Sim, eu coloquei “o filme” no título do texto porque eu sei que a comparação com os quadrinhos vai ser feita. Então vamos estabelecer algumas coisas antes do fangirling começar. Eu não li os quadrinhos do Pantera Negra, eu não leio os super-heróis da Marvel, então esse ship, para mim, está vindo do filme. Quando comecei a escrever o texto, eu pesquisei um pouco sobre Nakia e a história dos personagens. Entendo que, se eu fosse incluir os quadrinhos, o ship teria que ter uma análise bem maior, porque tem alguns fatores complicados. Mas, neste texto, eu estou falando do filme do Pantera Negra.

Dito isso, vamos começar. Como sempre, esse texto tem spoilers do filme. Então, se você não viu ainda, vai lá ver (agora mesmo, é muito bom) e volta aqui.

Desde o começo, nós sabemos que T’Challa tem uma queda por Nakia. A primeira cena de ação do filme é ele indo até ela, quase como em uma missão de resgate, para falar que seu pai morreu e pedir sua presença durante a cerimônia para virar rei de Wakanda. O que facilmente poderia ser o “resgate a donzela em pergio” é uma cena de ação incrível, onde Nakia chuta tantas bundas quanto T’Challa.

Nós sabemos que algo já aconteceu entre os dois. Ser ex de alguém não faz com que exista uma tensão sexual no ar, mas no caso de T’Challa, dava para perceber que ele queria tentar mais uma vez. Pelo o que o filme mostra, Nakia não tinha nenhum sentimento ruim em relação a T’Challa, ela apenas foi seguir seu caminho, o que sentia que era sua missão para o bem de Wakanda. O que é muito justo e legal ver em uma dinâmica de ship. O fato de serem interesse românticos não significa que os dois personagens devam ser dependentes um do outro.

Ao contrário de outros filmes de super-heróis, Pantera Negra não perde muito tempo focando na vontade de T’Challa em voltar com Nakia. O filme tem inúmeros temas, assuntos e personagens para abordar, e tudo isso vai ganhando espaço. Mas a história também sabe que existe um ship aí, que os personagens têm sentimentos um pelo outro. T’Challa mostra, em toda a sua expressão, que fica diferente perto de Nakia, enquanto ela está sempre lá nos momentos em que T’Challa precisa de apoio.

O que também pode acontecer em filmes de super-heróis é que o arco do interesse romântico gira completamente ao redor do protagonista. A personagem feminina só existe naquele universo para “servir” ao arco do super-herói. Em Pantera Negra, Nakia tem a sua própria história, propósito e características bem definidas, que funcionam independente de T’Challa estar em cena ou não. O ship não tem aquela sensação de só estarem completos quando estão juntos, mas sim de serem incríveis em qualquer contexto.

Sim, há espaço para os momentos emocionantes de ships também. Quando todos acham que T’Challa morreu, Nakia não hesita em largar tudo e fazer o que acha certo, tanto por ela quanto para T’Challa. Quando ele volta, os dois trabalham juntos para salvar Wakanda e, mesmo depois, continuam unidos para dar um novo rumo ao seu país.

Obviamente, no final, depois dessa montanha russa de emoções e possibilidades de dar tudo errado, o ship tem a cena de beijo que a gente sempre espera. Porque sim, a gente quer a cena fofinha e romântica também.

Pantera Negra é um filme todo ótimo, que vale a pena por inúmeros motivos, mas o ship não me chamou a atenção só porque eu gosto de shipar tudo. Ele não é o foco, mas está ali, aos poucos sendo trabalhado, incluído nos momentos certos e tendo sua conclusão. Da mesma forma que o filme não força o romance, ele também não esquece. Tudo ficou bem, incluindo no relacionamento de T’Challa e Nakia.