânea de histórias de terror e putaria com curadoria da Germana Viana, que também é a idealizadora do projeto. Ele teve a sua primeira edição no ano passado, reunindo um monte de autoras independentes em um quadrinho que recebeu o Prêmio Ângelo Agostini de Melhor Lançamento 2018. A segunda edição Gibi de Menininha 2 – O Faroeste é mais embaixo está atualmente no Catarse.

Ao longo dos meus anos falando sobre quadrinhos na internet eu já fiz diversos posts de catarses e outros financiamentos coletivos. E aqui no Nebulla a gente sempre tem um pouco de resistência em promover os nossos outros trabalhos. Eu não sei exatamente porque a gente sente isso, mas sempre discutimos se deveríamos ou não. Mas eu resolvi que vou falar sim desse projeto, na primeiríssima pessoa, porque ele foi muito importante para mim neste 2019 do inferno. 

O que significou escrever o Gibi de Menininha

Quadro do Gibi de Menininha 2

Quando a Germana me fez o convite eu fiquei feliz demais. A Ger é o tipo de mulher que serve de inspiração para tudo e a gente divide visões muito similares em muitas coisas. Quando ela me disse que iria desenhar o roteiro que eu ia escrever eu me senti absolutamente honrada e aquela sensação de SENPAI NOTICED ME tomou conta. Não que a Ger nunca tivesse me notado, nós somos amigas, mas ela é aquele tipo de pessoa que o profissionalismo me inspira, sabe? Não é só no pessoal, é no profissional. Então receber um convite de uma profissional comprometida como ela me fez muito feliz. 

Este ano, como para muitos de vocês, começou estufado embaixo de uma névoa de autoritarismo e ódio que a eleição desse presidente trouxe. E à medida que os dias de janeiro foram passando essa sensação só foi piorando. Fazia meses que eu não conseguia produzir conteúdo criativo direito, sem conseguir começar ou terminar os novos projetos – muitos dos quais continuam engavetados por tempo indeterminado. Mas escrever o meu capítulo do Gibi de Menininha 2 me deu um fôlego novo, e fez eu me sentir melhor comigo mesmo. 

Durou muito? Não. Sejamos sinceros, 2019 parece que tá indo cada vez mais para o fundo do poço no que tange política e bem estar social, mas ter conseguido completar aquela história me deu a segurança que eu precisava para topar criar a Bast! com a Flávia Gasi e a Nami Teruya. Me fez ter certeza de que aqui dentro, mesmo que sufocado por um milhão de inseguranças e pelo peso da depressão, eu ainda tinha dentro de mim uma fagulha de imaginação e esperança. Foi importante demais. 

“Nossa, mas tudo isso só pra falar de um Catarse?” 

Sim. Porque a oportunidade de escrever esse quadrinho fez do meu começo de ano um pouco mais positivo, e acendeu a vontade de continuar criando que eu só conseguiria desenvolver mesmo meses depois. Depois disso eu demorei meses pra fechar duas páginas de um quadrinho, mas assim que eu fechei eu senti como se estivesse solta.
E foi sentando pra terminar essas duas páginas que eu voltei a pensar sobre o processo criativo pro Gibi de Menininha e o quase parto que foi colocar as ideias no papel. 

A nossa historieta no Gibi de Menininha 2

Quadro do Gibi de Menininha 2
Vingança, por Germana Viana e Rebeca Puig

Eu não vou dar spoilers, mas o nosso capítulo se chama Vingança e, porque fui eu quem escreveu, não tem a parte da putaria. Gente, eu sinto muito, mas o dom de descrever cena de sexo e putarias no geral não existe dentro de mim. Ainda assim, é a história de uma mulher mumificada que procura vingança. 

Quando eu escrevi a história eu tentei colocar nela todas as coisas sobre as quais eu venho estudando desde que comecei a pensar sobre feminismo. Claro, é um quadrinho de terror, então tem bastante símbolos violentos.

Mas mais do que esse choque, eu procurei colocar os meus questionamentos como mulher, como feminista e como pessoa branca. Eu espero que dê pra ver tudo alí, mas a verdade é que eu só vou saber se deu para passar o que eu queria quando vocês tiverem lido. E agora eu vou entrar em um loop de “mas eu falei os meus temas então mesmo que eles não estejam alí as pessoas que lerem o meu texto vão ler o quadrinho já pensando nisso e–“. 

Como Apoiar o Gibi de Meninha 2 no Catarse

O processo para apoiar o projeto é aquele de sempre do Catarse: é só entrar na página do Gibi de Menininha 2 – O Faroeste é Mais Embaixo e escolher um entre os doze tipos de apoios disponíveis, começando com 15 reais! 

Capa do Gibi de Menininha 2

A capa dessa segunda edição ficou novamente com a maravilhosa Camila Torrano que na primeira edição já me deixou de olhos sangrando (a moça da capa tem búzios no lugar de mamilos. Eu demorei meses para constatar isso porque eu tinha tanta gastura que eu não conseguia olhar diretamente pra eles). A capa está maravilhosamente perturbadora e faz par com a do primeiro volume, o que é ótimo para os colecionadores de plantão! 

Quadro
A Clarice também está nesta edição, fazendo dupla com a quadrinista Renata CB Lzz, a historieta delas se chama Monstros de Verdade!

Então é isso. Eu queria falar um pouco sobre o que significou escrever essa historieta ao mesmo tempo em que convido vocês à apoiarem o nosso projeto. O Gibi de Menininha 2 – O Faroeste é mais Embaixo é uma coletânea com mulheres ocupando espaços criativos dos quais sempre fizemos parte (e no caso do terror, somos maioria) mas que mesmo assim sempre nos negaram destaque. Tem putaria, tem sangue, tem buchos saltando para fora e tudo isso feito com muito carinho e trevas. 

Até mais! 😉 


A primeira versão deste texto possuía uma passagem que, mesmo não tendo sido a minha intenção, foi transfóbica. Eu sinto muito pelo erro, ela foi retirada.