A animação She-Ra e as Princesas do Poder, da Netflix, chegou ao fim com o lançamento da quinta temporada. E que temporada! Podemos muito bem dizer que foi uma das melhores que a animação teve (se não a melhor?), com resoluções satisfatórias e um final que agradou os fãs, cumprindo todas as suas propostas, sendo divertido e emocionante ao mesmo tempo. Então vamos falar um pouco do final dessa jornada que foi She-Ra!

Essa resenha não tem spoilers da quinta temporada (mas é possível que tenha das anteriores).

She-Ra and the Princesses of Power Season 5 battle the Galactic Horde

A quinta temporada de She-Ra é a conclusão, que coloca os pontos finais necessários. E, nesse ponto, assim como em muitos outros, essa temporada de She-Ra acerta. A quarta temporada tinha colocado todos os problemas da narrativa na mesma direção: O maior vilão que She-Ra e seus amigos já enfrentaram estava finalmente chegando em Etérea e eles não tinham mais para onde correr. Sem contar que Cintilante ainda estava desaparecida e precisava de ajuda. As coisas começaram bem tensas para todos os personagens nessa última temporada.

Acredito que o primeiro ponto positivo a se levantar aqui é como a animação fecha todos os pontos principais necessários. A guerra, os arcos dos personagens, toda a confusão sobre a persona da She-Ra depois da última temporada… Nada é esquecido, sendo tratado com o tom necessário pela narrativa. She-Ra e as Princesas do Poder também apresenta conclusões boas para essas questões, todo o caminho que é tomado pelos personagens faz sentido, por mais que uma coisa ou outra possa pareça um pouco “da onde veio isso”, se lembrarmos das temporadas passadas, as escolhas fazem sentido.

E já que tocamos no assunto de personagens, essa talvez seja a parte que mais chama a atenção. Uma coisa que She-Ra e as Princesas do Poder faz muito bem é costurar o que os arcos dos personagens precisam com o que é mais relevante para a história. Nesse caso, o melhor exemplo é pensar em toda a jornada de Adora e como ela conversa não só com o que a personagem precisa, mas também com a mensagem geral da história em si. Os passos de Adora estão conectados a vários elementos da história, não só a sua jornada pessoal.

Isso vale também para o arco de Felina. Por mais que a jornada dela seja muito mais interna nessa altura, e como ela encara o mundo e suas próprias vontades, a temática também conversa com outros elementos que a animação She-Ra e as Princesas do Poder mostrou até agora. Apesar de Adora e Felina serem os maiores destaques da temporada, na minha opinião, Cintilante também tem bastante espaço para lidar com as decisões que ela tomou na quarta temporada e como isso afetou o relacionamento que ela tinha com os seus amigos. Outros personagens menores, como Entrapta e Scorpia, também tem espaço e seus arcos são explorados.

SHE-RA AND THE PRINCESSES OF POWER Season 5 Clip - One News Page VIDEO

She-Ra e as Princesas do Poder sempre soube, mas acredito que agora mais do que nunca, como balancear o seu humor com os momentos emotivos. Eu chorei e ri, possivelmente no mesmo episódio, mas não porque havia uma quebra de clima sem sentido no episódio, mas porque a história pedia esses momentos e os escritores souberam muito bem como colocá-los e ainda assim fazer sentido.

Não tem como fazer uma crítica dessa temporada sem falar sobre a representação. Talvez She-Ra e as Princesas do Poder é um dos maiores exemplos de como é possível sim colocar personagens LGBTQ+ em histórias tendo conflitos que não necessariamente sejam sobre suas sexualidades ou seus gêneros. Eu já falei algumas vezes aqui, acho sim importante histórias sobre personagem LGBTQ+ que se foquem no fato deles serem LGBTQ+, mas eu também acho que alguns personagens dessa minoria devem ter espaço para que outras coisas sejam o foco de suas vidas. Todos os personagens de She-Ra passam por algum obstáculo ou conflito, mas sua orientação sexual e sua identidade de gênero não fazem parte desses fatores. Algo que, geralmente, só personagens cis e hétero são permitidos.

A representação LGBTQ+ precisa, e deve, ter espaço para todo o tipo de arcos de personagens. Sim, esses personagens não são cisheteronormativo e o seu maior problema é uma guerra contra uma pessoa que quer destruir o planeta. E isso é feito de maneira tão orgânica que é quase inacreditável quando chegamos no fim e percebemos que não é queerbaiting. Não que She-Ra já não tivesse essas representações nas primeiras temporadas, a animação sempre teve espaço para minorias, mas essa última temporada aumenta essa inclusão. Mais uma prova de que não, incluir minorias não “destrói” uma narrativa. Muito pelo contrário, a inclusão fez com que She-Ra e as Princesas do Poder se tornasse uma das melhores animações que temos hoje.

Noelle Stevenson fez um trabalho incrível com She-Ra, assim como a Netflix, toda a produção e atores envolvidos. É uma narrativa bem construída do começo ao fim, com personagens interessantes, divertidos e uma conclusão que lida muito bem com o tema da história e tudo que foi apresentado. Se você chegou até aqui e ainda não assistiu, aproveita que agora She-Ra está completo e faz aquela maratona, porque vale muito a pena!

Sobre o Autor

Escritora, roteirista, poledancer nas horas vagas. Determination ♡

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