Esta crítica não terá spoilers da terceira temporada.

Quando a segunda temporada de She-Ra e as Princesas do Poder saiu, eu fiquei com a impressão de que as coisas acabaram meio que de repente. Agora, vendo o desenrolar da terceira temporada, acho que elas funcionam melhor se assistidas uma seguida da outra.

A terceira temporada de She-Ra é intensa, para dizer o mínimo. Todas as questões colocadas na segunda temporada são resolvidas nessa, inclusive outros pontos de tensão que não tinham aparecido direito ainda, como o passado do próprio Hordak e como isso vai se tornar um problema no futuro para toda a Etérea.

A série continua logo depois do season finale da segunda temporada: Sombria aparece em Lua Clara e Adora precisa descobrir o porquê. Apesar de já saber que é a She-Ra, e de conseguir usar seus poderes muito melhor do que antes, Adora ainda não sabe nada sobre o seu passado, porque ela foi escolhida e porque continua sempre sendo o centro dos conflitos. Nessa temporada, ela vai começar a entender mais sobre isso.

Em seis episódios, a terceira temporada se preocupa muito mais em desenrolar os acontecimentos de Etérea, e mostrar como os personagens principais vão reagindo a isso, do que focar mais em arco dos próprios personagens. Isso não é um problema, considerando que é uma temporada curta, apenas uma característica. Por isso, as princesas coadjuvantes acabam aparecendo só em momentos muito específicos, o próprio Arqueiro não tem tanto o foco como teve na última temporada.

Os personagens que são confrontados com certos acontecimentos precisam dar um jeito de lidar, ou precisarão na próxima temporada. Obviamente Adora descobriu muita coisa, não só sobre sua origem e seu papel de She-Ra, mas também sobre acontecimentos do passado que ela achava que tinha certeza. Cintilante também vai começar a ter que lidar com coisas muito mais complicadas do que já encarou até agora. Tanto Scorpia quanto Entrapta estão começando a perceber que talvez, o que elas acreditavam que era certo ou algo bom, não é exatamente isso que elas acham. Já Felina ainda pode não ter entendido completamente o caminho que está seguindo, ou não se importa, mas nessa temporada as consequências não são leves.

She-Ra é uma animação que sempre tenta passar mensagens com seus arcos de história. Além de toda uma conversa sobre responsabilidade, e entender o real peso das coisas, essa terceira temporada fala sobre a necessidade de deixar algumas coisas para trás, para não insistir em algo que está fazendo mal. Não é o rumo que eu esperava que essa temporada fosse tomar, mas foi muito bem feito. Ainda quero comentar mais sobre o assunto em um texto com spoilers.

Mesmo sendo intensa e mostrando coisas que ainda não conhecíamos, She-Ra trouxe também o que mais gostamos da série e dos primeiros episódios. Personagens interessantes, com os quais nos importamos, uma história com reviravoltas, princesas se impondo com o seu poder e, claro, a importância de ter seus amigos de verdade por perto, a força da união. Adora é muito poderosa como She-Ra e pode fazer uma grande diferença, mas sozinha e sem apoio as coisas ficam muito mais complicadas. Felizmente, vimos bem nessa temporada como Adora tem uma boa rede de apoio.

She-Ra continua sendo uma das melhores animações da atualidade, não só porque tem uma boa história e é divertida, mas também porque mostra exemplos de heroínas salvando o dia de uma forma interessante, além de heróis homens, como o Arqueiro, que não caem em um estereótipo “machão” de masculinidade tóxica.

O futuro de Etérea ainda terá muitos problemas. O final dessa terceira temporada eleva os desafios que estão por vir, não só para Adora, mas também acredito que Cintilante terá um caminho difícil daqui para frente. Esse final dá um gancho muito interessante para os episódios que virão a seguir e seguimos empolgados para a próxima temporada.

Se você não assistiu She-Ra ainda, sério, vai lá que vale a pena.