Esta crítica não tem spoilers.

Com seis episódios, muito humor e uma história sobre o fim do mundo, a adaptação de Good Omens, livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett, chegou na Amazon Prime e já conquistou o coração de várias pessoas, ainda mais quando pensamos em um dos melhores ships da cultura pop do ano.

Good Omens, como mencionado, conta a história do fim do mundo. O demônio Crowley recebe a função de trocar um bebê humano, ao nascer, pelo anticristo. A troca não vai bem como o esperado, mas Crowley (David Tennant) e o anjo Aziraphale (Michael Sheen) só descobrem isso alguns dias antes do apocalipse acontecer. Depois de viverem 6 mil anos na Terra, os dois não querem que o mundo acabe de verdade, então unem forças para tentar impedir o apocalipse.

Talvez essa tenha sido uma das adaptações mais fieis de livro para audiovisual que eu tenha visto. Apesar de algumas cenas diferentes e reduzidas, o que é esperado e necessário, há diálogos inteiros que acontecem exatamente como estão no livro. Normalmente, eu teria medo disso limitar a obra, mas no caso de Good Omens tudo encaixa bem, a série consegue contar a história sem problemas.

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A história do livro já é muito divertida, a série consegue pegar os elementos e encaixar bem em seis episódios, mesmo quando parece que o tempo vai ficar confuso. Mas o ritmo do roteiro é bom, os fatos vão sendo apresentados e os núcleos aparecem o suficiente para entendermos a história e os personagens envolvidos. Além disso, Good Omens tem um humor muito particular, que combina bem com a história que está sendo contada, sem parecer forçado ou absurdo (pelo menos não mais que o esperado de um anjo e um demônio tentando impedir o mundo de acabar). Outro ponto positivo é que a história não fica inventando coisa desnecessária para preencher mais tempo de tela, seis episódios é o suficiente.

A relação entre Crowley e Aziraphale é tão boa que, por si só, já valeria assistir a série. Vemos a amizade deles (e mais, por que né) ao longo dos anos, como eles se dão bem, como brigam e se importam um com o outro, apesar das diferenças. Os atores estão maravilhosos em seus papéis, Tennant e Sheen dão um show com seus personagens. Apesar de Good Omens não dizer oficialmente que eles são um casal, tudo diz o contrário. Os olhares, os gestos, as falas… Nesse ponto, eu me vejo forçada a fazer uma crítica. Eu entendo que no livro nunca foi estabelecido que eles eram um casal, mas eu acho sim que eles podiam ter dado um passo a frente na série e deixar as coisas fora das entrelinhas.

Os personagens são ótimos, há poucos que não sejam memoráveis e não tenham seu momento de brilhar. Porém, como sempre, acho que vale ressaltar o que poderia ser melhor. Por mais que tenhamos alguma diversidade, os personagens principais estão bem dentro do padrão. Anathema é ótima, e eu adoro o arco dela, mas querendo ou não, são poucas mulheres em Good Omens. Tendo lido o livro recentemente, eu vejo que eles colocaram mais diversidade do que na obra original, houve uma atualizada, até porque o livro saiu em 1990, quase 30 anos atrás. Mas, nesse ponto, eu acredito que eles poderiam ter feito mais.

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Apesar de gostar de alguns aspectos da representação dos Cavaleiros do Apocalipse, há elementos complicados que deveriam ser melhor pensados. Por exemplo, a apresentação de Guerra é problemática. Sim, ela está em uma região em que acontece guerras, mas Good Omens poderia ter escolhido qualquer outro lugar do mundo para mostrar como ela causa conflitos.

Eu acredito que a série fez muitas escolhas boas, se comparada ao livro, de traduzir visualmente elementos da obra original para a tela. Por exemplo, a forma que eles mostram a troca de bebês ficou muito boa, era um ponto que corria o risco de ser confusa. O final também foi muito bem colocado, principalmente as conclusões de Crowley e Aziraphale.

Não tem como fazer essa crítica sem pontuar também como a trilha sonora é bem usada, e ajuda inclusive no humor da série. Inclusive um parabéns especial para o momento de Somebody to Love. Na história original, mesmo sendo um livro, a presença das músicas era notável, e a série conseguiu trazer isso de uma forma muito boa.

Com certeza Good Omens podia ter alguns cuidados a mais, principalmente quando falamos em questão de representação e diversidade. Porém, não dá para negar que é uma série muito divertida, com uma história bem feita, personagens incríveis e um humor muito bem colocado. São apenas seis episódios que dá para ver bem rápido, e até reassistir, de tão divertido que é. Recomendo muito que todos dêem uma chance para Good Omens.