The Mandalorian tem sido uma das séries atuais mais comentadas da cultura pop, não é à toa que a demissão de Gina Carano tenha repercutido muito nos últimos dias. Em uma declaração oficial da Lucasfilm, foi confirmado que a atriz não teria novas participações em The Mandalorian, ou no universo Star Wars como um todo. O que, por um lado, é chato, já que muita gente gostava da personagem Cara Dune. Mas, no fim do dia, a demissão foi uma consequência dos próprios atos da Gina Carano, e não dá pra dizer que a Lucasfilm estava errada nesta decisão.

“No entanto, suas postagens nas redes sociais diminuindo as pessoas com base em suas identidades culturais e religiosas são repugnantes e inaceitáveis” disse o anúncio oficial da Lucasfilm.

O que aconteceu foi o seguinte: Em suas redes sociais, Gina Carano falou várias coisas das quais ela acreditava, mas que, no final do dia, era discurso de ódio. A gota d’água, que resultou nesse posicionamento da Lucasfilm, foi sobre uma postagem em que ela comparava antissemitismo com discordâncias políticas.

Mas essa não foi a primeira vez que ela tinha postado coisas complicadas. Ela já tinha sido transfóbica, zombando das pessoas que colocavam seus pronomes na bio das redes sociais, e também já zombou de pessoas que usam máscaras durante a pandemia, mesmo que todos os profissionais de saúde digam que é necessário para diminuir o risco de contágio. Ela também apoiou a narrativa de que houve fraude nas eleições dos Estados Unidos, da vitória de Biden, algo que já tinha sido provado que não foi fraude. Além de tudo isso, ela também curtiu inúmeros tweets que falavam que não existia racismo estrutural nos Estados Unidos, o que é uma mentira.

Talvez pareça absurdo para algumas pessoas que as “opiniões” de uns em suas próprias redes sociais seja motivo de demissão, que isso seria um tipo de censura. Mas veja, é “opiniões” entre aspas, porque uma coisa é ela falar que prefere os filmes da DC do que os da Marvel, outra coisa é propagar discurso de ódio. Preconceito não é opinião, é discurso de ódio e as pessoas que o propagam devem ser responsabilizadas.

Quando a gente age como se esses discursos fossem só mais uma opinião, algo que é inofensivo, nós estamos passando pano para falas que alimentam uma estrutura preconceituosa da sociedade, e que reflete diretamente na vida das pessoas. A Lucasfilm e a Disney são gigantes, e ignorar esses posicionamentos era como se eles lavassem as mãos para o caso. Mesmo assim, eu não imaginei que eles fossem demiti-la, porque geralmente não é isso que acontece.

É claro que já tem gente falando que o “cancelamento do Twitter” foi o responsável pela demissão da atriz, mas quando uma empresa como a Lucasfilm toma uma decisão assim, não é porque algumas pessoas reclamaram no Twitter. Até porque, como já mencionado antes, essa não foi a primeira vez que ela propagou discurso de ódio.

Há outros atores que já reproduziram discurso de ódio, mas nem sempre eles são demitidos ou afastados de seus trabalhos. Geralmente, quando são homens brancos, a tendência é passar pano e agir como se nada tivesse acontecido. Isso não muda o fato de que Gina Carano cometeu um erro grave. Ela pode sim reavaliar o que pensa e tirar o melhor dessa situação, mas por enquanto, afastá-la da franquia foi a melhor coisa que a Lucasfilm poderia ter feito sobre a questão.

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