Estamos postando semanalmente críticas dos episódios de Lovecraft Country aqui. A série tem feito um trabalho bom em vários aspectos, tanto de narrativa, quanto pensando nos elementos de terror e também em representação. Mas nós sempre achamos que vale apontar algo que não foi bem feito quando possível, mesmo que seja de uma obra que gostamos.

Como eu já comentei na crítica do episódio 4 de Lovecraft Country, a série errou na representação de Yahima, uma personagem indígena dois-espíritos que aparece no episódio em questão. A showrunner da série, Misha Green, estava respondendo algumas perguntas no Twitter e falou sobre o assunto.

@MishaGreen se você ainda estiver respondendo perguntas, eu adoraria ouvir uma explicação de você sobre a escolha na representação de Yahima

Eu queria mostrar a verdade desconfortável de que pessoas oprimidas também podem oprimir. Mas eu não avaliei nem mostrei a representação de Yahima da forma que eu deveria. É um ponto importante de se falar, mas eu falhei no jeito que eu fiz. #LovecraftCountry

Para quem não se lembra, no episódio 4, o trio Atticus, Letitia e Montrose encontram Yahima, uma personagem trans dois-espíritos que tinha informações cruciais para que eles enfrentassem Christina. Quando a personagem é apresentada, a câmera passa de um jeito bem específico pelas genitais de Yahima e só depois elu fala como se identifica.

Eu comentei na época que, além dessa apresentação não ser das melhores, a personagem só apareceu para morrer alguns minutos depois, de uma maneira super violenta, diga-se de passagem. Por que logo a única personagem indígena e trans que vimos até o momento tinha que ter uma participação dessa forma? Por mais que Lovecraft Country acerte em vários pontos, esse não foi o seu melhor momento.

Obviamente eu não estou em posição de dizer se a retratação de Misha Green é o suficiente ou não, mas é sempre bom ver um showrunner admitir que cometeu um erro quanto a representação de uma minoria, algo que a maioria não se dá ao trabalho de fazer. Eu não duvido que Misha Green teve boas intenções, e de fato, mostrar a intersecção de pessoas oprimidas poderem oprimir outras minorias é algo válido e necessário. Mas aqui não funcionou, e mesmo com as melhores intenções, a mensagem passada precisa sempre ser avaliada e levada em consideração.

Esperamos sempre que daqui para frente as representações só melhorem em Lovecraft Country.

Sobre o Autor

Escritora, roteirista, poledancer nas horas vagas. Determination ♡

Visualizar Artigos