Eu não canso de dizer como The Dragon Prince é uma das melhores animações que temos atualmente. A terceira temporada volta para reforçar isso, talvez com a melhor temporada que tivemos até agora.

Os novos episódios elevam a trama da animação, fazendo com que os conflitos fiquem ainda mais sérios, com mais riscos e, portanto, maiores são as recompensas. Não chegamos ao fim da história, mas certamente vimos pontos importantes serem concluídos.

Nós não esquecemos sobre as acusações contra Aaron Ehasz, criador de The Dragon Prince que foi abusivo com algumas funcionárias. Eu, Clarice, optei por não boicotar a série, levando em consideração o que algumas mulheres lá dentro falaram, que um boicote prejudicaria mais os funcionários menores e não chegaria nele. Além disso, entendo The Dragon Prince como uma obra que tem o trabalho e esforço de muitas outras pessoas, não só os cabeças da produção. Mas também entendo perfeitamente quem queira boicotar e não se sinta mais confortável assistindo. Cada um decide o que consome.

Dito tudo isso, segue a crítica da terceira temporada de The Dragon Prince, sem spoilers.

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Com os nove episódios novos, The Dragon Prince continua exatamente de onde parou: Ezran decide voltar para Katolis para assumir o lugar de seu pai no trono, enquanto Rayla e Callum seguem o caminho para Xadia, para devolver Zym para a sua mãe. Enquanto isso, Viren está cada vez mais conectado com Aaravos. Claudia e Soren precisam lidar com algumas verdades complicadas de encarar.

Eu tenho poucos pontos negativos para levantar, mas concordo com a maioria das reclamações sobre o passo de alguns arcos ser esquisito e apressado. Especificamente a parte de Ezran, em Katolis. Todo o crescimento do personagem é muito interessante, é um Ezran diferente do que vimos até hoje, não incoerente, porém mais maduro. Mesmo sendo uma parte interessante, parece que a viagem de Ezran para Katolis é resolvida meio rápido demais. Não é uma solução ruim, nem incoerente, mas parece que foi mais acelerada do que precisaria. Porém, eu entendo que, para a ideia do último episódio, os roteiristas talvez tenham imaginado que apressar o arco de Ezran fosse melhor. Eu gostaria de ter visto ele mais tempo tentando reinar, como uma criança, em um reino de humanos que está tão acostumado a lidar com a guerra.

Falando em guerra, acredito que esse seja um dos temas centrais dessa temporada, e que The Dragon Prince parece estar acertando na abordagem. Considerando que o lado dos humanos e de Xadia são mais complexos do que um certo e outro errado, é interessante que a animação tente passar uma mensagem de possibilidade de coexistir, de paz e entendimento de diferenças. The Dragon Prince mostra que tentar seguir o caminho do que é certo não é fácil e, por conta disso, alguns vão tentar se aproveitar daqueles que tentam ser corretos, mas mesmo assim é um caminho que vale a pena.

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Também achei que outra temática importante dessa temporada é como mentiras podem ser alimentadas em prol do benefício de um grupo específico. Como lidar com a verdade não é fácil, mas é necessário e inevitável em certo momento. Essa temporada tiveram algumas cenas de manipulações que também me fizeram pensar como existe uma narrativa na animação sobre gaslighting e tentativas de distorcer a realidade.

Os personagens estão incríveis nessa temporada. Alguns, como Callum e Claudia, que tiveram mais destaque na segunda temporada, acabaram ficando mais de lado. Mesmo Aaravos parece ter um arco que trabalha mais para Viren do que ele mesmo (mas que deve mudar na próxima temporada, se interpretei certo o final). Mas vários outros personagens conseguem um espaço muito bom, que deixa suas histórias individuais muito interessantes. Rayla e Ezran crescem muito nessa temporada. O próprio Viren, mesmo com suas atitudes de vilão, ganha uma complexidade ainda maior.

Eu nem acredito que estou fazendo isso, mas faço questão de fazer um tópico específico para Soren. Um personagem que eu sempre achei tão difícil de gostar, que achei que seria um dos mais rasos, se tornou nessa temporada uma das maiores surpresas de The Dragon Prince. A jornada de Soren sofre uma mudança que faz todo o sentido com o seu final da segunda temporada, trazendo elementos que enriqueceram muito a história. Eu realmente fiquei muito surpresa com o que fizeram com o personagem, foi muito bom mesmo.

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Eu também preciso falar de como a representação de personagens diversos teve ainda mais espaço. Vimos vários elfos negros, principalmente entre os elfos do sol, que ganharam destaque nessa temporada. Amaya e Corvus também tem suas oportunidades de brilhar. Algumas pessoas acharam a participação do casal de rainhas humanas muito curta na segunda temporada, mas temos novos personagens LGBTQ+ agora.

Como os fãs já teorizavam, vimos que Runaam realmente é LGBTQ+, sendo casado com o elfo Ethari. Inclusive, em um flashback, os dois renderam uma das cenas mais lindas que eu já vi entre casais na ficção. Eu sei que, até onde sabemos, o casal está com problemas, mas eu tenho teorias sobre o futuro do dois e acredito que essa representação vai muito além de um clichê sobre personagens LGBTQ+ (e eu talvez ainda escreva sobre isso, vamos ver, não dá para explorar mais o assunto sem spoilers). Sem contar que há uma promessa bem interessante de mais personagens LGBTQ+ em um possível casal futuro.

A terceira temporada de The Dragon Prince termina com um conflito grande, uma batalha emocionante que conclui muitas questões importantes da história. Não sei quantas temporadas teremos (eu imaginei que fosse seis por conta dos elementos, ou talvez cinco), mas mesmo com esses pontos finais, ainda há questões bem importantes, e preocupantes, em aberto para os personagens lidarem na próxima temporada.

Mal posso esperar para ver o que teremos no futuro da animação. Espero que os episódios sejam de qualidade, assim como espero que os funcionários tenham melhores condições dentro da produtora.