Quando ainda estávamos no Collant, recebemos da Darkside o livro Chronos: Viajantes do Tempo. Nós já lemos e agora vamos contar um pouco do que achamos, sem spoilers.

Escrito por Rysa Walker, o primeiro volume da premiada trilogia Chronos começa a contar a história de Kate. Ela é uma adolescente que descobre que sua avó nasceu anos depois dela… Pois é, isso é possível sim, porque Katherine, a avó de Kate (sim, elas têm o mesmo nome) é uma viajante no tempo. Junto com essa descoberta, Kate é forçada a se envolver nas viagens do tempo para salvar seus pais e impedir que a linha do tempo seja alterada completamente.

O livro é em primeira pessoa e, portanto, estamos constantemente na cabeça de Kate, acompanhando seus pensamentos e o seu ponto de vista da história. Por não saber sobre as viagens no tempo, ela é a porta de entrada para o leitor entender como as especificidades desse universo funcionam.

O aspecto da ficção científica de Chronos é muito interessante. A viagem no tempo cria linhas mutáveis, então se alguém viajar para o passado ou futuro e fizer algo nesses momentos, vai sim afetar o resto da linha temporal. Esse aspecto faz com que os riscos e os desafios fiquem maiores, o que enche a narrativa de possibilidades de coisas que podem acontecer, tanto boas quanto ruins.

É também interessante uma história que mostra um futuro onde a viagem no tempo é uma espécie de área de profissão, considerando os riscos que as mudanças podem acarretar. A lógica de como tudo funciona pode parecer confusa no começo, ainda mais para pessoas que estão acostumadas com linhas do tempo que são imutáveis, mas ao longo do livro isso vai ficando mais fácil de entender e interessante de acompanhar.

Outro aspecto positivo é que a história está cheia de mulheres de vários tipos. Temos a protagonista, Kate, a sua avó Katherine, que possui o papel de mentora, além de personagens mulheres coadjuvantes e até mesmo em posições de vilãs. Ficção científica não é um lugar sempre bem vindo para personagens femininas, então é sempre satisfatório ver uma história que mude isso.

A escrita não acerta sempre. Por um lado, é bom que a autora apresenta os tempos de tal forma que não confundimos em que momento da linha Kate está. No entanto, os diálogos às vezes são falas que não parecem muito naturais, mesmo os que se passam em dias atuais. Outro aspecto que dificulta um pouco a leitura é toda a parte do triângulo amoroso. Kate tem suas qualidades, a sua vontade de fazer a situação dar certo impulsiona vários momentos da história, mas em certas horas sua mente começa a pensar em como ela queria ter um namorado, o que torna a leitura um pouco monótona.

Não há problema algum em uma protagonista, ainda mais em uma história focada no público jovem, ter interesse em romance. É uma forma de clichê, mas não é necessariamente ruim. O problema é que da forma que isso foi apresentado fica um pouco monótono e sem sal, como se as coisas fossem encaixadas por conveniência para fazer o triângulo amoroso funcionar. Obviamente ainda pode melhorar, considerando que tem mais dois livros, mas nesse primeiro esse aspecto deixou a desejar.

Para você que curte viagens no tempo com uma leitura mais leve, Chronos: Viajantes do Tempo é uma boa sugestão. Há algumas falhas e barrigas no meio do caminho, mas o ambiente todo da obra é bem interessante.

O livro já está disponível em português pela Darkside.